Acre – autores e obras

Comentários sobre autores e obras do Acre. 

Educação, Literatura e Livros

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A louca do Orfanato

Agora a gente passeia pelas obras dos nossos escritores contemporâneos.
 
Trouxe aqui uma obra de uma autora contemporânea, Fátima Cordeiro. Sensacional a obra da Fátima Cordeiro mais recente: A Louca do Orfanato, um super conto, um pequeno, mas super interesse o conto que ela desenvolveu, que ela desenrolou. Ela aborda a síndrome de Tourette de uma forma envolvente cheia de conflitos entre a filha que foi abandonada, deixada no orfanato ainda criança e a sua mãe que viveu tempos difíceis por conta disso e a vida acaba cobrando, nos cobrando as decisões em que nós tomamos. Ela viveu durante muito tempo aperreada com isso.
A Fátima tem surpreendido com suas produções. Ela além de ser uma leitura assídua, eu posso dizer assim, porque eu a conheço sei que ela é professora, que ela desenvolve um excelente trabalho ali na escola onde ela está lotada, Samuel Barreiro. Gosta muito de realizar performances cênicas nos eventos literários nos lançamentos de livros, nas oportunidades que ela recebe sempre ela faz a diferença.
Gosta muito de escrever, sendo que esse gosto da Fátima pela escrita, surgiu ao longo dos seus trabalhos pela escola com as crianças. Ela teve um problema de saúde, por conta disso ela teve que desenvolver alguma atividade que ocupasse o tempo e ela descobriu na escrita, na literatura uma forma de desafogar suas mágoas, o seu peso. À época, em 2016, ela publicou um livro de poemas, intitulado Sementes de Mostarda, que eu tive oportunidade de adquirir também e ler.
Primeiro livro dela. O livro de estreia. Ela conta que foi muito rápido, escreveu esse livro, no período em que ela estava com depressão, ela confessou isso uma vez para gente e que foi através da escrita, através desse momento de reflexão que ela produziu todos esses poemas que eu considero sensacionais! Gostei muito de estar lendo, de estar folheando esse livro.
Separei aqui um poema que está na página 92:
Tinta Ouro
Amor,
Por onde tu andavas?
Quantas noite
Solucei e, te procurei.
 
Quando, finalmente,
Encontrei-te,
Todo o meu dissabor,
Transformou-se em amor.
 
Teus beijos curam...
Teus olhos me libertam...
Teus abraços aquecem...
Teu cheiro me envaidece... 
 
Ah meu amor,
Mas a tua boca
Enlouquece-me!
Nosso amor deságua no infinito mar...
 
Nossos caminhos estavam traçados,
Você e, eu, alma gêmeas!
Um encontro marcado,
Mesmo com contratempos,
 
Tudo estava registrado,
Com tinta ouro
No caderno do tempo,
Há muito tempo...
 
O meu gosto por literatura surgiu a partir de alguns autores. Inicialmente, eu lia mais livros de figuras e depois que eu comecei a ler livro como muitos textos, eu comecei a me apaixonar por muitos autores e suas produções. Atualmente eu tenho muitos livros de autores acreanos. Temos muitos lançamentos. Eu sempre vou, adquiro e na primeira oportunidade, eu leio. Fico apaixonado porque a nossa literatura é riquíssima.
Em relação à Fátima, eu tenho aqui mais algumas informações dela: é de Rio Branco/AC, ela é pedagoga, Bacharel em Teologia pela Diocese de Rio Branco. Ela é escritora desde 2016 quando se debruçou e trabalhou naquele livro. Neste livro, Semente de Mostarda. Em 2019 ela nos presenteou com esse livro A louca do Orfanato, essa obra que ela fez diferente, reuniu as pessoas que são amantes da literatura para conversar, para trocar umas ideias, para bater papo sobre o livro e ela tem outras obras nela que está trabalhando.
Agora vai trabalhar no livro infantil e também ela tem participação várias e várias outras antologias que, inclusive, ela tem participação na antologia que gerou esse livro, antologia Síndromes – contos psicológicos, organizada pela Ceiça Carvalho e Alessandra Valle. Então a partir dele que foi gerado esse livro de contos.
Muito bacana e eu gostei muito da criatividade, porque assim, o conto em si, é pequeno, mas a história é muito envolvente.  Pode ser adquirido esse livro com Fátima Cordeiro, na Amazon e também na N&S Livraria aqui em Rio Branco. Também está disponível na versão áudio livro, para pessoas com deficiência visual.
 
Gosto muito da leitura, de leitura no geral!

 Você está ouvindo Acre - autores e obras, com Valdeci Duarte. 

Rios e Barrancos do Acre - Mário Maia

Você está ouvindo Acre - autores e obras, com Valdeci Duarte.

Vou comentar um pouco sobre a obra de Mário Maia, um dos escritores consagrados da nossa literatura acreana. Ele nasceu em Rio Branco no dia 15 de outubro de 1925, graduou-se pela Faculdade de Medicina de Niterói, especializando-se em cirurgia geral e anestesiologia pela PUC/RJ. Chegou a atuar por um período no Hospital Municipal Antônio Pedro, de Niterói.
De volta ao Acre foi no médico do departamento Nacional de Saúde no Município, em Sena Madureira e chefe do serviço médico da guarda territorial. Ele foi casado com Elba Tavares Maia, com quem teve duas filhas. Além de médico, político, deixou duas excelentes obras literárias, das quais eu tive a oportunidade de ler  Rios e Barrancos do Acre e achei sensacional!
É uma produção onde bem está descrito a história, a trajetória de ribeirinhos e moradores da floresta do Acre. É um livro muito encantador! É muito bacana você acompanhar todo o enredo, conhecer os personagens, as situações vividas pelo, pelo personagem. Eu acredito que o escritor utilizou muito da sua história e colocou tudo nesse romance, recheado de muita paixão, de muito amor pelo Acre, pelas terras, pelos barrancos do Acre.
Além desta, desta obra Rio de Barrancos, ele escreveu também Sombras Siderais e outras Sombras, em 1990 publicou. E estes livros de Mário Maia, estão disponíveis na Biblioteca Pública Estadual que o leitor pode estar lendo. Todos esses livros estão disponíveis para leitura e manuseio na Biblioteca Pública Estadual. E aí eu já convido para que vocês todos possam fazer uma visita ali à biblioteca e ver o grande legado literário que nós temos ali, não só deste autor, Mário Maia, mas também de muitos outros autores que passaram por este chão e produziram grandes obras.
Quando você ver essa obra de Mário Maia, você se encanta ao identificar pontos estratégicos do Acre, ao longo da sua evolução, da sua trajetória, desde os anos 30... 30-40 até os anos 70, quando ele efetivamente já estava traçando a sua trajetória política. Em 63 e 69, nesse período, ele foi eleito para ser Deputado Federal, pelo Acre e ficou nesse período todo, exercendo essa função pública para todos os acreanos.
Além dessa dessa função, ele também foi Senador da República, pelo Acre. Nesse período ele chegou a ser membro da Assembleia Nacional Constituinte, naquele período que antecedeu à nossa Constituição de 88 e ele foi 2º Secretário da mesa dessa Assembleia.
Em 1986 ele concorreu ao Governo do Acre pela legenda do PSD/PFL e foi derrotado pelo candidato do PMDB. Dentre as ações que a gente identifica na trajetória política dele. Votou contra a pena de morte, por exemplo, a legalização do jogo do bicho e os 5 anos de Mandato para o então Presidente José Sarney, naquele período de 85 a 90. Ele apoiou ainda, nacionalização do subsolo, a instituição de habeas data e o mandado de segurança coletivo.
Foi autor de projetos considerados utópicos, tais como, ensino público gratuito, de 8 horas diárias e dois turnos, assistência médica e farmacêutica gratuita a todos os brasileiros, serviço militar voluntário, a limitação da participação do capital estrangeiro, enfim, algumas das atividades que ele desempenhou como político, algumas bandeiras que ele defendeu.
Além de tudo isso, ele foi solidário com os seringueiros, pequenos agricultores do seu estado e eu acho que o grande legado, principalmente na área literária, foi a produção dessas obras que ele nos deixou. Rios e Bancos do Acre, em 1978 e ele também participou de uma antologia, Antologia dos Poetas Acreanos que foi publicada em 1986 pela Fundação Cultural, Casa do Poeta Acreano, reuniu grandes nomes da nossa literatura.
Então na página 150, deste livro, tem um poema do Mário Maia. Vou declamar aqui:
O pranto do seringueiro
Não me derrube, seu moço, a seringueira...
O seu leite me serve de sustento.
Já estou velho; mas desde o nascimento
Que esta árvore é minha companheira...

Olhe, é irmã daquela castanheira
Cuja copa procura o firmamento...
Ela também me dá alimento
Que mata a fome da família inteira...

Ao dizer isto, emudeceu num canto
Com a tristeza que uma saudade encerra.
Foi tanto a dor e o sentimento tanto,

Quando feriu o tronco, a motosserra,
Que o seringueiro sucumbiu num pranto
Tão orvalhado, que inundou a terra...

Você está ouvindo Acre - autores e obras, com Valdeci Duarte.

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