Acre – autores e obras

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Rios e Barrancos do Acre - Mário Maia

Você está ouvindo Acre - autores e obras, com Valdeci Duarte.

Vou comentar um pouco sobre a obra de Mário Maia, um dos escritores consagrados da nossa literatura acreana. Ele nasceu em Rio Branco no dia 15 de outubro de 1925, graduou-se pela Faculdade de Medicina de Niterói, especializando-se em cirurgia geral e anestesiologia pela PUC/RJ. Chegou a atuar por um período no Hospital Municipal Antônio Pedro, de Niterói.
De volta ao Acre foi no médico do departamento Nacional de Saúde no Município, em Sena Madureira e chefe do serviço médico da guarda territorial. Ele foi casado com Elba Tavares Maia, com quem teve duas filhas. Além de médico, político, deixou duas excelentes obras literárias, das quais eu tive a oportunidade de ler  Rios e Barrancos do Acre e achei sensacional!
É uma produção onde bem está descrito a história, a trajetória de ribeirinhos e moradores da floresta do Acre. É um livro muito encantador! É muito bacana você acompanhar todo o enredo, conhecer os personagens, as situações vividas pelo, pelo personagem. Eu acredito que o escritor utilizou muito da sua história e colocou tudo nesse romance, recheado de muita paixão, de muito amor pelo Acre, pelas terras, pelos barrancos do Acre.
Além desta, desta obra Rio de Barrancos, ele escreveu também Sombras Siderais e outras Sombras, em 1990 publicou. E estes livros de Mário Maia, estão disponíveis na Biblioteca Pública Estadual que o leitor pode estar lendo. Todos esses livros estão disponíveis para leitura e manuseio na Biblioteca Pública Estadual. E aí eu já convido para que vocês todos possam fazer uma visita ali à biblioteca e ver o grande legado literário que nós temos ali, não só deste autor, Mário Maia, mas também de muitos outros autores que passaram por este chão e produziram grandes obras.
Quando você ver essa obra de Mário Maia, você se encanta ao identificar pontos estratégicos do Acre, ao longo da sua evolução, da sua trajetória, desde os anos 30... 30-40 até os anos 70, quando ele efetivamente já estava traçando a sua trajetória política. Em 63 e 69, nesse período, ele foi eleito para ser Deputado Federal, pelo Acre e ficou nesse período todo, exercendo essa função pública para todos os acreanos.
Além dessa dessa função, ele também foi Senador da República, pelo Acre. Nesse período ele chegou a ser membro da Assembleia Nacional Constituinte, naquele período que antecedeu à nossa Constituição de 88 e ele foi 2º Secretário da mesa dessa Assembleia.
Em 1986 ele concorreu ao Governo do Acre pela legenda do PSD/PFL e foi derrotado pelo candidato do PMDB. Dentre as ações que a gente identifica na trajetória política dele. Votou contra a pena de morte, por exemplo, a legalização do jogo do bicho e os 5 anos de Mandato para o então Presidente José Sarney, naquele período de 85 a 90. Ele apoiou ainda, nacionalização do subsolo, a instituição de habeas data e o mandado de segurança coletivo.
Foi autor de projetos considerados utópicos, tais como, ensino público gratuito, de 8 horas diárias e dois turnos, assistência médica e farmacêutica gratuita a todos os brasileiros, serviço militar voluntário, a limitação da participação do capital estrangeiro, enfim, algumas das atividades que ele desempenhou como político, algumas bandeiras que ele defendeu.
Além de tudo isso, ele foi solidário com os seringueiros, pequenos agricultores do seu estado e eu acho que o grande legado, principalmente na área literária, foi a produção dessas obras que ele nos deixou. Rios e Bancos do Acre, em 1978 e ele também participou de uma antologia, Antologia dos Poetas Acreanos que foi publicada em 1986 pela Fundação Cultural, Casa do Poeta Acreano, reuniu grandes nomes da nossa literatura.
Então na página 150, deste livro, tem um poema do Mário Maia. Vou declamar aqui:
O pranto do seringueiro
Não me derrube, seu moço, a seringueira...
O seu leite me serve de sustento.
Já estou velho; mas desde o nascimento
Que esta árvore é minha companheira...

Olhe, é irmã daquela castanheira
Cuja copa procura o firmamento...
Ela também me dá alimento
Que mata a fome da família inteira...

Ao dizer isto, emudeceu num canto
Com a tristeza que uma saudade encerra.
Foi tanto a dor e o sentimento tanto,

Quando feriu o tronco, a motosserra,
Que o seringueiro sucumbiu num pranto
Tão orvalhado, que inundou a terra...

Você está ouvindo Acre - autores e obras, com Valdeci Duarte.

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