Desobediência Sonora

Programa de entrevistas com convidados/as para divulgação da música independente e movimentações políticas, sociais, culturais e artísticas, sobretudo de caráter anti-capitalista.

Acesse:
https://desobedienciasonora.milharal.org

Mixcloud:
https://www.mixcloud.com/desobedienciasonoraantenazero/

Archive:
https://archive.org/details/@desobediencia_sonora

Receba nossas atualizações em seu e-mail clicando aqui

Siga a gente no Twitter: @desobediencia_s

Todas as quintas-feiras às 18hs na rádio Antena Zero um programa inédito:
http://antenazero.com/

Todas as quintas-feiras ás 22hs na Rádio Comunitária Cantareira seleção musical e arquivo de podcasts: http://radiocantareira.org/

Assine o nosso feed no seu agregador de podcast!

Outros Podcast:

  Boletim Casa Virada - informativo semanal sobre medidas socioeducativas a partir de um olhar anarquista e abolicionista penal 

A Voz da Várzea - apresentado por um técnico de time juvenil de futebol da Brasilândia, traz conversas com pessoas que foram e estão no futebol de várzea.

Assine:

Ver todos episódios

DS #175 –Leituras do Antifascismo: "Fascismo e Manipulação do Passado" - George Orwell

Quinto episódio da série “Leituras do Antifascismo - gente que interpretou o fascismo enquanto o encarava (1915-1944)” com o Historiador André Nicacio Lima (Godinho). O presente episódio será:

 “Fascismo e manipulação do passado”: George Orwell

Referências:

George Orwell - Carta a Noel Willmett (1944)

George Orwell - A Revolução dos Bichos (1945)

George Orwell - 1984 (1949)

"Caro Sr. Willmett,


Muito obrigado pela sua carta. O senhor pergunta se o totalitarismo, culto ao caudilho etc. estão em ascensão de fato, ressaltando que essas coisas, aparentemente, não registram crescimento aqui na Inglaterra e nos Estados Unidos.


Insisto que acredito, ou temo, que quando se observa o mundo em sua totalidade, essas coisas estão aumentando. Claro, não restam dúvidas de que Hitler em breve será passado, mas somente às custas do fortalecimento de (a) Stálin, (b) dos milionários anglo-americanos e (c) de todo tipo de fuhrerzinho à la de Gaulle. Para onde quer que se olhe, todos os movimentos nacionalistas, mesmo os que surgiram como forma de resistência ao domínio alemão, parecem assumir formas não-democráticas, organizando-se em torno a algum tipo de fuhrer sobre-humano (Hitler, Stálin, Salazar, Franco, Gandhi, De Valera e vários outros modelos) e adotando a teoria dos fins que justificam os meios. Por toda parte, o mundo parece convergir para economias centralizadas, que podem até “funcionar” no sentido econômico do termo, mas que não são democraticamente organizadas, possuindo o pendor a estabelecer um sistema de castas. Acrescente-se a isto o horror do nacionalismo exacerbado e uma tendência à descrença na existência das verdades objetivas, já que todos os fatos têm que se adequar às palavras e profecias de algum fuhrer infalível. Na verdade, em certo sentido, a história já deixou de existir, não havendo mais uma história contemporânea que possa ser universalmente aceita, e as ciências exatas também estarão ameaçadas tão logo não se precise mais do exército para manter a ordem. Hitler pode dizer que os judeus começaram a guerra, e se ele sobreviver, isso passará a ser a história oficial. Mas ele não pode dizer que dois mais dois são cinco, porque para os objetivos, digamos, da balística é preciso que essa soma continue sendo quatro. Mas se o tipo de mundo que eu temo vier a se tornar realidade, um mundo de dois ou três grandes super Estados incapazes de conquistar um ao outro, dois mais dois será cinco se o fuhrer assim o desejar. E é para aí, até onde posso enxergar, que estamos nos movendo de fato, embora, claro, esse processo seja reversível."

Trilha:
Barbárie - Festa da Família Brasileira
San Blas Pose - Ska Antifascista
Les Amis d'ta Femme - La Semaine Sanglante
O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos - SAM Song

Background (BG)
Jean-Baptiste Clément - La Semaine Sanglante "foi composta durante a chamada “semana sangrenta” e representa a repressão violenta ao movimento da Comuna de Paris, o massacre dos insurretos pelas tropas do exército francês, que deixou mais de 20 mil mortos. O próprio Clément foi condenado à morte, mas conseguiu escapar e passou dez anos na clandestinidade. Mais a tarde ele contaria: “Eu ainda estava em Paris quando fiz essa canção. (…) Do local onde me haviam abrigado (…) ouvia todas as noites tiros de fuzil, prisões, gritos de mulheres e crianças. Era a reação vitoriosa que continuava sua obra de extermínio”."


Acesse:
https://desobedienciasonora.milharal.org

Mixcloud:
https://www.mixcloud.com/desobedienciasonoraantenazero/

Receba nossas atualizações em seu e-mail clicando aqui

Siga a gente no Twitter: @desobediencia_s

Todas as quintas-feiras às 18hs na rádio Antena Zero um programa inédito:
http://antenazero.com/



Megafono