Histórias e Memórias por Dinamérico Aguiar

"Continuo o mesmo. 
Não guardo rancor, não odeio ninguém por mais de 3 minutos. 
Vivo. 
E sigo o Raul Seixas: prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. 
E também não cobro nada de ninguém nem gosto de ficar lendo, recortando e mandando frases que não levam a nada se você não tiver o sentido delas em seu coração."

História, memórias e muitos causos de um velho jornalista.

Por Dinamérico Aguiar

Jornais Pessoal, Sociedade e Cultura e História

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Episódios

#4 - O Gol do Formiguinha por Dinamérico Aguiar

Sempre improvisando, mas sem perder a classe.
#maisquecausos #historiasememorias

Texto: Dinamérico Aguiar
Narração: Mari Aguiar
Edição de áudio e vídeo: Rico Santos


#3 - Mais Histórias do Rádio por Dinamérico Aguiar

Já vimos de tudo, inclusive transmissão de procissão, ao vivo, pelo rádio!
#maisquecausos #historiasememorias

Texto: Dinamérico Aguiar
Narração: Mari Aguiar
Edição de áudio e vídeo: Rico Santos

MAIS HISTÓRIAS DE RÁDIO
O irmão Mário Tadeu, uma preciosidade que Bauru cedeu para o mundo do rádio, escreveu dia desses, sobre a minha memória ao relatar algumas proezas do rádio. Por conta da generosidade que ele tem tido para comigo, vamos voltar ao final dos anos oitenta. Paulo Max, o carioca que ficou famoso por ser o apresentador dos concursos de Miss Brasil, quando estes ainda tinham charme, era o diretor geral da Rádio Capital e resolveu fazer uma proposta ao Luiz Aguiar, para que este assumisse o comando da emissora, que ficava ali na Avenida 9 de Julho, em São Paulo. E quem o Aguiar chamou para ser o seu braço direito nessa empreitada? Ninguém menos que o próprio Mário Tadeu, garantia de sucesso.
 Lá estavam, Zé Bettio, José Russo, Darcio Campos, a equipe de jornalismo de Wilson José. E ainda chegaram Nelson Rubens e Leão Lobo. Tudo caminhava bem, até que houve uma irrecusável proposta da Igreja Universal do Reino de Deus, para fazer um programa por lá. As emissoras ainda não tinham aberto espaços para pregações, como hoje, de modo que ficou a dúvida entre brigar pela audiência e faturar. Paulo Max resolveu fazer uma proposta para não ser aceita, um programa de meia noite a uma hora da manhã (horário utilizado para bonificações, não rendia nada); o pastor aceitou. 
Ele buscou socorro no Luiz Aguiar; o que faremos, é muito dinheiro (o que se pagaria representava cerca de 10% de todo o faturamento da rádio). Aguiar propôs um programa sem falar em igreja, pregações nem orações. Seria um novo apresentador na madrugada, só colocando jingles, com endereço da igreja. nos intervalos; o pastor aceitou; meio desesperado, Paulo Max exigiu pagamento adiantado: Eles aceitaram. Não tinha jeito, não é Tadeu? E assim, foi para o ar o “Viva a Vida”, um programa musical, movimentado, alegre, com reportagens bem-feitas, que acabou sendo líder no horário. Convenhamos, o Paulo Roberto, pastor da IURD, era um ótimo apresentador. E assim foi resolvido o problema e faturando muito, o que era mais importante.
Se querem mais, Luiz Aguiar ainda foi protagonista de histórias muito boas, como aquela em que resolveu transmitir, lá pelos idos de 1958, uma procissão, pela Rádio Cultura de Guaíra (a paulista, perto de Barretos). Equipamentos naquela época, nem pensar. E a improvisação levou um caminhão para o meio da procissão, com um gerador ligado e fios ligando o microfone ao estúdio da rádio. Nem queiram imaginar. Luiz ainda anunciou a semana toda a transmissão da importante procissão, de aniversário da cidade, e pediu para que todos colocassem um rádio nas janelas.
 Para não esticar muito, a procissão seguia, o padre rezando e cantando com as senhoras do apostolado da oração e logo atrás, um enorme caminhão soltando uma fumaceira irrespirável, levando um barulhento gerador fazendo aquele insuportável TUTUTUTUTU; seguia-o um monte de gente com velas acesas e aquele rapazinho, microfone na mão, gritando, para se sobressair à barulheira; não bastasse, alguns aparelhos de rádio mais próximos dando microfonia. Foi demais, para a paciência do padre, que parou a procissão e pediu para retirarem o caminhão. Jesus, lá no céu, retirou as duas mãos dos ouvidos e abençoou a iniciativa do jovem radialista. Valeu a intenção.

#2 - O reporter esportivo por Dinamérico Aguiar

O guarda-chuvas nas costas e depois uma quase morte!

#maisquecausos #historiasememorias

Texto: Dinamérico Aguiar
Narração: Mari Aguiar
Edição de áudio e vídeo: Rico Santos

O REPÓRTER ESPORTIVO

Lá pelos idos de 1961 vivia eu em Ribeirão Preto, em jornada dupla. Durante o dia estava na Rádio Cultura, fazendo de tudo e, à noite, cursava o científico (era assim que se falava) no Ginásio “Moura Lacerda”, na Praça XV. 
Dentre as minhas funções, na rádio, cheguei a ser repórter esportivo. Talvez por influência de meu irmão, Luiz, um dos melhores que conheci, talvez pela necessidade de sobreviver e pagar a pensão, sei lá; eu fui, eu era, como diriam Raul e Paulo Coelho; e conseguia pegar o microfone volante e dar as informações necessárias de Botafogo e Comercial, para as transmissões esportivas. E quando eu falo microfone volante, entendam aquele enorme BTP, um peso danado para o meu franzino corpo. 
Certo dia, um jogo do Botafogo em Piracicaba, contra o XV. Dinheiro curto, lá fomos no carro do Jovino Campos, que era o comentarista da PRA-7, além de gerente dos Correios. Era meu batismo em viagens e ele levava o pessoal da rádio dele e da Rádio Cultura, apertados em seu Ford conversível. O campo do XV (não se poderia dizer, estádio), era aquela coisinha pequena e os repórteres ficavam praticamente encostados no alambrado. Lá, também, do outro lado, a torcida inflamada. Eu dizia “foi impedimento”, e alguém atrás de mim enfiava o guarda-chuva nas minhas costas e urrava, foi não, “viadinho”. E eu tentava ir mais para a frente para fugir dele, lá vinha o bandeirinha a pedir para me afastar; uma tortura, e nunca consegui entender o que fazia um merda daqueles, com um guarda-chuvas, no campo de futebol.
Fim de jogo, jantamos, noite caindo e pegamos o carro de volta, naquele aperto. Eu, no banco de trás, era o cara do meio, espremido, o locutor de um lado, o comentarista de outro. Na frente com o Jovino, outro comentarista. Viagem de volta a Ribeirão, bate o sono. Eu, em meio àquela escuridão da estrada, dei algumas cochiladas. O pessoal, já mais experiente naquelas viagens, tinha tudo combinado. Dormi, eles não. De repente, uma brusca freada e todos gritam AHHHHHHHHHH. Acordei me imaginando embaixo de um caminhão, já morrendo, e quando dei por mim, estavam todos rindo muito, com a minha cara patética, coração a dois mil. Era mais um trote, dos muitos que o Jovino pregava, com seus amigos, naqueles que eram novatos na história.
Nunca mais dormi em viagens, nem de carro, nem de ônibus, nem de avião. Por mais que seja o tempo de viagem, não durmo. Quando a sonolência vem vindo, me lembro dos gritos e da freada. E não tem psicólogo nem psiquiatra que consiga me demover da ideia de não dormir. Não dei sequência à carreira de repórter esportivo, optei por escrever e dirigir e assim foi; o mundo não perdeu lá grande coisa, mas jamais esquecerei das bicadas do guarda-chuvas nas costas nem dos gritos e da freada do carro do Jovino. Esta viagem para Piracicaba e o velho estádio do XV, não me saem da lembrança.

#1 - O palavrão no rádio por Dinamérico Aguiar

Texto: Dinamérico Aguiar
Narração: Mari Aguiar
Edição de áudio e vídeo: Rico Santos

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