Histórias e Memórias por Dinamérico Aguiar

Assine:

Ver todos episódios

#3 - Mais Histórias do Rádio por Dinamérico Aguiar

Já vimos de tudo, inclusive transmissão de procissão, ao vivo, pelo rádio!
#maisquecausos #historiasememorias

Texto: Dinamérico Aguiar
Narração: Mari Aguiar
Edição de áudio e vídeo: Rico Santos

MAIS HISTÓRIAS DE RÁDIO
O irmão Mário Tadeu, uma preciosidade que Bauru cedeu para o mundo do rádio, escreveu dia desses, sobre a minha memória ao relatar algumas proezas do rádio. Por conta da generosidade que ele tem tido para comigo, vamos voltar ao final dos anos oitenta. Paulo Max, o carioca que ficou famoso por ser o apresentador dos concursos de Miss Brasil, quando estes ainda tinham charme, era o diretor geral da Rádio Capital e resolveu fazer uma proposta ao Luiz Aguiar, para que este assumisse o comando da emissora, que ficava ali na Avenida 9 de Julho, em São Paulo. E quem o Aguiar chamou para ser o seu braço direito nessa empreitada? Ninguém menos que o próprio Mário Tadeu, garantia de sucesso.
 Lá estavam, Zé Bettio, José Russo, Darcio Campos, a equipe de jornalismo de Wilson José. E ainda chegaram Nelson Rubens e Leão Lobo. Tudo caminhava bem, até que houve uma irrecusável proposta da Igreja Universal do Reino de Deus, para fazer um programa por lá. As emissoras ainda não tinham aberto espaços para pregações, como hoje, de modo que ficou a dúvida entre brigar pela audiência e faturar. Paulo Max resolveu fazer uma proposta para não ser aceita, um programa de meia noite a uma hora da manhã (horário utilizado para bonificações, não rendia nada); o pastor aceitou. 
Ele buscou socorro no Luiz Aguiar; o que faremos, é muito dinheiro (o que se pagaria representava cerca de 10% de todo o faturamento da rádio). Aguiar propôs um programa sem falar em igreja, pregações nem orações. Seria um novo apresentador na madrugada, só colocando jingles, com endereço da igreja. nos intervalos; o pastor aceitou; meio desesperado, Paulo Max exigiu pagamento adiantado: Eles aceitaram. Não tinha jeito, não é Tadeu? E assim, foi para o ar o “Viva a Vida”, um programa musical, movimentado, alegre, com reportagens bem-feitas, que acabou sendo líder no horário. Convenhamos, o Paulo Roberto, pastor da IURD, era um ótimo apresentador. E assim foi resolvido o problema e faturando muito, o que era mais importante.
Se querem mais, Luiz Aguiar ainda foi protagonista de histórias muito boas, como aquela em que resolveu transmitir, lá pelos idos de 1958, uma procissão, pela Rádio Cultura de Guaíra (a paulista, perto de Barretos). Equipamentos naquela época, nem pensar. E a improvisação levou um caminhão para o meio da procissão, com um gerador ligado e fios ligando o microfone ao estúdio da rádio. Nem queiram imaginar. Luiz ainda anunciou a semana toda a transmissão da importante procissão, de aniversário da cidade, e pediu para que todos colocassem um rádio nas janelas.
 Para não esticar muito, a procissão seguia, o padre rezando e cantando com as senhoras do apostolado da oração e logo atrás, um enorme caminhão soltando uma fumaceira irrespirável, levando um barulhento gerador fazendo aquele insuportável TUTUTUTUTU; seguia-o um monte de gente com velas acesas e aquele rapazinho, microfone na mão, gritando, para se sobressair à barulheira; não bastasse, alguns aparelhos de rádio mais próximos dando microfonia. Foi demais, para a paciência do padre, que parou a procissão e pediu para retirarem o caminhão. Jesus, lá no céu, retirou as duas mãos dos ouvidos e abençoou a iniciativa do jovem radialista. Valeu a intenção.

Megafono