Kilombas

O Kilombas Podcast é uma inspiração do livro “Memórias da Plantação”, de Grada Kilomba. Grada nasceu em Lisboa, Portugal, e é uma teórica negra que reflete sobre memória, raça, gênero e pós-colonialismo em sua obra.  A partir disso, pensamos neste espaço, nosso refúgio, nosso quilombo virtual, feito para que pudéssemos falar dos assuntos do nosso cotidiano, do que nos aflige como mulheres negras, além de oferecer um espaço de fala para convidados que estão dispostos a discutir sobre raça e gênero. Instagram: @kilombaspod / Twitter: @kilombaspodcast

Sociedade e Cultura

Assine:

Episódios

Drops #10 - A Solidão da Mulher Negra

A mulher negra é marcada, historicamente, pelos processos de racismo e machismo, como uma criatura, na maioria das vezes, sem direito ao amor. Desde o período colonial nossa imagem como mulher negra é objetificada e hipersexualizada. Segundo o IBGE, as mulheres negras são as que menos casam, por exemplo. Precisamos analisar esse processo histórico que rejeita a mulher negra como ser humano digno de afetos e nos põe como objetos sexuais. O amor é um sentimento construído quando falamos de autoestima, nós aprendemos a amar de um certo modo e nos acostumamos a dar o afeto que recebemos ou que achamos que somos dignas de receber. Além disso, dentro de todo esse espectro, a solidão da mulher negra não está isolada aos relacionamentos amorosos.
Para conversar sobre isso, convidamos Izabel Accioly, que vocês já ouviram no drops sobre branquitude, Jéssica Silva e Lorrayne Santos. Três mulheres negras pesquisadoras que compartilharam suas vivências com a gente. |
Nos sigam nas redes sociais: @kilombaspod (Instagram) e @kilombaspodcast (Twitter) / Roteiro e Produção: Alice Souza/ Locução: Alice Souza e Letícia Feitosa/ Edição de Áudio: Letícia Feitosa/ Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #09 - O Revisionismo Histórico e as Estátuas Derrubadas

Os protestantes norte-americanos estão tirando do pedestal estátuas dos líderes confederados que defendiam a escravidão na Guerra de Secessão. Na Inglaterra, manifestantes retiraram a estátua do comerciante de escravos Edward Colston e a jogaram em um antigo porto de navios negreiros em Bristol. Várias estátuas do rei Leopoldo II, colonizador da República Democrática do Congo, foram manchadas com tinta vermelha na Bélgica. 

No Brasil, também, há a presença de estátuas de bandeirantes, como Borba Gato, que podem ser vistas pela cidade de São Paulo. E a partir desse debate, no dia 24 de junho, a deputada estadual Erica Malunguinho protocolou um projeto de lei para retirar das ruas monumentos que prestem homenagens aos escravocratas do nosso país. Ela ainda propõe que prédios e locais públicos que tenham nomes em homenagens a escravocratas ou eventos históricos ligados ao exercício da prática escravista sejam renomeados.

Para falar sobre o assunto, conversamos com os professores Silvia Maria dos Santos e Hilário Ferreira. Silvia é doutora em Educação, especialista em Metodologias do Ensino de História e professora de História do ensino médio na rede pública estadual. Hilário é graduado em Ciências Sociais e mestre em História, com experiência das áreas de Sociologia e Antropologia.

Nos sigam nas redes sociais: @kilombaspod (Instagram) e @kilombaspodcast (Twitter) Roteiro e Produção: Alice Souza/ Locução: Alice Souza e Letícia Feitosa/ Edição de Áudio: Letícia Feitosa/ Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #08 - O Que É Abolicionismo Penal?

A população carcerária do Brasil é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com 800 mil pessoas mantidas e espalhadas nas cadeias do país, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No seu passado, o Brasil não tem um histórico muito bom quando cruzamos direitos humanos com prisões. Hoje, a pandemia nos mostra que ainda não sabemos lidar com esse monstro criado pelo punitivismo que é a população carcerária brasileira. A situação fica ainda mais agravada quando muitos presos já morrem normalmente de doenças como pneumonia e tuberculose, além de problemas estruturais e cotidianos nos presídios. 

A ideia de abolicionismo penal se refere tanto a um movimento social quanto a um conjunto de teorias na academia que nega a legitimidade do sistema penal contemporâneo e de formas de castigo usadas hoje pela Justiça criminal para a resolução de conflitos, especialmente as prisões. O próprio nome “abolicionismo”, não por acaso, é emprestado de movimentos pelo fim da escravidão. Conforme a professora Angela Davis, a pressão abolicionista pode e deve se dar no interior de outros movimentos progressistas e de maneira articulada com reivindicações por educação de qualidade, estratégias antirracistas de contratação, sistema de saúde gratuito. O encarceramento em massa se cruza com o capitalismo atrelado à desigualdade social gritante do nosso país e se transforma em um negócio muito lucrativo, visto a expansão de prisões públicas que são privatizadas. 

Para falar sobre o assunto, entramos em contato com a Elizabeth Santos, conhecida como Lilica, graduanda em ciências sociais na Universidade Federal do Ceará e participante do Fórum de Negros e Negras da UFC.

 Nos sigam nas redes sociais: @kilombaspod (Instagram) e @kilombaspodcast (Twitter)

 Roteiro e Produção: Alice Souza/
 Locução: Alice Souza e Letícia Feitosa/
 Edição de Áudio: Letícia Feitosa/
 Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #07 - Raça e Sexualidade em Produções Acadêmicas

Em 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o número de matrículas de estudantes negros nas universidades e faculdades públicas no Brasil ultrapassou o de brancos.  Isso porque, em 2018, esse grupo passou a representar 50,3% dos estudantes do ensino superior da rede pública. Essa foi a primeira vez que isso aconteceu na história do nosso país. Ainda de acordo com essa pesquisa, essa mudança é uma consequência de políticas públicas que permitem o acesso da população preta ao ensino superior.

Apesar de estarem representando mais da metade dos estudantes nas universidades federais, esse grupo ainda permanece sub-representado, já que corresponde a 55,8% da população brasileira. Na rede privada, os brancos seguem sendo maioria. Por isso, é necessário que seja ressaltada a presença destes estudantes nas universidades e o que eles estão produzido.

Então, hoje, a gente vai conversar com o psicólogo Maia Neto e com o arte-educador Rodrigo Lopes para saber mais sobre suas produções acadêmicas. Os dois realizaram trabalhos com o recorte de raça e têm a temática da sexualidade em seus estudos. As duas produções trazem reflexões sobre como a academia tem lidado com esses assuntos, seja na psicologia, com Maia, ou na comunicação, com o Rodrigo. 

Instagram: @kilombaspod / Twitter: @kilombaspodcast 
Roteiro: Alice Souza e Letícia Feitosa 
Produção: Alice Souza 
Edição de áudio e locução: Letícia Feitosa 
Arte da capa: Leíssa Feitosa


Drops #06 - Políticas Públicas para a População LGBTQI+

Essa última semana foi histórica no Ceará, pois o estado foi o primeiro a cumprir, integralmente, a decisão do Supremo Tribunal Federal, o STF, e passou a aceitar doação de sangue da população LGBTQI+. Essa é uma vitória que precisa ser ressaltada, em especial no mês do orgulho LGBT.

Por isso, nesse episódio, vamos falar sobre políticas públicas específicas voltadas para essa população e o que vem sendo feito aqui no Ceará e no Brasil para proteger os cidadãos negros e LGBTQI+. Para isso, convidamos Dediane Souza, jornalista, travesti, preta, que já foi Coordenadora Especial da Diversidade da Prefeitura de Fortaleza e também assessora da Coordenação de Políticas LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania em São Paulo no governo de Fernando Haddad. 

Instagram: @kilombaspod / Twitter: @kilombaspodcast

Roteiro e locução: Alice Souza e Letícia Feitosa
Produção: Alice Souza
Edição de áudio: Letícia Feitosa
Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #05 - Vidas Negras Importam

Djamila Ribeiro, em seu livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, afirma que as mortes de negros estão tão naturalizadas, que as pessoas agem como se fosse algo normal. Mas não é normal. No Brasil, a população negra é a que mais morre por conta da violência policial. A 13ª edição do Anuário da Violência do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou que 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras são negras. O estudo também informa que, aos 21 anos de idade, os jovens negros tem 147% mais chances de serem assassinados do que brancos, amarelos e indígenas. Além disso, 66% de todas as mulheres assassinadas no país são negras, de acordo com o Atlas da Violência de 2019, que é realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No Ceará, não é diferente. Ainda de acordo com o Atlas da Violência, 58,8% dos assassinatos no estado foram de homens, jovens e negros. Além disso tudo, como já falamos no primeiro drops, essa também é a parcela da população que mais morre com o Novo Coronavírus no país. Essa é a realidade atual no Brasil. E por conta disso, é sempre válido lembrar que, sim, vidas negras importam. Algo semelhante acontece nos Estados Unidos. No dia 25 de março, George Floyd, de 46 anos, foi morto asfixiado por um policial. Esse assassinato foi o estopim para uma onda de protestos no país com manifestações em prol do combate ao racismo. Aqui no Brasil, no último domingo, dia 31, Rio e São Paulo organizaram manifestações destacando a importância das vidas negras. Para falar sobre o assunto, entramos em contato com a Zelma Madeira, que é doutora em sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), professora da graduação e do mestrado em Serviço Social da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e, desde 2015, é coordenadora da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial no estado (CEPPIR). Nos sigam nas redes sociais (twitter @kilombaspodcast / instagram @kilombaspod). Roteiro e produção do episódio: Alice Souza e Letícia Feitosa Locução e edição de áudio: Letícia Feitosa Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #04 - O Que É Branquitude?

O termo "branquitude" causa um desconforto em algumas pessoas, na maioria da vezes, brancas, pois se tornou uma palavra vista como algo negativo. Mas o doutor de Ciências Sociais Lourenço Cardoso explica que branquitude significa pertença étnico-racial atribuída ao branco. Podemos entender isso como o lugar mais elevado da hierarquia racial, que traz ao branco um poder de classificar os outros como "não brancos", que, dessa forma, significa ser menos do que ele. Para falar sobre o assunto, conversamos com Izabel Accioly, que é mestra em Antropologia Social e pesquisa sobre branquitude há dois anos. Nos sigam nas redes sociais (twitter @kilombaspodcast / instagram @kilombaspod). Roteiro e produção do episódio: Alice Souza Locução e edição de áudio: Letícia Feitosa Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #03 - Artistas Autônomos e o Isolamento Social

Desde o início do isolamento social, a classe artística brasileira já foi bastante afetada, principalmente a parcela que atua de forma independente. Em um artigo publicado no site Jornalistas Livres, o deputado federal Valmir Assunção e o historiador Marcos Rezende apontaram que 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural em nosso país e 44% dos trabalhadores da cultura se encontram na condição de autônomos. Com o intuito de pensar em ações emergenciais destinadas ao setor cultural durante o isolamento social, o projeto de lei 1075/2020 propõe o valor de R$ 3,6 bilhões destinados a ações emergenciais, para todo o país. Conversamos com os artistas Luis Carlos Shinoda e Emanoel Barão para saber como estão produzindo durante a pandemia de Covid-19. Nos sigam nas redes sociais (twitter @kilombaspodcast / instagram @kilombaspod). Produção do episódio: Alice Souza e Letícia Feitosa Roteiro, locução e edição de áudio: Letícia Feitosa Arte da capa: Leíssa Feitosa

Drops #02 - Racismo Estrutural e a Indústria da Maquiagem

53% da população brasileira é constituída, em sua maior parte, de pretos e pardos, segundo dados do IBGE. Porém, isso não é refletido na indústria de cosméticos e maquiagem, principalmente na indústria nacional. Dentro desse contexto, surge o racismo estrutural, que podemos exemplificar com essa invisibilização de peles negras no mercado de beleza. Precisamos refletir sobre onde colocamos nosso dinheiro e se somos prioridade nessa indústria. Para conversar sobre esse assunto, conversamos com a maquiadora Thainá Silva e você pode encontrá-la no instagram pelo @thaiiiina_ Nos sigam nas redes sociais: twitter @kilombaspodcast e instagram @kilombaspod

Drops #01 - Covid-19 e a População Negra

A BBC divulgou dados que constam que a população negra nos Estados Unidos registou taxas desproporcionalmente altas de infecção e mortalidade pelo novo coronavírus. No Brasil, essa desproporcionalidade também é percebida. Segundo o Ministério da Saúde, os negros são 23,1% dos hospitalizados, mas já chegam a 32,8% entre os mortos por Covid-19. O biólogo Gabriel Aguiar realizou um levantamento por bairros de Fortaleza, município com mais casos do novo coronavírus do Ceará. Na apuração, o bairro com mais números de óbitos por conta da Covid-19 é o Vicente Pinzon. Localizado na periferia da cidade, o bairro, até esse momento, teve 21 mortes e 131 casos confirmados com o novo coronavírus. A desigualdade é perceptiva quando comparado com o bairro de área nobre Meireles, que tem 324 casos e 13 mortes até então. O descaso do poder público junto às periferias cria uma cena de filme de terror em meio a pandemia. De acordo com a companhia de água e esgoto do Ceará, apenas 62,4% da capital conta com cobertura de esgotamento sanitário, além disso, o espaço limitado e a falta de recursos nas periferias dificulta o isolamento social. Para falar sobre o assunto, convidamos a assistente social Adriana Gerônimo e o presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé. Nos sigam nas redes socias: twitter @kilombaspodcast e intagram @kilombaspod
Próxima página

Megafono