Universo Literário

Um minipodcast sobre literatura e cultura em pílulas de 5 minutos sobre a cultura, suas curiosidades e seu impacto em nosso cotidiano.
Baseado na minha coluna semanal da CBN Amazônia 98.5 MHz que vai ao ar todas às segundas e terças-feiras.

Sociedade e Cultura, Literatura e TV e Filmes

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Nelson Mandela e o Apartheid

Nelson Mandela e o Apartheid
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  • Esta semana temos diversas datas importantes relacionadas à cultura, entre elas, o nascimento de Ingmar Bergman, na segunda-feira, dia 14 de julho, os filósofos Walter BENjamin,  Jacques DerriDA e o pintor Rembrandt no dia 15, temos também o pintor francês Degas, o sociólogo e filósofo Marcuse, o guitarrista Brian May do Queen no dia 19 além do aniversário do primeiro pouso na lua, o nascimento de Alexandre, o Grande e do inventor brasileiro Santos Dumont no dia 20.
  • Mas o tema de nossa semana é uma importante figura histórica do século XX. Alguém que lutou a luta política, a luta armada, foi preso como terrorista, quando na verdade lutava pela libertação e igualdade de todo um povo, passou 27 anos na cadeia, foi libertado e ainda levou seu país a uma reconstrução democrática com uma tentativa de inclusão. Vencedor do prêmio NoBEL da paz de 1993. Sim, ouvintes, esta semana, vamos falar de Nelson Mandela, cujo aniversário de nascimento será comemorado nesta semana, no dia 18 de julho.
  • Nelson Rolihlahla Mandela, nasceu no dia 18 de julho de 1918 (há, portanto, 101 anos) na pequena vila de Mvezo, Cabo Oriental, na África do Sul e morreu dia 5 de dezembro de 2013 em Joanesburgo). A trajetória dele nos faz compreender o Apartheid, o terrível regime racista que excluía a imensa maioria da população negra do país.
  • A África do Sul é uma nação multiétnica, com muitas tribos antigas que habitam a região do país, entre elas, os povos San, ou um dos povos que falam uma das 11 línguas oficiais do país, como o Bantu, o Swahili, o Zulu, o Swazi ,o Xhosa, entre outras.
  • No final do século XVIII os britânicos iniciam a conquista da região por sua localização estratégica e pela descoberta de metais preciosos levando os africâneres, descendentes de europeus protestantes de origem alemã, escandinava e, principalmente, holandesa,  cada vez mais para o interior.
  • Em 1910, após vitórias britânicas contra bôeres e zulus é criada a União Sul-Africana, unificando os territórios existentes. O racismo latente fazia com que as relações entre os povos fosse extremamente complexa e cheia de ressentimentos. É desta época o “Natives Land Act” ou “ato de terras nativas” que vigorou por 80 anos que regulava as terras propícias à agricultura. Esta lei dizia que só 8% das terras cultiváveis do país eram disponíveis aos negros, embora 80% da população fosse negra ou miscigenada.
  • É desta época que se forma também o African National Congress, ou o Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela. Em 5 de outubro de 1960 é realizado um referendo em que os eleitores decidem pela separação da África do Sul com a coroa Britânica e a declaração da República da África do Sul. Nos próximos 30 anos o debate sobre o Apartheid seria intenso (no país e ao redor do mundo)
  • O Apartheid era caracterizado por uma combinação de autoritarismo do estado com uma ideologia racial de supremacia branca (o baasskap). As pessoas, seres humanos, foram serradas entre brancas e não-brancas, incluindo os indianos (Gandhi, por exemplo, morou na África do Sul por duas décadas e foi lá que ele iniciou seu ativismo).
  • As leis racistas proibiam casamentos interraciais, estabeleciam onde cada pessoa poderia viver ou trabalhar, criando 10 reservas para as populações não-brancas. Estima-se quem entre 1960 e 1983, 3,5 milhões de pessoas foram deslocadas de forma forçada.
  • A violência física foi outro elemento do Apartheid, com o uso da polícia e do exército contra a população negra que organizou grupos armados para resistência. A violência era tanto interracial quanto ideológica. Um dos grupos armados era a Lança da Nação, fundado por Mandela.  Ele foi preso e condenado à prisão perpétua pelo regime do Apartheid e passou 27 anos preso. Nos anos 1980 o país vivia sanções econômicas e esportivas, além de tensão interna, com um estado de emergência entre 1985 e 1989. 
  • Esse cenário faz com que o presidente de Klerk liberte Mandela que negociou o fim do regime do Apartheid e que juntamente com seu partido organizaram as eleições de 1994, as primeiras democráticas da história da África do Sul em que Mandela foi vitorioso.
  • Ele buscou uma nova constituição e criou uma Comissão de reconciliação em que ele defendia a não-violência e que o momento era a de a criação de uma nova nação multiétnica, baseada no perdão.
  • Mandela, foi portanto, um exemplo de reconstrução de uma sociedade, um político que marcou profundamente seu país e a história do século XX. Seu legado se estende por todo o mundo e por todos aqueles que lutam por uma sociedade mais igualitária, com oportunidades para todos, livre do racismo e mais humana.
  • Há inúmeros livros, filmes e documentários sobre Mandela, dos quais eu indico os livros, O Sorriso de Mandela, de John Carlin (que eu li este ano em espanhol) e Longa Caminhada até a liberdade, sua autobiografia e os filmes Invictus (2009) com Morgan Freeman e Matt Damon e Mandela: Luta pela liberdade (2007).
  • Que a história de Mandela nos inspire a criar uma cultura de paz, de respeito, de liberdade, sem racismo e mais humana.

Dia Mundial do Rock

Dia Mundial do Rock
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  • Nesta semana, temos várias datas importantes para a cultura, entre eles os aniversário de nascimento de Marcel Proust, Carlos Chagas, João Calvino, Carlos Gomes, Pablo Neruda, Júlio César e Thoreau.
  • Mas vamos falar aqui em nossa coluna de uma data que marca algo que foi extremamente importante para a cultura do século XX, o dia mundial do rock, comemorado no dia 13 de julho.
  • Esta data, embora tenha mundial em seu nome, é comemorada somente no Brasil, e remete ao espetáculo Live Aid, organizado dia 13 de julho de 1985(há 34 anos). Este foi um concerto de rock realizado simultaneamente em Londres e na Filadélfia. O objetivo era arrecadar fundos para auxiliar no combate à fome na Etiópia.
  • Entre os participantes, estavam The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.
  • A partir dos anos 1990 esta data passou a ser considerada no Brasil como o dia mundial do Rock.
  • E não há nenhum estilo musical que tenha marcado tão profundamente o século XX e tenha influência tão marcante ainda hoje na cultura quanto o rock and roll.
  • E tudo começou em 1955, há, portanto, 64 anos, quando Bill Halley and His comets lançaram a música “Rock Around the Clock” que chegou ao primeiro lugar nas paradas americanas na segunda semana de julho daquele ano.
  • Inicialmente visando os quadris o rock nascia e inaugurava uma época de mudanças, uma época em que os jovens queriam dançar sem parar. Naquele começo que hoje consideraríamos ingênuo, o rock visava a dança corporal, como o balanço sensual de Elvis Presley e a ginga de Mick Jagger. 
  • Depois veio a dança das cabeças, o rock psicodélico da segunda metade dos anos 1960, uma viagem cerebral sempre amarrada ao ritmo, muito mais do que à melodia ou à harmonia da música.
  • E aquele ritmo era irresistível. Logo após o final da segunda grande guerra, a herança afro-americana, batucada no violão do delta do Mississipi, martelada no piano do boogie woogie, ritmadas com o swing das big bands e com pitadas de rhythm & blues com combos de guitarra, baixo e bateria levariam os baby boomers à uma mudança total de atitudes e pensamentos que levariam as grandes revoluções culturais do século XX (os direitos civis, a revolução sexual, o movimento pacifista, a afirmação das mulheres entre muitos outros) . O rock foi a trilha sonora de todas as posteriores gerações de jovens ao redor do mundo.
  • Dos hippies e psicodélicos dos anos 1960, à cultura disco e glam dos anos 1970, passando pelo hard rock, pelo punk e pelo heavy metal, todas as gerações de jovens tiveram seu som. O Brasil conheceu sua década de ouro roqueira nos anos 1980 com uma explosão de bandas e gravações de rocks que faziam a cabeça dos jovens que lutavam pela abertura política após 20 anos de ditadura militar.
  • Até mesmo os 1990, com a renovação do punk através do grunge e os anos 2000 com as combinações eletrônicas e experimentações do indie rock, o estilo rock and roll seguiu se inventando e reinventando.
  • Sua influência ao redor do mundo é gigantesca e não poderia jamais se esgotar no pequeno espaço que dispomos. Ao ouvinte vale recordar que, de uma maneira ou de outra, o rock and roll, seu ritmo, sua batida, seu compasso de 4 tempos influenciou quase toda a música e cultura popular que vieram depois. E continua influenciando até hoje.
  • São muitos os artistas populares e grandes atores deste estilo, desde os já citados, Elvis Presley e Bill Halley passando por Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, os Beatles, os Rolling Stones, o Led Zeppelin, o Pink Floyd, Jimi Hendrix,  Sex Pistols, The Clash, Iron Maiden, Metallica, Hellowen, Guns and Roses, Nirvana, Pearl Jam, Queen, The Strokes, White Stripes, System of a Dawn, Coldplay enfim, a lista é imensa, interminável e depende do gosto do ouvinte. No Brasil temos desde Raul Seixas aos Secos e Molhados, passando por todo o rock dos anos 1980, Cazuza, Barão Vermelho, RPM, Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso até os mais recentes Skank, Charlie Brown, Raimundos, CPM 22, Detonautas, Pitty, O Rappa entre outros.
  • A dica desta semana é ouvir os sons e as influencias do rock, assistir alguns dos centenas de filmes baseados em rock ou que tenham rock como trilha sonora. O rock and roll will never die, nunca morrerá, como diz, Neil Young. Ele apenas, como o mundo, se transformou!

A arte e a vida de Frida Kahlo

 Frida Kahlo
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  • No dia 6 de julho se comemora o aniversário de uma das pintoras mais celebradas e conhecidas do mundo inteiro.
  • É uma pintora de uma trajetória sofrida, um estilo de vida único uma pessoa politicamente influente pela forma como se posicionou perante a sociedade durante os seus (apenas) 46 anos de vida.
  • Eu estou falando da pintora mexicana, Frida Kahlo.
  • Frida Kahlo, nome artístico de Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu na vila de Coyoacán, no México, no dia 6 de julho de 1907 (há, portanto, 112 anos). Filha de pai alemão e mãe espanhola desde pequena teve uma saúde debilitada. Com seis anos contraiu poliomielite que lhe deixou uma sequela no pé. Com 18 anos, sofreu um grave acidente de ônibus que a deixou um longo período no hospital (fato que mudaria bastante sua vida).
  •  Pessoa muito à frente de seu tempo. Foi uma mulher guerreira, lutadora tanto na vida privada a qual teve que superar grandes traumas, quanto na vida social. Toda sua obra reflete esta realidade, além da pintura, também deixou um diário onde registrou suas alegrias e frustrações como seu conturbado casamento, sua saúde frágil e a impossibilidade de gerar filhos.
  • Hoje quando se fala em México é quase impossível não lembrar de Frida Kahlo. Mas a verdade é que apenas depois de sua morte, em 1954 (ela tinha apenas 47 anos), é que a artista tornou mundialmente famosa com os seus quadros e escritos.
  • Enquanto estava viva, Frida era mais conhecida como “esposa de Diego Rivera”. Hoje, enfim, ela é protagonista de sua própria história e reconhecida como uma das artistas visuais e personagem histórica mais celebrada das últimas décadas.
  • Eu estive ano passado no México e é, realmente, incrível o quanto os mexicanos tem orgulho de sua mais famosa pintora. E ela, sempre refletiu este orgulho. Tinha muita alegria por ser mexicana e pelas suas raízes. Embora tivesse vivido em Nova York, São Francisco e Paris, Frida Kahlo sempre foi muito atraída pelo seu país. 
  • Ela usava sempre, em qualquer ocasião (até no seu casamento!) o traje tradicional mexicano, de longas saias coloridas e blusas huipil da sociedade matriarcal mexicana Tehuantepec.
  • Em 1929, com 22 anos, Frida Kahlo casa-se com o Diego Rivera(segundo a mesma, sua paixão desde 0s 15 anos) e vão morar na “Casa Azul”, onde Frida nasceu. Em 1930, Frida engravida, mas sofre um aborto espontâneo (ela sofreria vários durante sua vida). Nesse mesmo ano, foi com o marido para os Estados Unidos, onde ele realizava exposições. Moraram nas cidades de Detroit, São Francisco e Nova Iorque. Dedica à pintura, realiza um grande número de autorretratos – de inspiração surrealista, apesar de negar dizendo: “Nunca pintei sonhos e sim minha própria realidade”.
  • Apesar de passar por diversas cirurgias e usar um colete de gesso em consequência do acidente, Frida não parava de pintar. Sua obra recebia influência da arte indígena mexicana. Pintava paisagens mortas e cenas imaginárias. Usava cores fortes e vivas, explorando principalmente os autorretratos. Frida Kahlo era também aficionada por fotografia, hábito que herdou de seu pai e do seu avô materno, ambos, fotógrafos profissionais. Ela pintou a si mesma 55 vezes!
  • Frida Kahlo lecionou artes na Escola Nacional de Pintura e Escultura, recém-fundada na cidade do México. Foi uma defensora dos direitos das mulheres, tornando-se um símbolo do feminismo.
  • Deprimida, viveu os últimos anos de sua vida na Casa Azul, no México, que em 1958, passou a abrigar um museu em homenagem à pintora.
  • Frida Kahlo faleceu em Coyoacán, no México, no dia 13 de julho de 1954.
  • Há diversos filmes e documentários sobre Frida Kahlo. Eu recomendo o filme “Frida”de 2002, com Salma Hayek como Frida, al[em de Alfred Molina e Antonio Banderas. Este filme venceu o Oscar de Melhor maquiagem e melhor trilha sonora.

O "pai" do computador - Alan Turing

Alan Turing
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  • Esta semana no dia 27 de junho, comemora-se o aniversário de 111 anos do nascimento de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o mineiro Guimarães Rosa. Sua obra principal é o romance Grande Sertão: veredas, uma obra prima da literatura universal. 
  • Muitas de suas obras foram ambientadas pelo sertão brasileiro, com ênfase nos temas nacionais, marcadas pelo regionalismo e mediadas por uma linguagem inovadora (invenções linguísticas, arcaísmo, palavras populares e neologismos). Sem dúvida um dos grandes da literatura brasileira.
  • Eu não poderia deixar de lembrar do Grande Guimarães Rosa, mas o tema da nossa coluna desta semana é sobre outra pessoa muito importante. E eu começo, antes de falar dele, com uma pergunta: computadores podem pensar? Essa pergunta foi feita por aquele que é considerado o pai do computador, Alan Turing, que Neste domingo, dia 23 de junho comemorou-se seu aniversário de 107 anos de nascimento.
  • Sim, vamos falar de ciência, afinal, a ciência também faz parte da cultura de um povo. 
  • Alan Mathison Turing foi um matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação britânico. Foi influente no desenvolvimento da ciência da computação e na formalização do conceito de algoritmo e computação com a máquina de Turing, desempenhando um papel importante na criação do computador moderno. 
  • Foi também pioneiro na inteligência artificial e na ciência da computação. Turing foi um dos primeiros a pensar na possibilidade de uma maquina se tornar inteligente e criou um modelo teórico para um computador universal, a máquina de Turing que já citei e é a base teórica do computador moderno além de todos os dispositivos computacionais como tablets, smartphones entre outros.
  • Ele foi um dos responsáveis por descobrir o local exato onde as tropas nazistas estariam em 6 de junho de 1944 (descriptografado as mensagens alemãs), que culminou no desembarque de 155 mil soldados aliados na Normandia, fato que entrou para a história como Dia D já citado em uma coluna anterior. Ele fez isso participando do desenvolvimento de um computador eletromecânico, chamado de “Bombe” que conseguia descriptografar as mensagens cifradas pela máquina “Enigma” alemã que eram interceptadas mas eram incompreensíveis. Ajudou, portanto, os aliados a venceram a guerra de forma efetiva e crucial.
  • Seu legado não se limita aí. Hoje ele dá nome a uma lei inglesa, criou o teste usado para testar a qualidade da inteligência artificial e tem contribuições importantes na biologia. Um verdadeiro gênio e polímata moderno!
  • Turing foi um incrível matemático e seus estudos se tornaram base para a tecnologia atual. O matemático foi perseguido, humilhado em público e impedido de acompanhar estudos sobre computadores, por ser homossexual numa época que isso era considerado uma doença e também um crime na Inglaterra. 
  • Para não ser preso, foi obrigado a aceitar um tratamento com hormônios femininos (castração química), o que fez crescer seus seios e o levou a uma terrível depressão (e o ouvinte achando que a cura gay por hormônios é algo que loucos proferem hoje em dia).
  • Depressivo, com crises de ansiedade e angustiado pelo tratamento humilhante recebido, mesmo sendo um herói de guerra, Turing se suicidou por envenenamento de cianeto, comendo uma maçã, semanas antes de seu aniversário de 42 anos.
  • Infelizmente o mundo perdeu um de seus maiores gênios do século XX, cujos estudos alteraram (e ainda alteram) a maneira como o mundo se desenvolve. 
  • Em 10 de setembro de 2009, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra.Em 24 de dezembro de 2013, Alan Turing recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II, da absurda condenação por homossexualidade. Se não fosse pelo preconceito tosco e atroz teríamos o gênio científico de Turing por muitos e muito anos a mais e ele teria contribuído bastante para a humanidade. 
  • Sua história pode ser conhecida em diversos livros como “O homem que sabia demais” de David Leavitt, “a morte e a vida de Alan Turing” de David Lagercrantz e no filme de 2014, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado, “O jogo da Imitação “ com Keira Knightley e Benedict Cumberbatch no papel de Alan Turing.

O coração tem razões que a própria razão desconhece - Blaise Pascal

Blaise Pascal
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  • "O coração tem razões que a própria razão desconhece".
  • Certamente o ouvinte já ouviu esta frase anteriormente.
  • Agora, você sabe quem a disse essa frase pela primeira vez?
  • Bom, este prolóquio, que mostra a opsição do seu autor ao racionalismo puro, é atribuído a Blaise Pascal, filósofo, físico, inventor, teólogo, e matemático francês.
  • Blaise Pascal nasceu no dia 19 de junho de 1623, portanto, 396 anos atrás, na pequena cidade de Clermont-Ferrand e faleceu dia 19 de agosto de 1662, com apenas 39 anos em Paris. Pascal sempre foi um prodígio e é considerado um gênio pelas suas contribuições à física, à matemática e à filosofia.
  • Era filho de Etienne Pascal, também Matemático  e de Antoinette Begon. Perdeu a sua mãe com três anos de idade e foi, portanto, educado pelo pai.
  • Os primeiros trabalhos de Pascal dizem respeito às ciências naturais e ciências aplicadas. Contribuiu significativamente para o estudo dos fluidos. Ele esclareceu os conceitos de pressão e vazio, estendendo o trabalho de Torricelli. Pascal escreveu textos importantes sobre o método científico.
  • Aos 19 anos ele inventou a primeira máquina de calcular. Chamado de máquina de aritmética, depois roda de pascalina e finalmente pascalina, ele construiu cerca de vinte cópias na década seguinte. 
  • Matemático de primeira linha, ele criou dois novos campos de pesquisa: primeiro, publicou um tratado de geometria projetiva aos dezesseis anos; então, em 1654, ele desenvolveu um método de resolver o "problema dos partidos", que, dando origem, no decorrer do século XVIII, ao cálculo das probabilidades, que influenciou fortemente as teorias econômicas modernas e as ciências sociais, além, claro de toda a ciência moderna.
  • Pascal publicou muito em vida, De suas obras destacam-se: Ensaio sobre secções cônicas (matemática), Pensamentos (filosofia) eTratado sobre o equilíbrio dos líquidos (física).
  • Pascal era crítico do racionalismo, vertente filosófica baseada na razão, em sua obra intitulada “Pensamentos” Pascal apresenta suas principais indagações acerca da existência de um Deus baseado no racionalismo.
  • Para Pascal, a razão não é suficiente a si mesma, ela tem limites, e Pascal reconhece esses limites. Estabelece que a ética, a vida social e a religião é que definem o mundo humano real e esse mundo real em grande parte foge das possibilidades da razão.
  • O ouvinte de mais memória, ou aqueles que estão estudando para o ENEM, certamente já ouviram o nome do filósofo e matemático, relacionados ao Triângulo de Pascal, na matemática e o princípio de Pascal, na Física.
  • Gostaria de fechar a coluna desta semana com uma frase fortíssima e verdadeira de Pascal, que diz: “Ninguém é tão sábio que não tenha algo pra aprender e nem tão tolo que não tenha algo pra ensinar."
  • Aprenda algo com alguém. Retribua ensinando algo a alguém. Uma boa semana para todos!

As muitas faces de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa
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  • Nesta semana, caros ouvintes, temos uma semana com dias repletos de comemorações importantes para a literatura e a cultura brasileira e mundiais.
  • Dia 09 - lembramos o Falecimento de Charles Dickens (1870), grande escritor inglês.
  • Dia 10 de junho - Nascimento do músico João Gilberto (1931) e de Laerte, cartunista (1951) além  da morte de Luís de Camões (1580) e Ray Charles, pianista e músico norte-americano (2004)
  • Dia 12 de junho, dia dos namorados, foi o dia do nascimento de Anne Frank (1929), famosa por seu diário escrito durante o cativeiro em um gueto na Segunda Guerra Mundial; 
  • Já no Dia 13 de junho foi o nascimento do grande poeta Fernando Pessoa (1888) e de W.B. Yeats, poeta irlandês (1865).
  • Dia 14 de Junho, temos o falecimento do grande escritor argentino Jorge Luis Borges (1986); 
  • Já no dia 15 de junho é aniversário do nosso estado, dia em que foi assinada a lei 4 070, de autoria do então deputado Guiomard Santos que transformava o Acre em estado.
  • E, finalmente, no dia 16, temos o nascimento de Ariano Suassuna (1927).
  • Portanto, caros ouvintes uma semana cheia de datas importantes relacionadas à cultura. Mas, eu quero falar, como tema deste nosso espaço, sobre o nascimento do poeta português, Fernando Pessoa, em minha opinião, um dos maiores poetas da língua de Camões (que se comemora a morte nesta semana, dia 10, como já dito anteriormente)
  • Fernando Antonio Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa, dia 13 de junho de 1888 (há, portanto, 131 anos!) e faleceu na mesma Lisboa, dia 30 de novembro de 1935. Ele foi poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, inventor, empresário, astrólogo, crítico literário e comentarista politico. Ele é um dos mais importantes escritores portugueses do modernismo e poetas de língua portuguesa.
  • Eu sou suspeitíssimo para falar de Pessoa, pois, para mim, caros ouvintes, ele é meu poeta preferido. 
  • Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma.
  • Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto[6] e Almada Negreiros) para o inglês.
  • Destacou-se na poesia, com a criação de seus heterônimos sendo considerado uma figura multifacetada, quase como outra pessoa, com características diferentes. Algumas  dessas diversas personalidades são  Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro (meu preferido) –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros.
  • Fernando Pessoa é dono de uma vasta obra, ainda que tenha publicado somente 4 obras em vida. Escreveu poesia e prosa em português, inglês e francês, além de ter trabalhado com traduções e críticas.
  • Sua poesia é repleta de lirismo e subjetividade, voltada para a metalinguagem. Os temas explorados pelo poeta são dos mais variados, embora tenha escrito muito sobre sua terra natal, Portugal.
  • Pessoa é muito conhecido na cultura popular tendo suas obras certamente já tendo sido ouvidas ou lidas por alguns dos leitores. Minha dica é conhecer ainda mais o poeta, nestes tempos em que a Poesia anda muito esquecida. Neste mundo sem poesia, ao ler os versos de grandes poetas, como Pessoa, percebe-se ainda mais a falta que a poesia tem feito ao mundo.
  • Aos ouvintes, deixo o seguinte trecho, início do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos:

 “Não sou nada.
 Nunca serei nada.
 Não posso querer ser nada.
 À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

O "Dia D" na cultura

O dia D na cultura
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  • Esta semana dentre todos os muitos dias importantes para a literatura e a cultura em geral, é uma data histórica nos chama atenção.
  • Sim, uma data histórica, pois a História de um povo, de uma nação, da humanidade também faz parte da nossa cultura.
  • A data em questão é o aniversário de 75 anos da maior batalha aerotransportada da história, o chamado dia-D, que aconteceu durante a segunda guerra mundial, numa terça-feira, 06 de junho de 1944.
  • O impacto que esta data teve na história da humanidade é amplo e gigantesco. Alterou, junto com a batalha de Stalingrado, na então União Soviética, o curso da segunda grande guerra pois Estavam sob o poder dos alemães e seus aliados do Eixo, a Polônia, a Áustria, a Dinamarca, a Suécia, a França, a Bélgica, os Países Baixos, Luxemburgo, além de países que aderiram ao Eixo, como Hungria, a Eslováquia e a Romênia. Ou seja, quase todos os países da Europa Ocidental estavam sob o poder da Alemanha nazista e os países do Eixo. Hitler havia invadido a União Soviética e estava em território russo, em outra das maiores batalhas da guerra, em Stalingrado.
  • A virada Aliada se inicia exatamente com a vitória dos russos em Stalingrado e, claro, com a invasão da Normandia no dia-D, que nesta semana completa 75 anos.
  • A Operação Overlord foi o codinome para a Batalha da Normandia, operação que teve início em 6 de junho de 1944, com os desembarques na costa normanda francesa(Operação Netuno, vulgarmente conhecido como Dia-D). 
  • Além dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, doze países Aliados enviaram unidades que participaram da invasão, dentre eles Austrália, Canadá, Bélgica, França, Grécia, Nova Zelândia e Noruega.
  • Os Aliados contaram com uma esquadra de 5.000 navios, que transportavam tanto homens quanto veículos, e 5.000 embarações de desembarque. Por ar, 11.000 aeronaves foram utilizadas, tanto para bombardeios quanto para transportar paraquedistas. Ao fim daquele dia 6 de junho, mais de 9.000 soldados aliados estavam mortos ou feridos, mas outros 100.000 haviam tomado a região costeira. Em apenas 5 dias, os soldados em território francês já eram mais de 320.000.
  • Os números são proporcionais à magnitude da operação: cerca de 425.000 soldados aliados e alemães foram mortos, feridos ou desapareceram durante a batalha. Cerca de 200.000 homens foram capturados e feitos prisioneiros pelos Aliados, que abasteceram os campos de prisioneiros a uma taxa de 30.000 homens por mês do Dia D até o Natal de 1944. Estima-se que entre 15.000 e 20.000 civis franceses tenham sido mortos durante a Batalha. Em julho de 1944, cerca de um milhão de soldados aliados, principalmente estadunidenses, britânicos e canadenses, estavam entrincheirados na Normandia.
  • Um evento tão marcante, claro, não poderia deixar de ser tema de livros, filmes, jogos, séries e sua influência na cultura popular é sentida até os dias atuais.
  • Vou deixar algumas indicações de filmes, livros e séries e um recado importante ao final.
  • Alguns grandes filmes foram feitos tendo o dia-D como tema e a segunda guerra como pano de fundo, entre os quais, destaco, “O resgate do soldado Ryan” de 1998, “O mais longo dos dias”de 1962 e Agonia e Glória (The Big Red One, 1980), filmes que fazem referencia à invasão em si, e “O grande ditador”, obra-prima de Chaplin de 1940, “A vida é bela” de 1999, “O pianista”de 2002, “A lista de Schindler” de 1993, “Casablanca”de 1942 e “A queda: as últimas horas de Hitler” de 2004 (entre muitos outros)
  • Entre os livros eu destaco “O dia D, a batalha que salvou a Europa” e “A batalha das Ardenhas” ambos de Antony Beevor, “Memórias da Segunda Guerra Mundial de Churchill” escritas pelo próprio. Dia D: Amanhecer de Heróis, de Nigel Cawthorne. As espiãs do Dia D, de Ken Follett e os livros O Dia D e “Band of Brothers”: companhia de heróis de Stephen E. Ambrose.
  • Entre as séries eu destaco duas: The Pacific e Band of Brothers baseada no livro homônimo. Duas excelentes séries sobre o conflito. Eu assisti e recomendo ambas. O conflito da segunda guerra matou mais de 20 milhões de pessoas. É algo para nunca se esquecer!
  • Portanto, a dica para esta semana é acompanhar as celebrações do dia D pelo mundo curtindo filmes, séries ou livros sobre a segunda grande guerra. Um dos objetivos da história e entender os grandes erros do passado para não mais cometê-los. Conhecer nossa história também é cultura.

Chico Buarque é do Brasil!

Chico Buarque é do Brasil
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  • Nas duas últimas semanas, caros e caras ouvintes, falamos sobre dois grandes escritores estrangeiros, um de língua inglesa, Conan Doyle e outro de língua alemã, Franz Kafka. Hoje, eu gostaria de falar de um escritor, compositor, músico, poeta e dramaturgo que fala nossa língua, mas especificamente, que fala o Português falado no Brasil.
  • Aproveitando que dia 21 de maio, semana passada, saiu o ganhador da 31a. edição do Prêmio Camões, o maior e mais importante prêmio da Língua Portuguesa vencido de forma unânime pelo brasileiro, Chico Buarque, pelo conjunto da sua imensa obra.
  • Falar sobre a importância e o tamanho cultural de um gênio como Chico Buarque é até complicado nos poucos minutos que dispomos, dada a sua relevância, a sua influência e sua força na cultura popular brasileira.
  • Francisco Buarque de Holanda, nasceu dia 19 de junho de 1944, tem, portanto, 74 anos no Rio de Janeiro, à época ainda a capital federal do Brasil. É filho de Sérgio Buarque de Hollanda (1902–1982), um importante historiador e jornalista brasileiro, e de Maria Amélia Cesário Alvim (1910–2010), pintora e pianista.
  • Casou-se com Marieta Severo no ano de 1966, com quem teve três filhas: Sílvia Buarque, Luísa Buarque e Helena Buarque. O cantor tem, também, cinco netos. Foi casado com a atriz até o ano de 1999. De uma família de intelectuais, como Cristóvão Buarque de Holanda, Cesário Alvim, sempre esteve imerso nesta atmosfera de intelectualidade e cultura em sua casa.
  • Falar da importância e da magnitude de Chico Buarque é exercitar o óbvio, portanto vou fazer apenas alguns apontamentos para a extensa, inacabada e prolífica carreira do músico, dramaturgo, compositor, poeta e escritor.
  • Chico escreveu seu primeiro conto aos 18 anos, ganhando destaque como cantor a partir de 1966, quando lançou seu primeiro álbum, Chico Buarque de Hollanda, e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a música A Banda.
  • Autoexilou-se na Itália em 1969, devido à crescente repressão do regime militar do Brasil nos "anos de chumbo", tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país.
  • Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre eles discos-solo, em parceria com outros músicos e compactos. No universo da música fez parceria com compositores e interpretes de grande destaque entre eles, Vinícios de Morais, Tom Jobim, Toquinho, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Edu Lobo, Francis Hime, Elis Regina, Paulo Vanzolini, Nara Leão, Gal Costa, Elba Ramalho  entre muitos outros nacionais e internacionais.
  • Como músico e compositor, Chico tem grandes e imortais obras como Cálice, Apesar de Você, Geni e o Zeppelin, O que será, Construção, Cotidiano, Mulheres de Atenas, Yolanda, Carolina, Sei Lá, Paratodos entre muitas outras. O destaque vai para o eu-lírico feminino, retratando temas a partir do ponto de vista das mulheres com incrível poesia e beleza. Além de letras com alto teor social e político, sem deixar de lado o lirismo e a poesia de influencia de Noel Rosa, Vinícius de Morais e outros modernistas e clássicos.
  • A Obra Teatral de Chico é também fortemente inspirada por temas sociais e cotidianos. O destaque vai para Roda Viva, Calabar, Gota d’água e Opera do Malandro. Como Dramaturgo Chico leva seu lirismo aos palcos com inteligência e força criativa.
  • E como escritor além de um conto escrito com 18 anos o autor tem os livros, Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009) e O Irmão Alemão (2014). Das quais destaco: Budapeste e Leite Derramado. Os livros de Chico são Narrados com uma poesia muito refinada e com detalhes impressionantes (Chico se tornou um mestre na descrição detalhada das coisas, a própria descrição tem cheiro, textura, cor etc.). São livros densos e muito interessantes. Uma obra sólida e, de fato, uma das melhores do brasil e de Língua Portuguesa dos últimos anos.
  • Chico é, portanto, um gênio e o prêmio Camões se junta a outros 10 prêmios nacionais e internacionais, como o Festival da Música Popular Brasileira, Festival Internacional da Canção, Troféu Imprensa, Prêmio Jabuti, Grammy Latino, Prêmio Casa de las Américas, Troféu APCA, Ordem do Mérito Cultural, Prêmio Bravo! Prime de Cultura e o Prêmio da Música Brasileira.
  • Chico Buarque deve ser estudado, ouvido, lido, assistido por todos. São raros os países do mundo que tem o privilégio de ter alguém da envergadura cultural, intelectual, musical e literária de um Chico Buarque. Somos, nós, brasileiros, os privilegiados. Parabéns ao Chico. Parabéns ao Brasil.

Arthur Conan Doyle - O escocês que popularizou o gênero policial

  • Nesta semana, caros ouvintes estamos repletos de acontecimentos literários e culturais importantes, entre eles: a semana da enfermagem, o nascimento, dia 20 de maio de 1799 de um dos grandes escritores franceses, Honoré de Balzac (falaremos sobre ele em futuras colunas, certamente) e neste mesmo dia 20, mas 348 antes, no ano de 1451, a morte de Cristóvão Colombo
  • Ainda nesta semana, no dia 21 temos O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento estabelecido pela UNESCO para promoção de questões de diversidade.
  • No dia 24 de maio, temos o nascimento do Prêmio Nobel, Bob Dylan (sobre quem também falaremos também em futuras oportunidades)
  • E finalmente, no dia 22 de maio nós lembramos 3 eventos importantíssimos para a cultura: a morte, em 1885, do grande escritor francês Victor Hugo, autor, entre outros trabalhos, do romance “Os miseráveis” e do romance que popularizou a recém incendiada Notre Dame chamado “Notre Dame de Paris” na versão original e “O corcunda de Notre Dame” nas versões americanizadas.
  • Além do nascimento de dois outros grandes gênios culturais: o compositor Richard Wagner (1813), lembrado por suas óperas e teatro com componentes nacionais alemães, famoso, entre outras obras, por “O anel dos nibelungos” e trechos como “Cavalgada das Valquírias”, além de uma das duas músicas mais famosas em casamentos, O coro nupcial que está na parte do ato III da ópera Lohengrin do autor. É uma marcha nupcial tocada em na entrada de diversas cerimônias de casamento ocidentais (popularmente conhecido no Brasil como o “lá vem a noiva”).
  • Mas, dentre tantos acontecimentos eu gostaria de falar essa semana para os ouvintes sobre um em particular: o aniversário de 159 anos do nascimento de sir Arthur Ignatius Conan Doyle, ou, como ele ficou conhecido, Conan Doyle, escritor e médico britânico.
  • Bom, até quem não é muito ligado à literatura certamente já ouviu falar sobre o detetive Sherlock Holmes e seu ajudante Watson (seja por filmes, ou por sua imensa ligação com a cultura popular). A popularidade deste detetive ficcional é tanta que há, em muitos lugares, pessoas que acreditam que o personagem é real e não fruto da incrível imaginação do escritor britânico.
  • Conan Doyle nasceu em Edimburgo, Escócia, no dia 22 de maio de 1859. Estudou no Colégio Stonyhurst, onde concluiu o colegial em 1875.  No ano seguinte ingressou na Universidade de Edimburgo concluindo o curso de Medicina em 1881. Entre 1882 e 1890 exerceu a profissão em Southsea, Inglaterra.
  • Ainda estudante, Conan começou a escrever pequenas histórias. Em 1887 publicou na revista de bolso Beeton’s Christmas Annual, a história “Study in Scarlat” (Um Estudo em Vermelho), que se converteria no primeiro dos 60 outros contos em que introduziu ao público aqueles que se tornariam os mais conhecidos personagens de histórias de detetive da lite­ratura universal: Sherlock Holmes e doutor Watson.
  • Com eles, Conan Doyle imortalizou o método de dedução utilizado nas investigações e o ambiente da Inglaterra vitoriana. Segui­ram-se outros três romances com os personagens, além de inúmeras histórias, publicadas nas revistas Strand, Collier’s e Liberty e posteriormente reunidas em muitos livros.
  • O autor escreveu também obras religiosas, de cunho espiritualista (Após a morte de seu filho mais velho nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial), escritas a partir de 1916, como A Nova Revelação (1918) e A Mensagem Vital, (1919).
  • Outros trabalhos de Conan Doyle foram freqüen­te­mente obscurecidos por sua criação mais famosa, e, em dezembro de 1893, ele matou Holmes (junto com o vilão professor Moriarty), tendo a Áus­tria como cenário no conto “O problema final” (Memórias de Sherlock Holmes). Holmes ressuscitou no romance O cão dos Bas­kerville, publicado entre 1902 e 1903, e no conto “A casa vazia” (A ciclista solitária), de 1903, quando Conan Doyle su­cumbiu à pressão do público e revelou que o detetive conseguira burlar a morte. 
  • Conan Doyle foi nomeado cavaleiro em 1902 pelo apoio à polí­tica britânica na guerra da África do Sul, recebendo o título de Sir. Faleceu em Crowborough, Inglaterra, no dia 7 de julho de 1930.
  • A dica, portanto é se divertir sozinho ou em família lendo, assistindo ou comentando as mais de 60 obras do escritor Conan Doyle, principalmente as deliciosas histórias do detetive Sherlock Holmes.

Kafta e Kafka são maravilhosos

KAFTA e KAFKA são maravilhosos
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  • Aproveitando a declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que cometeu uma gafe gramatical durante audiência na Comissão de Educação do Senado na terça-feira passada (7) e confundiu kafta, o tradicional (e delicioso) espeto árabe de carne com o escritor tcheco Franz Kafka e gerou polêmica, vamos falar um pouco sobre este que foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pela crítica (e por seus milhões de leitores), como um dos escritores mais influentes do século XX.
  • František Kafka (franTICHEk Kafka), ou Franz Kafka, nasceu em 3 de julho de 1883 (há 136 anos, portanto), na belíssima cidade de Praga, na Boêmia, à época, parte do Império Austro-Húngaro e hoje capital da República Tcheca e faleceu na cidade de Klosterneuburg (klosternóibug), República Austríaca, atual Áustria em 3 de junho de 1924 com apenas 40 anos!
  • Ele é tão influente que mesmo quem nunca leu (ou conhecia) Kafka já ouviu o adjetivo “kafkiano”, palavra que resume cenas surreais que surgem na nossa vida, ou a perplexidade diante do bizarro, geralmente causado por algo medíocre travestido de poder. 
  • A expressão kafkiano, remete também a algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações que estão em suas magníficas obras. Infelizmente, ele não publicou muitos livros, mas alguns dos principais são “O Processo”, “O Castelo” e “A metamorfose”.
  • De família judaica de classe média, o autor tinha fluência em alemão e tcheco, mas ele considerava o alemão como a sua língua materna. Durante a infância viveu de modo solitário, por conta da dedicação de seus pais ao negócio da família, um comércio de artigos e roupas de fantasia.
  • Formou-se em direito e, depois de completar sua educação, conseguiu um emprego em uma companhia de seguros. Começou a escrever contos no seu tempo livre. Kafka preferia comunicar-se através de cartas; escreveu centenas de cartas para sua família e amigas próximas, incluindo seu pai, sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka. Tinha uma relação complicada e turbulenta com seu pai, o que teve uma grande influência sobre sua escrita.
  • E seu estilo de escrever é o que mais fascinou a todos os que vieram depois dele. Ele conseguia, de forma brilhante, descrever situações absurdas como se narrasse algo trivial. Assim acontece na abertura do seu livro mais conhecido, die verwandlung (dÍ FARVANlung), “A metamorfose” que começa assim: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.” Dois parágrafos depois, a metamorfose grotesca já não era a angústia principal, o protagonista se preocupava mais com o atraso no trabalho do que com a nova aparência.
  • O estilo de Kafka é dessa frieza chocante. A narração burocrática do insólito acaba tornado o impossível, provável. Na tradução para o português usou-se a palavra “inseto” para descrever a transformação, mas, no original, em Alemão, não se sabe exatamente em que Gregor Samsa se transforma. Mas o bicho em que ele se transforma é, na verdade, uma visão interior de si mesmo. A metamorfose seria uma metáfora de uma humilhação de um personagem submisso, um homem que aceitou passivamente virar do avesso e se transformar em alguém que ele não queria ser. 
  • O personagem principal é um caixeiro viajante que vendeu a si mesmo, trabalhou à exaustão para sustentar uma família que tinha meios de sobreviver. O personagem não tem ninguém a culpar, a não ser ele próprio, pela vida vazia, sem sentido.
  • A metamorfose foi publicado em 1915 e foi escrito em novembro de 1912. A angústia do personagem principal é sentida por todo o texto fazendo desta obra uma das obras-primas da literatura universal. 
  • O livro é curto, cerca de 100 páginas e pode ser rapidamente lido. Já foi recriada, referenciada ou parodiada em diversos meios na cultura popular. Há cerca de 10 filmes baseados no livro, centenas de peças de teatro (inclusive no Brasil), músicas já foram compostas e programas de rádio já foram feitos baseados na influente obra. A lição que fica ao final do livro é “aceite as mudanças”, “as aparências não importam”e “faça aquilo que você ama”. Uma metáfora maravilhosa sobre a vida dele mesmo e que funciona universalmente, como toda grande Obra.
  • Enfim, essa semana a recomendação da coluna é conhecer Kafka e começar lendo a obra “A metamorfose”, obra incrível e acessível, pois está em domínio público e você pode encontrar facilmente na Internet. Conhecendo Kafka nós nunca mais NOS CONFUNDIREMOS com kafta. Ambos são saborosos e valem muito a pena!
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