Universo Literário

Um minipodcast sobre literatura e cultura em pílulas de 5 minutos sobre a cultura, suas curiosidades e seu impacto em nosso cotidiano.
Baseado na minha coluna semanal da CBN Amazônia 98.5 MHz que vai ao ar todas às segundas e terças-feiras.

Sociedade e Cultura, Literatura e TV e Filmes

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Clarice Lispector, a hora da grande estrela brasileira da literatura

Clarice Lispector
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  • Dia 8 de dezembro: assassinato de John Lennon, nascimentos do pintor Diego Rivera, da poetisa Florbela Espanca e de Jim Morrison. Dia 10 é o aniversário de Ada Lovelace. Dia 11, Carlos Gardel e Noel Rosa. Dia 12, Flaubert, Frank Sinatra e Silvio Santos e, finalmente, Dia 13: Luís Gonzaga e Adélia Prado.
  • Mas a grande homenageada nesta semana é uma mulher que também faz aniversário esta semana (inclusive aniversário de nascimento e de morte). Uma escritora que nasceu na Ucrânia, mas que tem valores e raízes totalmente fincadas no Brasil. Vamos falar sobre Clarice Lispector.
  • Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasovna Lispector, nasceu dia 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, na Ucrânia e faleceu dia 9 de dezembro de 1977 aos 56 anos. Clarice, como passou a se chamar quando imigrou para o Brasil, é autora de romances, contos e ensaios e é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX.
  • É filha de Pinkouss e de Mania Lispector. O casal já tinha duas outras meninas: Leia, de 9 anos, e Tania, de 5. O nascimento ocorre durante viagem de emigração da família em direção à América – os pais, judeus fugiam do antissemitismo daquela região européia.
  • A família passou um breve período em Maceió, mas consolidou-se mesmo em Recife onde Clarice cresceu e onde, aos oito anos, perdeu a mãe (ela mesma sempre se declarou pernambucana). Aos quatorze anos de idade transferiu-se com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, local em que a família se estabilizou e onde o seu pai viria a falecer, em 1940. 
  • Desde pequena, Clarice estudou várias línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era boa aluna na escola e gostava de escrever poemas. Sempre foi muito ligada à literatura tendo lido obras de gigantes como Herman Hesse, Julien Green e Dostoiévski além de Eça de Queirós, Machado de Assis José de Alencar, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.
  • Em 1939, com 19 anos, ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente à sua grande paixão: a literatura, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da Literatura brasileira e do Modernismo, sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.
  • Após a morte de seu pai, em 1940, Clarice começa sua carreira de jornalista. Nos anos seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã e no Diário da Noite.
  • Em 1943, casa-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. Seu primogênito, Pedro, foi diagnosticado com esquizofrenia. Seu segundo filho, Paulo, foi afilhado do escritor Érico Veríssimo.
  • Devido à profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países do mundo, desde Itália, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. O relacionamento durou até 1959, e quando resolveram se separar, Clarice retornou ao Rio com seus filhos.
  • Suas principais obras marcam cada período de sua carreira. Perto do Coração Selvagem foi seu livro de estreia, publicado quando Clarice tinha 24 anos de idade; Laços de Família, A Paixão segundo G.H., A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida são seus últimos livros publicados. 
  • Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, reputando-se como uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano. Eu recomendo todos os livros de Clarice, pois todos são acessíveis e trazem um pouco da escritora, com destaque, claro, para Perto do Coração Selvagem(1943),  A Hora da Estrela (1977), Laços de Família (1960), A paixão segundo G. H. (1964) e A descoberta do mundo (1984).

Walt Disney, o fundador da maior empresa de entretenimento do mundo.

Walt Disney
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  • Esta semana nossa coluna homenageia o homem que foi responsável pela invenção de gêneros cinematográficos, criou personagens ícones da cultura mundial além de ser o cofundador da maior empresa de entretenimento do mundo. Esta semana a coluna faz uma homenagem ao norte-americano, Walt Disney.
  • Walter Elias Disney, conhecido e popularizado como Walt Disney, nasceu dia 5 de dezembro de 1901, há 118 anos, na cidade de Chicago e foi um animador, cineasta, diretor, roteirista, dublador, empreendedor e produtor cinematográfico.
  • Tornou-se mundialmente conhecido por ser o pioneiro do ramo da animação tendo produzido o primeiro longa-metragem de animação Branca de Neve e os Sete Anões (1937) além de ser o criador de personagens icônicos como Mickey e Pato Donald.
  • Walt Disney é filho do empreiteiro Elias Disney e da professora Flora Call Disney. Com 7 anos já revelava talento para o desenho. Com 14 anos ingressou no Kansas City Art Institute. Com 16 anos, entrou para a Cruz Vermelha, onde foi motorista de ambulância. Com 18 anos retornou para Kansas City e iniciou sua carreira de cartunista de propaganda e depois passou a produzir filmes publicitários.
  • Por volta de 1923, deixou Kansas City e partiu para Hollywood, levando um filme feito com a técnica de desenho animado e atores reais. Junto com o irmão montou uma produtora e ofereceu seus filmes à distribuidora M. J. Winkler. Produziu "Alice" e em seguida "O Coelho Oswald”. Esta empresa é a gênese da atual maior empresa de entretenimento do mundo, a Walt Disney Company.
  • Em 1925, casou-se com Lillian Bounds, uma de suas primeiras funcionárias. Em 1927 criou o camundongo, que foi batizado por sua esposa, com o nome de "Mickey Mouse", que se tornaria um dos maiores sucessos de sua produtora. Em 1928, lançou Steamboat Willie, o primeiro desenho com som da história. Nos anos seguintes, para contracenar com o Mickey Mouse, Walt Disney criou as personagens "Pato Donald", o "Pateta" e o "Pluto”. Em 1932, recebeu seu primeiro Oscar, com o filme "Flowers and Trees”. 
  • Walt Disney já havia criado curtas-metragens e animações, mas em 1935 divulgou sua ideia revolucionária de criar uma nova forma de arte. No início foi considerado louco, pois Hollywood não acreditava que adultos pagariam para assistir à uma animação. Ignorando as críticas e com o apoio de seu irmão Roy, hipotecou vários bens e pegou empréstimo bancário para realizar seu sonho. Foram investidos mais de um milhão de dólares para a criação do longa-metragem, em plena Grande Depressão americana. A ousadia do visionário, Walt Disney mudou a história do cinema mundial, elevando a animação à categoria de arte. Com o lucro do filme, Disney construiu um estúdio, dando sequência a outras produções e iniciando um império de entretenimento, que além de produzir dezenas de filmes e animações expandiu-se num conglomerado que inclui parques temáticos, brinquedos, jogos e livros com centenas de personagens. Outros longas vieram na sequência, entre eles, "Pinóquio", "Fantasia”, “Bambi" e Cinderela. 
  • Após deixar de atuar exclusivamente com animações, a Disney expandiu seus negócios para o teatro, parques temáticos, música, rádio e mídia online. Hoje, a The Walt Disney Company opera redes de televisão pagas e tem como subsidiárias empresas como Lucasfilm, Marvel Entertainment, Pixar, ABC e Fox. De acordo com a Walt Disney, seu principal objetivo é "tornar as pessoas felizes". 
  • Disney e sua equipe sempre diziam, à época do lançamento revolucionário de Branca de Neve que sabia que todas as pessoas foram crianças um dia. Hoje, sua empresa, além de povoar o imaginário do mundo inteiro, tem um valor de mercado de cerca de 155 bilhões de dólares, com ativos de 96 bilhões e faturando cerca de 55 bilhões de dólares por ano. 
  • Há dezenas de biografias e filmes sobre Disney e seu legado cultural impressionante. Eu recomendo os filmes Walt antes do Disney, de 2015 que conta a saga e os obstáculos enfrentados na criação de suas obras e o livro Walt Disney. O Triunfo da Imaginação Americana de Neal Gabler, um petardo de quase 800 páginas sobre a vida de Walt Disney.
  • Walt Disney é a pessoa que venceu o maior número de Óscars na história, sendo 22 prêmios e 59 indicações. Disney faleceu dia 15 de dezembro de 1966 de câncer de pulmão em Burbank, Califórnia. Seu corpo foi cremado e suas cinzas estão no Forest Lawn Memorial Park, Glendale. Morreu antes da inauguração de um de seus últimos sonhos, o parque Walt Disney World, na Flórida, que foi inaugurado em 1971.

Eça de Queirós e Mark Twain, dois expoentes da literatura de seus países

Eça de Queirós e Mark Twain, dois expoentes da literatura de seus países
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  • Nossa coluna homenageia dois grandes escritores que nasceram neste semana e que são não só grandes expoentes mas definidores da literatura de seus respectivos países e idiomas: o português Eça de Queirós e o norte-americano, Mark Twain.
  • José Maria de Eça de Queiroz, nasceu em Póvoa de Varzim, região noroeste de Portugal, dia 25 de novembro de 1845, há, portanto, 174 anos. Foi um escritor e diplomata português, considerado um dos maiores (senão o maior) escritor em Língua Portuguesa de todos os tempos. Filho do brasileiro José Maria Teixeira de Queirós e a da portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça. Passou sua infância e adolescência longe da família, sendo criado pelos avós paternos. Foi interno no Colégio da cidade do Porto. Em 1861 ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou em 1866. Em 1869, como jornalista, assistiu a inauguração do Canal de Suez, no Egito, que resultou na obra O Egito, publicada postumamente. Depois, instalou-se em Leiria, como administrador do Conselho.
  • Em 1875 publica O Crime do Padre Amaro, romance que representou o marco inicial do Realismo em Portugal, nele, Eça faz uma crítica violenta da vida social portuguesa, denuncia a corrução do clero e a hipocrisia dos valores burgueses. Em 1878 publica O Primo Basílio, em que coloca como tema o adultério, focalizando a decadência da família burguesa de seu tempo. A crítica social unida à análise psicológica aparece também no romance Mandarim.
  • Em 1888 foi nomeado cônsul em Paris, ano que publica Os Maias, iniciando uma nova fase em sua carreira literária, quando o autor abstrai-se da sátira contundente e da ironia caricatural da família ou da sociedade burguesa, para conduzir-se a uma trilha construtiva.  Eça faleceu em Neuilly-sur-Seine, 16 de agosto de 1900. Sou suspeito para falar de Eça, pois para mim, é um dos melhores escritores realistas não só da Língua Portuguesa, mas do mundo inteiro. A crítica mordaz e a escrita de estilo inconfundível, quase uma poesia em forma de prosa em muitos trechos, é sua marca característica. Eu recomendo os livros Os Maias, O crime do Padre Amaro e o Primo Basílio, três dos melhores romances em Língua Portuguesa.
  • Mark Twain  é o pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, nasceu na vila chamada Florida no estado norte-americano do Missouri, dia 30 de novembro de 1835, há, portanto, 184 anos (dez anos antes de Eça). É considerado um dos pilares da literatura essencialmente americana, ou seja, aquela em oposição à literatura inglesa, dos colonizadores. Mark Twain tem um estilo baseado numa fala americana colorida, vigorosa e coloquial criando, assim, uma ampla galeria de tipos e uma iconografia essencialmente americana. 
  • Com uma infância difícil, após perder o pai aos 12 anos, Clemens começou a trabalhar como entregador, escriturário e ajudante para ajudar financeiramente à família. Aos 13 tornou-se aprendiz de tipografia, viajou pelo país, aprendeu navegação no rio Mississipi, vindo a tornar-se posteriormente piloto fluvial. Participou da guerra civil e, após o conflito, foi morar em Nevada com seu irmão. Lá passou a escrever para um jornal da cidade de Virginia. Em seus primeiros contos registrou uma forte tradição do humor típico do Oeste, um veio espirituoso que seria uma de suas marcas registradas.
  • Mark Twain obteve grande êxito como escritor e palestrante. Seu raciocínio perspicaz e suas sátiras incisivas renderam-lhe a admiração de seus pares e o enaltecimento dos críticos, e Twain manteve boas relações com presidentes, artistas, industriais e a realeza europeia. Ele foi laureado como o "maior humorista americano de sua época", sendo definido por William Faulkner como o "pai da literatura americana”.
  • Suas obras primas (e os livros que recomendo) são os As aventuras de Tom Sawyer de 1876 em que o autor cria uma das mais famosas duplas da literatura mundial, Tom Sawyer e Huck Finn e o livro As aventuras de Hucleberry Finn de 1884. Considerado o grande romance sobre o ideal da democracia americana.
  • Mark Twain morreu em Redding, Connecticut dia 21 de abril de 1910. Ao ler estes livros, procure por edições e traduções mais modernas, de preferência com notas que ajudam muito a leitura. Há inúmeros filmes, novelas, e minisséries baseados nas obras destes autores. Procure-os e delicie-se com dois dos maiores escritores da literatura universal.

Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé: a filosofia para as multidões

Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé: a filosofia e a história como remédios para o amargo da vida 
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  • Na semana em que homenageamos os nascimentos de Martin Scorsese e Rachel de Queiroz (17) e Voltaire (21) nossa coluna abraça o feNômeno que vem ocorrendo nas editoras de livros brasileiras que é uma crescente e constante procura por livros de filosofia, e de auto-ajuda relacionada à filosofia, ou, na verdade, a filosofia como resposta a questões complexas e até mesmo as banais do mundo moderno.
  • Nesta seara se destacam os 3 pensadores da, assim chamemos, filosofia para as multidões, Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé, ao que poderíamos acrescentar um quarto, o professor Clóvis de Barros Filho. Se procurarmos nas listas de livros mais vendidos, no Brasil, dos últimos 3 ou 4 anos, ao menos um deles (ou todos eles) estarão presentes. Vamos conhecer quem são eles e do que eles tratam e o porquê desse feNômeno de procura pelo conhecimento em forma de filosofia para o cotidiano ou para enfrentar as dificuldades e vicissitudes da vida.
  • Os quatro citados, Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé fizeram sucesso traduzindo raciocínios complexos de filósofos, escritores e pensadores como Epicuro, Schopen­hauer, Shakespeare e Hegel para o cotidiano brasileiro. Ganharam inúmeros fãs e seus livros vendem milhões de exemplares.
  • Leandro Karnal é gaúcho, nasceu em São Leopoldo, dia 1 de fevereiro de 1963 tendo, portanto, 56 anos. É historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É doutor em história pela USP e tem publicações acadêmicas sobre história da América. Tem 17 livros publicados sozinho ou com diversas parcerias (entre elas: Pe. Fábio de Melo, Monja Cohen, Clóvis de Barros Filho, Cortella e Pondé, entre outros). Eu recomendo: “O que aprendi com Hamlet”por que o mundo é um teatro”, “Crer ou não crer” e “felicidade ou morte”. 
  • Luis Felipe Pondé é pernambucano de Recife, nasceu dia 29 de abril de 1959 tendo, portanto, 60 anos. É doutor em filosofia pela USP. Tem mais de 14 livros publicados sozinho ou em parceria. Tem um pensamento claramente liberal e conservador e se inspira em autores como Hume, Adam Smith, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville e Roger Scruton (que rejeita a aproximação entre o conservadorismo e liberalismo). Pondé, entretanto, traça paralelos e uma linha comum entre esses autores e seus pensamentos. Eu recomendo os livros: Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003) e Filosofia para Corajosos (2016).
  • Clóvis de Barros Filho, nasceu em Ribeirão Preto-SP, em 21 de outubro de 1966 tendo, portanto, 53 anos. É formado em Direito, Jornalismo e Filosofia pela USP. É professor de ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É mestre em Ciência Política pela Université Sorbonne Nouvelle de Paris (1990) e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Tem cerca de 24 livros publicados sozinho ou em parcerias diversas, como os outros autores citados nesta coluna, entre os quais eu destaco, “A filosofia explica as grandes questões da humanidade”em parceria com Júlio Pompeu e “Ética e vergonha na cara” em parceria com Cortella.
  • Mário Sérgio Cortella, nasceu em Londrina, dia 5 de março de 1954, tendo, portanto, 65 anos, é filósofo e professor de Filosofia da PUC-SP. É mestre e doutor pela mesma PUC-SP tendo como orientador do doutorado, o patrono da Educação brasileira, Paulo Freire. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991/1992) no governo de Luiza Erundina. Tem mais de 40 livros publicados, entre os quais eu destaco: “Não nascemos prontos”, “Não espere pelo epitáfio”, “A era da Curadoria” com Gilberto Dimenstein, “Qual é a tua?” e “Política para não ser idiota” em parceria com Renato Janine Ribeiro. Seu pensamento é voltado para a educação, religião e espiritualidade e filosofia como remédio para a alma, além de ética e moral.
  • O sucesso desses pensadores e seus livros, palestras e vídeos é muito importante e mostra o quanto os brasileiros gostam de ler quando há algo interessante a ser contado ou ensinado. Mostra também o quanto o mundo atual e sua velocidade angustiante gera cidadãos necessitados da vontade de parar, pensar, raciocinar e buscar soluções para os dilemas da vida e do mundo moderno.

Dostoiévski e o romance psicológico

Dostoiévski  e o romance psicológico 
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  • Nesta semana, do dia 10 ao dia 16 de novembro nós lembramos o nascimento de Martinho Lutero, no dia 10, Santo Agostinho e Robert Louis Stevenson, no dia 13 e José Saramago no dia 16. Mas, o tema de nossa coluna semanal é aquele que é considerado, por justa razão, um dos maiores escritores e pensadores de todos os tempos, um homem que privilegiava, através da escrita, os grandes temas da humanidade (e a própria humanidade). Um escritor que influenciou a Literatura, a Filosofia, a Psicologia, a Teologia e preparou as bases do mundo tal qual o conhecemos, o russo, Dostoiévski.
  • Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu dia 30 de outubro de 1821, pelo calendário Juliano Russo da época, o que representa o dia 11 de novembro de 1821 pelo nosso calendário Gregoriano. Nasceu em Moscou, há, portanto, 198 anos, quase dois séculos. Faleceu em São Petersburgo, dia 28 de janeiro de 1881, pelo calendário juliano o que representa o dia 09 de fevereiro de 1881, pelo nosso calendário atual.
  • O pai de Dostoiévski, Mikhail Andriéievitch apesar de imprimir uma disciplina severa à família, incentivava os sete filhos ao amor pela cultura. Em 1837, a mãe de Dostoiévski morreu precocemente de tuberculose. A perda foi um choque para o pai, que acabou mergulhando na depressão e no alcoolismo. Fiódor e seu irmão foram então enviados à Escola de Engenharia, em São Petersburgo. O pai, morreu pouco depois, assassinado, provavelmente, pelos próprios empregados. A família tinha uma educação religiosa no cristianismo ortodoxo.
  • Em 1843, concluiu os estudos de Engenharia e obteve o grau militar de subtenente. Durante esses anos, dedicou-se à tradução, incluindo a obra de Balzac, um autor que ele admirava. Em 1844 abandonou o exército e começou a escrever a novela Pobre gente, que recebeu uma crítica positiva no seu lançamento. Foi nesta época que contraiu dívidas e sofreu o primeiro ataque epilético. À primeira obra, seguiram-se Noites brancas (1848), entre outras novelas e contos, que não tiveram a mesma acolhida da crítica.
  • Após lançar suas primeiras obras, engajou-se na luta da juventude democrática russa pelo combate ao regime autoritário do Czar Nicolau I. Em São Petersburgo, dedicou-se integralmente à escrita, produzindo seis grandes romances, entre os quais suas obras-primas Crime e Castigo (1866), O Idiota (1869) e Os Irmãos Karamazóv (1880). Tinha problemas financeiros por seus vícios, entre eles, o jogo (de onde viria a maravilhosa obra, O Jogador).
  • Tais livros serviram como o reflexo de uma era turbulenta na história russa, quando a política radical que viria a dominar o século XX lutou com um intenso cristianismo ortodoxo pelos corações e mentes de um país polarizado.
  • Durante sua vida, como escritor, Dostoiévski produziu, romances, novelas, contos, memórias, escritos jornalísticos e escritos críticos. 
  • Além disso, atuou como editor em revistas próprias, como preceptor e participou de atividades políticas. Suas obras mais importantes, claro, foram as literárias, onde abordou, entre outros temas, o significado do sofrimento e da culpa, o livre-arbítrio, o cristianismo, o racionalismo, o niilismo, a pobreza, a violência, o assassinato, o altruísmo, além de analisar transtornos mentais, muitas vezes ligados à humilhação, ao isolamento, ao sadismo, ao masoquismo e ao suicídio. Pela retratação filosófica e psicológica profunda e atemporal dessas questões, seus escritos são comumente chamados de romances filosóficos e romances psicológicos sendo ele um dos precursores de ambos.
  • Eu destaco, entre suas obras, os magníficos livros, Memórias do Subsolo (1864), Noites Brancas e outras histórias, e as já citadas, Crime e Castigo (considerado um dos melhores romances da história), O Idiota, e Os Irmãos Karamazóv (1880), livro onde há a clássica frase de Ivan Karamazov, que dizia: "Se Deus não existe, tudo é permitido”.
  • Finalizo, lembrando que Dostoiévski é considerado um autor de complexa leitura, principalmente por suas monumentais obras, algumas ultrapassando as mil páginas, mas, insisto aqui, há um prazer incrível na leitura de seus textos, extremamente complexos e profundos. Aos que consideram o autor difícil, eu recomendo iniciar por suas novelas e contos e só depois se aventurar nas páginas excepcionais de seus grandes romances.

Cecília Meireles, a voz lírica feminina do Brasil

Cecília Meireles, a voz lírica feminina do Brasil
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  • Nesta semana, dia 06 de novembro, gostaríamos de lembrar o nascimento do escritor Robert Musil, Marie Curie, Ary Barroso e Albert Camus (dia 7), Carl Sagan (dia 9) e Martinho Lutero e  Schiller (dia 10), mas o tema de nossa coluna é aquela que é uma das mais importantes vozes líricas da literatura em língua portuguesa e primeira voz feminina de grande expressão da literatura brasileira, a grande Cecília Meireles.
  • Cecília Benevides de Carvalho Meireles, nasceu no Rio de Janeiro, dia 07 de novembro de 1901, há 118 anos e faleceu, de câncer dia 09 de novembro de 1965, dois dias depois de fazer 63 anos, também no Rio de Janeiro. Ela foi uma jornalista, pintora, poeta e professora brasileira.
  • Foi criada pela sua avó católica e portuguesa da ilha dos Açores. Isso porque seu pai havia morrido três meses antes de seu nascimento e sua mãe quando tinha apenas 3 anos.
  • Desde pequena recebeu uma educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura, escrevendo poesias a partir dos 9 anos de idade.
  • Sua estreia literária aconteceu em 1919 com o livro “Espectros”, reunião de sonetos escritos a partir de 1915. Sua obra mais conhecida é o épico “Romanceiro da Inconfidência”, de 1953. 
  • Embora cronologicamente vinculada a segunda fase do modernismo brasileiro, sua obra poética traz influências simbolistas, românticas barrocas e parnasianas, destacam-se: “Nunca Mais” (1923), “Poema dos Poemas” (1923), “Baladas para El-Rei” (1925), “Viagem” (1939), “Vaga Música” (1942), “Mar Absoluto e Outros Poemas” (1945), “Retrato Natural” (1949), “Doze Noturnos da Holanda” (1952), “Poemas Escritos na Índia” (1950), “Metal Rosicler” (1960), “Solombra”(1963). 
  • Sobre ela escreveu o crítico Paulo Rónai: “Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo. A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea”.
  • Eu não canso de repetir o quanto eu aprecio poesia e o quanto o mundo precisa dela, a cada dia mais. Com uma realidade a cada dia mais dura, mais complicada, mais rápida, mais acelerada, com muitos precisando de auxílios químicos para manter a saúde e a sanidade mental. Vivemos tempos sombrios, de medo, de ódio, de intolerância…
  • Quem precisa da poesia? Uma frase do filme “O carteiro e o poeta” de 1994 nos diz que “A poesia não é de quem a escreve, mas de quem precisa dela” e nunca o mundo, desiludido e pós-moderno, precisou tanto dela. Termino com os versos de “Motivo”, poema de Cecília contido no livro “Cecília Meireles — Poesia Completa”, editora Nova Fronteira.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Nietzsche e o eterno retorno

Nietzsche e o eterno retorno
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  • Dia 27 de outubro lembramos o nascimento do escritor Graciliano Ramos e  o quadrinista Maurício de Souza (dia 27); de Bill Gates, Eros Ramazzotti, Zélia Duncan e Julia Roberts no dia 28; Diego Maradona dia 30; Carlos Drummond de Andrade no dia 31; 
  • Mas o personagem que nossa coluna homenageará nesta semana é um filósofo que fez uma crítica profunda à filosofia e à civilização ocidental, além de ser um dos mais influentes pensadores tanto do século XX quanto do mundo moderno, o filósofo da suspeita, cujo pensamento extrapolou o debate acadêmico e, além de tudo, escrevia em um estilo brilhante, inteligível, que filosofava por meio de aforismos e poemas, o alemão Nietzsche.
  • Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu dia 15 de outubro de 1844, há 175 anos, portanto, na cidade de Röcken, no Reino da Prússia e faleceu dia 25 de agosto de 1900, 56 anos depois de seu nascimento, em Weimar no império Alemão.
  • Ele foi um filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor cuja obra filosófica permanece extremamente atual, na medida em que prenuncia boa parte do que foi desenvolvido ao longo século XX (e mesmo nos primeiros anos do século XXI).
  • Temas como crítica à verdade e à pretensão de atingir uma interpretação unitária do real, além de temas como a fragmentação do sujeito, a impossibilidade de estabelecer valores universais, a crise da metafísica e o estudo da moral e da ética serão retomamos e desenvolvidos por autores durante todo o século passado (entre eles Derrida, Lyotard, Foucault e Deleuze entre outros).
  • Nietsche era filho de um pastor protestante e de uma mãe piedosa e puritana. Estava sendo, pois, preparado para ser pastor, dada que sua família vinha de uma tradição de clérigos luteranos. Mas, aos 18 anos afastou-se do cristianismo e perdeu a fé do Deus de seus pais. Forma-se em Filologia (a contragosto da mãe) e Depois de concluir sua formação, devido aos seu grande conhecimento e respeito de seus superiores, é convidado a lecionar filologia na Universidade de Basileia, com apenas 24 anos.
  • Nesta época conhece a filosofia de Schopenhauer lendo “O mundo como vontade e ideia”, encontrando nele a influência para o desabrochar da sua própria filosofia. Em 1871 lança sua primeira obra, O Nascimento da Tragédia, sob influência da música de Wagner e da filosofia de Schopenhauer, com os quais depois virá a romper. Em 1878, o filósofo publicou Humano, demasiado humano, a sua primeira obra escrita em aforismos, estilo que marcou a escrita nietzschiana.
  • Entre 1883 e 1885 o filósofo escreve Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém que influenciou significativamente o mundo moderno. O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se autonomeou Zaratustra. O livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o estilo do Velho e Novo Testamento.
  • O filósofo, em 1886, escreve e publica o seu primeiro grande estudo acerca da moralidade, o livro Além do bem e do mal. No ano seguinte, aprofundando no tema sobre a moralidade, o filósofo escreve Genealogia da moral. Ainda em 1887, ele começa a redação de O anticristo, texto publicado em 1888, mesmo ano de publicação de Crepúsculo dos ídolos e Ecce homo. Nessas últimas publicações, Nietzsche já se encontrava afetado pela doença mental, tendo surtos, fortes dores e problemas diversos.
  • Obviamente que um filósofo tão influente na modernidade quanto Nietzsche não poderia ser completamente explorado neste espaço. O que buscamos nesta semana é uma apresentação do filósofo para o ouvinte, para que ele possa descobrir o pensamento de figura tão central no pensamento atual. Eu recomendo os livros Compreender Nietzsche de Jean Lefranc e o livro da série “Folha Explica”Nietzsche da Publifolha escrito por Oswaldo Giacoia.
  • O legado de Nietzsche é vasto, mas eu gostaria de destacar principalmente seu estilo inconfundível de sentenças diretas e frases cuidadosamente pensadas e encaixadas. Estilo exagerado, hiperbólico, rápido e brilhante que muitos tentaram, sem sucesso, copiar. Conheça a vida e a obra de Nietzsche. Por ser um filósofo extremamente popular não faltarão obras para iniciar o leitor no “caro deleite” da filosofia.

Vinicius de Moraes, o grande "poetinha"

Vinicius de Moraes
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  • Na semana passada, ouvintes, falamos aqui neste espaço do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, gostaríamos, portanto, de homenagear, mais um poeta que deixou para sempre seu nome marcada na música popular brasileira., também nascido em outubro, conhecido como Poetinha, o grande Vinicius de Moraes.
  • Marcus Vinicius de Moraes, nasceu em 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro, há, portanto, 106 anos e faleceu dia 9 de julho de 1980 no mesmo Rio De Janeiro.
  • Ele foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro de muita fama tanto nacional quanto internacional. 
  • Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e Lidia Cruz de Moraes, seu pai era funcionário público e músico amador e a mãe, pianista, ele tinha, portanto, a arte presente em sua vida desde o berço.
  • Começa a escrever seus primeiros versos e poemas ainda muito cedo, com apenas 9 anos. As primeiras canções foram compostas com 14 anos e com os amigos do colégio,. Com 17 anos, entra na faculdade de Direito da Rua do Catete e em 1932, com 19 anos, Publica pela primeira vez um poema de sua autoria na revista A Ordem. No mesmo ano, duas canções de sua autoria são gravadas. Em 1933 publica seu primeiro livro de poemas, “O caminho para a distância.
  • Esses foram os primeiros passos de uma carreira na poesia, na literatura, no teatro e na música que marcaria profundamente a cultura brasileira. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. 
  • Ainda na década de 1930, Vinicius de Moraes estabeleceu amizade com os poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Em sua fase considerada mística, ele recebeu o Prêmio Felipe D'Oliveira pelo livro Forma e Exegese, de 1935. No ano seguinte, lançou o livro Ariana, a Mulher.
  • Em 1954, Vinícius publica sua coletânea de poemas, Antologia Poética, mesmo ano que publica sua peça teatral Orfeu da Conceição, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo. Dois anos depois, quando Vinicius buscava alguém para musicar a peça conheceu um jovem pianista, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, O Tom Jobim, que na época tinha 29 anos.
  • Deste encontro entre Vinícius e Tom nasceria uma das maiores parcerias da música brasileira, que a marcaria definitivamente. Os dois compuseram a trilha sonora, que incluía "Lamento no Morro", "Se Todos Fossem Iguais A Você", "Um Nome de Mulher", "Mulher Sempre Mulher" e "Eu e Você”. 
  • A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Além destas canções, a dupla Vinicius e Tom compuseram, entre outros clássicos, "A Felicidade", "Chega de Saudade", "Eu sei que vou te amar", "Garota de Ipanema", "Insensatez", entre outras belas canções 
  • O filme baseado na peça de Vinicius, foi dirigido pelo francês Marcel Camus, Orfeu Negro. O poeta compôs duas músicas para o filme. Um ano depois, o filme seria contemplado com a Palma de Ouro em Cannes e ganharia o Oscar de melhor filme estrangeiro.
  • A influência de Vinicius de Moraes na cultura brasileira é tamanha que o espaço disponível nesta coluna é pequeno demais para sequer iniciar a contemplá-la, mas vale a lembrança que o poeta é um dos maiores compositores da MPB e da bossa nova tendo sido gravado por todos os grandes expoentes do gênero. Entres seus grandes parceiros de composição musical, destacam-se Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra. Além de composições com Pixinguinha e parcerias com Dorival Caymmi e o grupo Os cariocas.
  • A obra de Vinicius, o “poetinha”, como era carinhosamente chamado, é essencialmente lírica e se destaca pelos seus poemas de amor e sonetos, conhecidos e recitados até hoje. Poemas como Para viver um grande amor,  Poética, Soneto de Fidelidade, Soneto do amor Total, Eu sei que vou te amar, Soneto de separação e canções como chega de saudade, tarde em Itapuã, Aquarela, Garota de Ipanema e insensatez serão eternamente lembradas. A dica da semana é mergulhar na imensa obra de Vinicius, tanto os poemas, crônicas, versos e sonetos quanto às composições musicais. Afinal, o lirismo, a paixão, a música, a vida, a obra e a poesia de Vinicius estão conosco “dentro da eternidade e a cada instante”. 

Carlos Drummond de Andrade, o maior dos poetas do Brasil

Carlos Drummond de Andrade
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  • Aproveitando que estou visitando a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, gostaria de homenagear nesta semana um grande escritor mineiro nascido neste mês de outubro, considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX, o grande poeta Drummond.
  • Carlos Drummond de Andrade nasceu dia 31 de outubro de 1902, há 117 anos em Itabira, no interior de Minas Gerais. 
  • Sua memória dessa cidade viria a permear parte de sua obra, influenciando-a constantemente.
  • Filho de proprietários rurais, durante sua adolescência foi encaminhado para estudar em colégios internos em Belo Horizonte e também em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
  • Desde pequeno Drummond demonstrou grande interesse pelas palavras e pela literatura. 
  • Após concluir os estudos, regressou à Belo Horizonte e iniciou sua carreira de escritor publicando artigos no Diário de Minas em 1921.
  • Já no ano seguinte foi vencedor do “Concurso Novela Mineira” com o conto “Joaquim do Telhado”.
  • Formou-se em Farmácia em 1925, mas não exerceu a profissão. 
  • No mesmo ano de 1925 casou-se com Dolores Dutra de Morais e fundou com outros escritores “A Revista”, veículo com publicações que consolidaram o Modernismo mineiro.
  • Foi também redator-chefe do Diário de Minas.
  • Escreveu poesia, prosa e literatura infantil, em uma obra marcada por referências à vida mineira. 
  • Itabira está presente em grande parte de sua obra. A cidade hoje abriga um memorial em homenagem ao autor.
  • Em 1928, fez a publicação que impactou sua carreira: a poesia “No Meio do Caminho”, na Revista de Antropofagia de São Paulo.
  • A obra foi criticada pela imprensa, por conta da construção repetitiva e inusitada de suas estrofes. 
  • O trecho "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho" ganhou repercussão e a poesia foi apontada até como forma de provocação na época.
  • Drummond consagrou-se como um dos maiores escritores da literatura brasileira, fazendo parte da segunda geração modernista. Muitos de seus poemas são conhecidos mundialmente. 
  • Ainda em 1928, Drummond ingressa no serviço público como auxiliar de gabinete da Secretaria do Interior. Em 1930 publica o volume "Alguma Poesia", contendo 49 poemas. Em 1934 transferiu-se para o Rio de Janeiro e foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945.
  • Em 1942 publicou seu primeiro livro de prosa, "Confissões de Minas". Entre os anos de 1945 e 1962 foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.
  • Em 1946 foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira, pelo conjunto de sua obra. Durante os anos 60 e 70 escreveu para jornais do Rio de Janeiro e dedicou-se à produção de crônicas e poesias.
  • Algumas de suas obras são “Sentimento do mundo”, “A rosa do povo”, “Claro enigma” e “As impurezas do branco”.
  • Carlos Drummond de Andrade morreu aos 85 anos, no Rio de Janeiro.
  • O estilo poético de Carlos Drummond de Andrade ficou caracterizado por observações do cotidiano misturadas a traços de ironia, pessimismo e humor. 
  • Várias de suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, sendo também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.
  • Sua poesia, ao retratar as aspirações e angústias cotidianas, parece falar ao coração de cada leitor. Não é à toa que inúmeros versos do poeta se tornaram praticamente ditados populares, como o famoso “E agora, José?”.

Cartola, o "divino"

Cartola 
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  • Nesta semana, de 06 a 12 de outubro, nós lembramos do nascimento de Romero Brito (06), Mário de Andrade e John Lennon (9), Verdi e Thelonious Monk (10), Tom Zé, Lobão e Jorge Vercillo (11) e Luciano Pavarotti e D. Pedro I (12).
  • Nossa coluna vai homenagear, com muita honra, aquele que é considerado um dos maiores sambistas da história do Brasil, na opinião do grande Carlos Drummond de Andrade, um “mestre da delicadeza”, conhecido como “o Divino”, o poeta das rosas, o saudoso, Cartola.
  • Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, nasceu no dia 11 de outubro de 1908, há 111 anos, noRio De Janeiro, então capital do Brasil, no bairro do Catete, e morreu em 1980 no mesmo Rio de Janeiro. Filho de operário, morou em diversos bairros do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Aos 11 anos, dificuldades financeiras levam a família a se transferir para o Morro da Mangueira, onde, ainda jovem, Cartola é iniciado no samba e na boêmia pelo seu amigo Carlos Cachaça, seis anos mais velho, que se torna um dos seus mais constantes parceiros
  • Muito cedo abandona a escola para trabalhar, e exerce várias profissões, de aprendiz de tipógrafo a servente de pedreiro. O apelido Cartola surge nessa época, trabalhando em construção e para evitar que o pó do cimento lhe caísse sobre a cabeça, passa a usar um chapéu-coco, que orgulhosamente chama de cartola. Aos 15 anos perde a mãe. 
  • O pai desaprova sua vida boêmia, expulsa-o de casa e muda-se do Morro da Mangueira, o compositor ali permanece. Vive pela noite do subúrbio carioca, até ser acolhido por Deolinda, uma senhora que mora na Mangueira e passa a cuidar dele. Sem trabalho, começa a compor e a cantar nos bares do morro.
  • Torna-se figura cativa nas rodas de samba e da boêmia, e ensaia suas primeiras composições e acordes no violão. Participa da fundação de um bloco para brincar o Carnaval, o Bloco dos Arengueiros. Além de Cartola, outros "arengueiros" como Arturzinho, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Saturnino, Homem Bom, Gradim e o irmão Antonico integram o núcleo inicial do qual surge a Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, fundada em 28 abril de 1928. Tanto as cores, verde e rosa, quanto o nome são sugestões de Cartola. No desfile inaugural, a escola apresenta um samba de sua autoria, Chega de Demanda.
  • Mesmo sendo reconhecido como um mito vivo da música brasileira, tido suas composições gravadas por intérpretes famosos, apenas em 1974, com mais de sessenta anos, Cartola gravou seu primeiro LP individual, com o qual recebeu vários prêmios e passou a fazer shows em todo o país. O segundo disco veio em 1976 e com ele o grande sucesso da música “As rosas não falam”.
  • A obra de Cartola tem significado especial na narrativa da evolução do samba. Estilo inconfundível de suas harmonias, melodias e letras traduz a poética do trovador da Mangueira, que, sozinho ou em parceria, com Carlos Cachaça, Elton Medeiros, Nuno Veloso, Hermínio Bello de Carvalho, influencia novas gerações de sambistas, em especial, Paulinho da Viola. Suas composições atravessam décadas e se atualizam a cada regravação. Cartola viveu em uma época em que a música brasileira estava muito atrelada à poesia e o lirismo da composição literária. 
  • Vejamos o exemplo de As Roas não falam:

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim

  • Neste mundo veloz, cada vez mais rápido, onde o tempo é escasso, neste mundo violento, ultraburocrático e ultratecnocrata, que possamos cada vez mais buscar tempo para apreciar a poesia e a música. Afinal, como dizia Nietzsche, a vida sem música, seria um erro.
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