Universo Literário

Um minipodcast sobre literatura e cultura em pílulas de 5 minutos sobre a cultura, suas curiosidades e seu impacto em nosso cotidiano.
Baseado na minha coluna semanal da CBN Amazônia 98.5 MHz que vai ao ar todas às segundas e terças-feiras.

Sociedade e Cultura, Literatura e TV e Filmes

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Lewis Carrol e um livro de maravilhas

Lewis Carrol e um livro de maravilhas
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  • Esta semana a coluna lembra, dia 27 de janeiro o nascimento do compositor Mozart, do pintor Jackson Pollock dia 28 e Tchecov dia 29, mas a coluna tem a alegria de homenagear o nascimento, dia 27 de janeiro de 1832, do autor de um dos livros infantis mais lidos, comentados, conhecidos e elogiados de todos os tempos, o inglês Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas.

  • Lewis Carrol é o pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson,  nasceu em Daresbury, há 188 anos e faleceu em Guildford em 14 de janeiro de 1898. Ele foi um escritor, poeta, fotógrafo, desenhista, matemático e reverendo anglicano britânico. Uma curiosidade é que ele era matemático de profissão, professor em Oxford e usava o pseudônimo Lewis Carroll para assinar seus livros infantis que ele escrevia como passatempo e por gostar de crianças. Carroll foi, também um dos precursores da poesia de vanguarda.

  •  Os interesses múltiplos de Carroll incluíam a lógica, a matemática, a poesia, a narrativa ficcional e a fotografia, da qual se tornou um mestre. Como fotógrafo amador destacou-se, sobretudo nas fotos de meninas.

  • Uma das modelos de suas fotografias foi Alice Liddell, filha de um amigo, o deão da Christ Church, Henry George Liddell, e que se tornou a heroína de sua obra mais famosa. “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” (1865), que foi um êxito de vendas e recebeu elogios da crítica. Eu acho este livro um dos melhores livros que já li e recomendo fortemente para todos os leitores, adultos ou crianças. Supostamente o livro é destinado ao público infantil, mas contém tantas charadas, enigmas, matemáticos, signos e a sátira é tão fantástica e atemporal que serve perfeitamente para adultos.

  • A história é amplamente conhecida, Alice, uma garota de 7 anos, cochilando às margens do rio Isis, vê o coelho branco de colete consultando nervosamente o relógio e decide segui-lo para debaixo da terra. Ao ir atrás do pontual coelho ela se depara com uma série de situações estranhas e absurdas. Ao bebericar poções e morder cogumelos, cresce e encolhe, do tamanho de um camundongo ao tamanho de uma casa, ou seu pescoço estica como uma cobra. 

  • Encontra em sua viagem insólita personagens já conhecidos e entranhados em nosso imaginário, como o Rato, saltando na “Lagoa de lágrimas”; a Lagarta fumando seu narguilé; o gato risonho cujo sorriso desaparece; O chapeleiro maluco e a lebre de março bebendo chá e enfiando dormidongo em um bule; a assassina rainha de copas que joga com flamingos como tacos, a triste tartaruga falsa e a cena, insólita, de um julgamento em que ela não sabe do que se trata e ninguém sabe nada sobre o crime.

  • Sempre ingênua, Alice tenta enfrentar a loucura com lógica, em uma história que cutuca, de leve, o puritanismo insensível da criação de filhos burgueses na época vitoriana britânica. Um livro absolutamente seminal e importante que, reitero, deve ser lido por todos.

  • As influências do livro são enormes, indo de peças de teatro, obras de arte, filmes, desenhos, animações, quadrinhos entre muitas outras áreas. Matrix, por exemplo, filme de 1999 é somente um das muitas obras que referenciam direta ou indiretamente a obra de Carroll.

  • Lewis Carroll escreveu Alice através do espelho, publicou também "Um Programa para um Plano de Geometria Aplicada", "Euclides e seus Rivais Modernos" e "Matemática Curiosa", todos com seu nome verdadeiro. Sob o pseudônimo, pelo qual ficou conhecido, ele publicou também, "Dinâmica de uma Partícula", "Parques Desertos" e "Belfry". Escreveu as poesias "O Caçador de Serpentes" e "Fantasmagoria”.

  • Recomendo o livro Alice no país das maravilhas na edição com as ilustrações originais de Tenniel. E, para finalizar, uma dica, do gato para Alice. Ela está perdida, não sabe qual caminho tomar em uma bifurcação. Pergunta ao gato qual caminho tomar. Ele a questiona, “para onde você quer ir”. Ela responde dizendo que não sabe. Ao que ele retruca: “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”. Saiba para onde ir. Comece seu caminho pelos livros.

Romances Policiais

Romances policiais
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  • Esta semana, dia 19 de janeiro é o aniversário de nascimento de Edgar Allan Poe, nascido em 1809, em Boston, Massachussets, há 211 anos. Já falamos em uma oportunidade anterior sobre o escritor americano Poe, um dos meus escritores favoritos e um dos autores que fez eu me apaixonar pela literatura ainda na adolescência.

  • Mas hoje, a coluna homenageia um gênero que, sendo praticamente um consenso entre a crítica, o escritor norte-americano inventou, o romance policial. Sabe-se que histórias de crime e perseguição datam da mais remota antiguidade e estão presentes nas Mil e Uma Noites, na Bíblia e na obra de autores como o francês Balzac entre outros. Mas foi Poe quem lançou as bases para o gênero tal como o conhecemos, estabelecendo regras e princípios “que ainda vigoram e que poucas inovações receberam”

  • A atual milionária indústria dos romances policiais é filha de três contos de Poe publicados na imprensa americana entre os anos de 1841 e 1844. São eles: Os Crimes da Rua Morgue, O Mistério de Maria Roget e A Carta Furtada. 

  • Nos três, aparece a figura do francês Auguste Dupin, personagem inspirado no Zadig de Voltaire que detém um saber imenso e se utiliza da teoria das probabilidades, criadas por Laplace, e da análise matemática – além de uma invejável capacidade de observação – para desvendar crimes aparentemente insolúveis.

  • Dupin não é policial nem detetive particular (aliás, essa profissão nem era comum à época). É um diletante, um homem preocupado apenas com suas investigações filosóficas e científicas, que por acaso acaba auxiliando a polícia. Seu interlocutor é o narrador da história, um sujeito limitado intelectualmente e que serve de escada para os raciocínios brilhantes de Dupin. 

  • Esse homem culto e refinado devota um profundo desprezo aos métodos tradicionais da polícia, os quais julga antiquados e ineficientes. Todas essas características foram copiadas em menor ou maior grau pelos seguidores de Poe. 

  • Desde o investigador Lecoq, criado pelo francês Émile Gaboriau, o discípulo mais imediato do autor norte-americano, passando pelo Sherlock Holmes de Conan Doyle e o Hercule Poirot de Agatha Christie, até o Sam Spade de Dashiell Hammett e o Philipe Marlowe de Raymond Chandler, o perfil do detetive particular é o de um homem independente, dotado de uma inteligência superior. E que trabalha conforme as suas próprias regras, tal como Dupin.

  • Este gênero, Duramente criticado e considerado por muitos estudiosos um produto subliterário, apresenta uma estrutura narrativa mais ou menos comum permeada por alguns elementos peculiares, como a presença de um crime, sua investigação, geralmente conduzida por um detetive, e a revelação catártica do criminoso. 

  • É quase impossível citar para o leitor, romances policiais, dada sua infinidade tanto de autores quanto de histórias (além das centenas de filmes baseadas nesses livros). Eu recomendo, claro, iniciar pelos mestres, Edgar Allan Poe, Agatha Cristie, Arthur Conan Doyle, Raymond Chandler e, no Brasil, Rubem Fonseca.

  • De Poe, indico dois livros, o “histórias extraordinárias” já citado na coluna sobre poe e o livro “contos de imaginação e mistério” (de preferencia em edição mais moderna), de Agatha Cristie, recomendo “O assassinato de Roger Ackroyd e Morte no Nilo, além de “E não sobrou nenhum”, anteriormente conhecido como “O caso dos dez negrinhas”, um relíquia que possuo com o título original. De Conan Doyle recomendo “O cão dos Baskersvilles”, “Um estudo em vermelho” e o “O escândalo da Boêmia”. Após essa iniciação o leitor pode seguir por Raymond Chandler, Sidney Sheldon, Luís Fernando Veríssimo (e seu personagem Ed Mort), Graham Greene e o brasileiro Rubem Fonseca.

Dom Quixote e a invenção do romance moderno

Dom Quixote e a invenção do romance moderno
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  • Esta semana, lembramos os aniversários de nascimento de Molière  e Martin Luther King Jr. (15), Benjamin Franklim (17) e Montesquieu (18). Mas a coluna tem o prazer de homenagear os 415 anos da invenção do romance moderno como o conhecemos. Neste dia, em 1605, foi publicado, pela primeira vez, na Espanha, a obra seminal, El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha, ou, como ficou conhecido, o livro, Dom Quixote de La Mancha.
  • É um livro que tem uma influência tão grande na cultura universal, popular ou erudita, que falar de sua importância é o mesmo que exercitar o óbvio. É um dos livros mais importantes e populares de todos os tempos. Foi traduzido para mais de 50 línguas e dialetos e  pode ser lido gratuitamente em todos eles.
  • Considerada a maior obra da literatura espanhola e o segundo livro mais lido da História, seu contributo para a cultura ocidental é incalculável. Dom Quixote é apontado como o primeiro romance moderno, tendo influenciado várias gerações de autores que se seguiram
  • A obra narra as aventuras e desventuras de Dom Quixote, um homem de meia idade que resolveu se tornar cavaleiro andante depois de ler muitos romances de cavalaria. Providenciando cavalo e armadura, resolve lutar para provar seu amor por Dulcineia de Toboso, uma mulher imaginária. Consegue também um escudeiro, Sancho Pança, que resolve acompanhá-lo, acreditando que será recompensado.
  • Quixote mistura fantasia e realidade, se comportando como se estivesse em um romance de cavalaria e transformando obstáculos banais (como moinhos de vento ou ovelhas) em gigantes e exércitos de inimigos. É derrotado e espancado inúmeras vezes, sendo batizado de "Cavaleiro da Triste Figura", mas sempre se recupera e insiste nos seus objetivos. 
  • Inspirado, portanto, nos romances de cavalaria que já estavam caindo em desuso e no idealismo que atravessava as artes e as letras, Dom Quixote é, ao mesmo tempo, uma sátira e uma homenagem. Mistura tragédia e comédia e combinando registros populares e eruditos de linguagem, esta é uma obra riquíssima. A sua estrutura contribui em larga medida para a sua complexidade, criando várias camadas narrativas que dialogam entre si.
  • A obra teve diversos desdobramentos no rádio, televisão, cinema e teatro em todo o mundo. Um dos mais populares é o musical da Broadway O Homem de la Mancha, que no Brasil ganhou adaptação livre com roteiro de Miguel Falabella.
  • O livro foi lançado em duas partes. A primeira em 1605, e a segunda, dez anos depois. Quando a primeira parte da sua obra-prima foi publicada, Cervantes tinha 58 anos e muita coisa mesmo pra contar. Como já falamos em outro episódio de nossa coluna, ele serviu o exército espanhol, teve a mão esquerda inutilizada em combate e, aos 28 anos, foi feito refém por piratas. Escravizado, tentou fugir sem sucesso, e só foi liberto cinco anos depois, quando o resgate foi pago. Ele ainda foi preso por dívidas. O autor é, portanto, tão interessante quanto sua riquíssima obra.
  • Dom Quixote é fácil de ler e de se achar. Basta um rápida pesquisa nos mecanismos de busca da Internet para se deliciar com vídeos, músicas, pinturas, peças de teatro, desenhos, quadrinhos, gravuras, enfim, tudo que a arte já produziu tem ou teve o cavaleiro da triste figura como tema. É possível, claro, encontrar também os livros, tanto os originais (a versão em português tem mais de 1400 páginas) quanto versões resumidas por grandes autores da literatura. A dica, portanto, é conhecer, ler, ouvir, contar e recontar essa obra única que, essa semana, completa 415 anos e segue firme como uma das maiores e melhores histórias da literatura de todos os tempos!

Umberto Eco, um intelectual apaixonado por livros

TEMA: Umberto Eco
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  • A primeira coluna do ano de 2020 homenageia um intelectual italiano de fama mundial. Autor de mais de 30 livros, entre ensaios, livros de filosofia, semiótica, linguística e romances que entraram na lista de best sellers internacionais. Homenageamos esta semana o autor Umberto Eco.

  • Umberto Eco foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano. Nasceu dia 05 de janeiro de 1932. Foi um dos grandes intelectuais da área da semiótica, um dos fundadores da semiótica moderna. Ensinou na universidade de Bolonha, em Yale, Columbia, Harvard, Collège de France e Universidade de Toronto. 

  • Ao longo da década de 1960 Umberto Eco realizou diversos estudos sobre semiótica abordando as diversas interpretações que o ouvinte, leitor ou telespectador pode conseguir através de uma obra artística. Este estudo é uma das suas principais contribuições intelectuais, e recebeu o nome de “Obra Aberta”. Neste conceito, uma obra de arte pode ter diversas e múltiplas interpretações, todas igualmente válidas. 

  • No ano de 1980 publicou o livro pelo qual seria mais conhecido, “O Nome da Rosa”. Este foi o seu primeiro romance e tornou-se um divisor de águas em sua carreira literária, pois com ele consagrou-se na literatura. O livro gerou uma grande repercussão, sendo adaptado para o cinema em 1986 pelo diretor Jean-Jacques Annaud (anú).

  • O livro conta uma intrincada história de detetive que se passa em um mosteiro medieval italiano do século XIV. Uma série de crimes abala o recanto sagrado e um frade franciscano, William de Baskerville, detetive que se comporta como o famoso Sherlock Holmes, além da referência no nome do personagem, uma alusão a um livro de Holmes. O personagem principal é assessorado por seu discípulo, o noviço Adso de Melk.

  • Umberto Eco empreende neste romance uma jornada fictícia rumo à Era Medieval vigente na Europa, uma metáfora do dogmatismo não só religioso, mas especialmente político, que rege não só a Itália, terra natal do autor, mas também uma vasta região do Planeta. Aqui ele debate abertamente as questões que subjazem sob crenças e ideologias contemporâneas, como as antigas contraposições entre o bem e o mal, o certo e o errado, vida e morte, elementos essenciais da doutrina cristã.

  • Outra importante referência literária presente nesta obra é a biblioteca que atua como cenário das investigações de William de Baskerville, a qual parece ter sido inspirada pelo conto A Biblioteca de Babel, do escritor argentino Jorge Luis Borges além do próprio Borges, na figura do monge cego Jorge de Burgos.

  • O livro vendeu milhões de exemplares, sendo, provavelmente o mais lido das décadas de 1980-1990. Após a adaptação cinematográfica o sucesso foi ainda maior. Umberto Eco escreveu ainda outros romances, além de O nome da Rosa, são eles: O pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994), Baudolino (2000), A misteriosa chama da rainha Loana (2004), O cemitério de Praga (2011) e O número Zero (2015).

  • Eu tenho todos os romances de Eco e indico aqui, principalmente, o Nome da Rosa, O pêndulo de Foucault e O Número Zero, seu último livro. Além destes romances, recomendo também os ensaios Cinco escritos Morais, Entre a mentira e a ironia, Sobre a literatura e Não contem como fim do livro.

  •  Além destes textos escritos, recomendo, claro, o filme “O nome da Rosa” que é uma adaptação um pouco diferente do livro (sem as intrincadas teses filosóficas, teológicas e religiosas), mas igualmente interessante pela contextualização da época e a representação do imenso poder da Igreja Católica na Idade Média Europeia.

  • Umberto Eco morreu de câncer no pâncreas em sua casa, em Milão, na noite de 19 de fevereiro de 2016.

Listas de Final de Ano

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Livros natalinos

Livros natalinos
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  • O final de ano é uma época com muitas festas e confraternizações. Para os cristãos ocidentais o centro das festas e comemorações é o natal que, além de tudo, marca o período de férias escolares. Nada melhor, portanto, do que, durante a troca de presentes, ofertar ou receber um bom livro. Para aproveitar o clima de festejos e o espírito do natal, nas horas de descanso, claro, sempre é recomendável, também, ler um bom livro. A coluna separou, esta semana, 4 livros que se passam ou celebram esta época natalina. A maioria são contos curtos ou novelas, ideal para ler entre uma comemoração e outra.
  • O primeiro livro é uma preciosidade do mundo das letras, o livro “Cartas do Papai Noel”, de J. R. R. Tolkien. Sempre em dezembro, os filhos de Tolkien recebiam misteriosos envelopes com um selo do Polo Norte. As cartas pareciam ter sido escritas pelo próprio Papai Noel, com sua letra trêmula e desenhos coloridos. O autor de O Senhor dos Anéis manteve essa surpresa para os filhos por 23 anos — entre 1920 e 1943 — e reuniu todas as cartas neste livro, talvez um dos menos conhecidos de toda a sua obra. O livro é recomendadíssimo, há uma versão em língua portuguesa, excelente, com ilustrações feitas pelo próprio autor. É um livro sensível, muito bem escrito e cheio de aventuras. Desde a primeira carta para o filho mais velho, em 1920, até a comovente última carta para a caçula, em 1943, o livro reúne todas as memoráveis cartas e desenhos que Tolkien fez para os filhos em uma edição que vale muito a pena ser lida, inclusive, em família.
  • O segundo livro é “O natal de Poirot” de Agatha Cristie. Este livro é para aproveitar o natal em clima de suspense. Na Véspera de Natal, A reunião da família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados, seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima, o prepotente e tirânico Simeon Lee está morto, numa poça de sangue, com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot, que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo, se oferece para ajudar, depara-se com uma atmosfera não de luto, mas de suspeitas mútuas entre os diversos parentes. Livro interessantíssimo para prender a atenção em um dos clássicos de Agatha Cristie.
  • A terceira dica é Dia de folga de John Boyne. Em um conto breve e melancólico, o autor John Boyne (criador do best-seller O menino do pijama listrado) acompanha o dia de folga de um jovem soldado inglês e seus companheiros, que passam a véspera de Natal em uma das trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Enquanto relembra os natais da infância e o conforto do seu lar, ele vê e ouve as bombas alemãs caindo a sua volta. Em meio a um dos piores conflitos do século XX, o jovem irá vivenciar um espírito natalino muito diferente do que estava acostumado. Livro interessantíssimo para ver natal sobre uma perspectiva diferente.
  • A quarta dica, é o meu preferido, o livro de natal definitivo, o clássico “Contos de Natal” de Charles Dickens. É um dos livros que mais renderam adaptações e releituras natalinas no cinema, rádio, teatro e versões de paródia. Publicada em 1843, a história acontece em meio ao frio e à neve da cidade de Londres, à véspera do Natal, todos preparam-se para a celebração do nascimento de Cristo. Apenas uma pessoa não parece feliz com o Natal: o velho Scrooge, homem de negócios sovina, ranzinza e solitário. Ele então é visitado por três fantasmas de seu próprio passado, presente e futuro, em uma incrível experiência que pode finalmente despertar-lhe alguma compaixão. O livro tem uma moral absolutamente tocante sobre o verdadeiro, assim chamado, espírito natalino. Recomendadíssimo.
  • Há inúmeros outros livros sobre o natal. Estes são os que recomendo no curto espaço que dispomos. Além destes há, também inúmeros filmes sobre a época. Eu recomendo os que são baseados em livros, como O expresso polar com Tom Hanks, baseado em livro homônimo de Chris Van Allsburg. Os fantasmas de Scrooge, baseado no livro “contos de natal” de Dickens e “Deixe a neve cair” baseado na obra literária Let It Snow, de Maureen Johnson, John Green e Lauren Myracle.
  • Bom, o natal é essa época de confraternização. Nada melhor, portanto, que seguir as dicas da coluna e acompanhar um bom livro, conto ou até mesmo, filme natalino. Feliz Natal a todos.

Jane Austen, a autora feminina mais lembrada por tod@s

Jane Austen, a autora feminina mais lembrada por tod@s
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  • Nesta semana, de 15 a 21 de dezembro lembramos o aniversário de Gustave Eiffel e Chico Mendes (15); Olavo Bilac e Jane Austen (16); Ludwig Van Beethoven, o papa Francisco e Érico Veríssimo (17), Spielberg e Keith Richards (18); Édith Piaf (19)e, finalmente, Benjamin Disraeli, Jane Fonda e Frank Zappa (21)
  • Mas, nossa coluna homenageia, nesta semana, uma das mulheres mais importantes da história da literatura, a inglesa, Jane Austen. Não há autora feminina mais lembrada por todos do que a autora de Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito.
  • Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, Inglaterra, sendo a sétima filha do reverendo George Austen, o pároco anglicano local, e de sua esposa Cassandra (cujo nome de solteira era Leigh). Era de uma família pertencente à nobreza agrária, sua situação e ambiente serviram de contexto para todas as suas obras posteriores.
  • Desde a pré-adolescência, ela já mostrava inclinação e talento para a escrita, desenvolvendo contos, romances e peças que lia em voz alta e apresentava para a família toda.
  • A habilidade de escrever personagens femininas complexas e de explorar os conflitos das relações de classe e gênero fizeram dela uma escritora à frente de seu tempo, publicando clássicos como Razão e Sensibilidade (1811), Mansfield Park (1814), Emma (1815), A Abadia de Northanger e Persuasão (ambos de 1818).
  • A obra de Austen está isolada na literatura européia, porque à sua época o curso da evolução literária estava ainda determinado pelo romantismo.
  • Muito objetiva a respeito do mundo em que viveu e dos personagens que criou, e excluído todo e qualquer subjetivismo através de uma severa disciplina classicista, a obra de Jane Austen revela profunda seriedade moral na crítica da vida, pouco lirismo e nenhuma paixão.
  • Ao mesmo tempo, seus livros possuem um fino humorismo, tipicamente inglês. Seu espírito cômico se exercitou sobre paixões mais intelectualizadas, menos imediatas: orgulho, vaidade, ambição, contradições pessoais, preconceitos. Sempre com uma visão extremamente complexa da mulher e de seu papel na sociedade.
  • Os romances de Austen surgiram no momento em que livros de aventura e exploração faziam sucesso. Em vez de abordar esses assuntos, ela escolheu esmiuçar intrigas familiares no universo rural e limitado de seus personagens.
  • A temática de seus livros é de extrema densidade. Os enredos são baseados em histórias de amor e casamento, e incidentes da vida diária de personagens comuns, vivendo no pequeno meio social de província. Sua melhor qualidade não se manifesta no desenvolvimento da ação, mas na criação de caracteres, que se revelam apenas através dos diálogos, o que torna esse processo de autocaracterização eminentemente dramático.
  • Ela tem uma escrita polida e a maneira lenta, vagarosa, de movimentar seus personagens, a maneira de deduzir desses personagens a trama e as complicações das histórias que criou, influenciaria, depois, a técnica de Henry James.
  • A obra de Jane Austen é considerada clássica e alguns de seus livros encontram no panteão de grandes livros da literatura universal.
  • Da autora, eu recomendo os livros, Razão e Sensibilidade,  Orgulho e Preconceito, Emma, Mansfield Park e A abadia de Northanger, todos clássicos de literatura inglesa. Recomendo sempre traduções e edições mais modernas. A escrita da autora é acessível e extremamente envolvente com fina ironia e inteligência. 
  • Há também inúmeras, dezenas de peças, séries, minisséries, novelas e filmes baseados na obra da autora. Destes, eu recomendo, Orgulho e Preconceito (as versões de 1940 e de 2005. A de 1940 é filmada com Laurence Olivier como Mr. Darcy e a de 2005 com Keira Knightley como Elizabeth). Recomendo também o filme Razão e Sensibilidade de 1995 com Emma Thompson na direção e no elenco, além de Kate Winslet no elenco. Para finalizar, mais dois filmes, A Abadia de Northanger (2007), com Felicity Jones e Amor e Inocência (2007) com Anne Hathaway, um filme para assistir ao lado da namorada ou do namorado.
  • Ela morreu aos 41 anos, após desenvolver o que hoje se conhece como doença de Addison, em que há um déficit de produção, pelas glândulas suprarrenais, de certos hormônios. Sua obra e seu legado permanecem influenciando leitores e pessoas ao redor dos séculos.

Clarice Lispector, a hora da grande estrela brasileira da literatura

Clarice Lispector
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  • Dia 8 de dezembro: assassinato de John Lennon, nascimentos do pintor Diego Rivera, da poetisa Florbela Espanca e de Jim Morrison. Dia 10 é o aniversário de Ada Lovelace. Dia 11, Carlos Gardel e Noel Rosa. Dia 12, Flaubert, Frank Sinatra e Silvio Santos e, finalmente, Dia 13: Luís Gonzaga e Adélia Prado.
  • Mas a grande homenageada nesta semana é uma mulher que também faz aniversário esta semana (inclusive aniversário de nascimento e de morte). Uma escritora que nasceu na Ucrânia, mas que tem valores e raízes totalmente fincadas no Brasil. Vamos falar sobre Clarice Lispector.
  • Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasovna Lispector, nasceu dia 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, na Ucrânia e faleceu dia 9 de dezembro de 1977 aos 56 anos. Clarice, como passou a se chamar quando imigrou para o Brasil, é autora de romances, contos e ensaios e é considerada uma das mais importantes escritoras do século XX.
  • É filha de Pinkouss e de Mania Lispector. O casal já tinha duas outras meninas: Leia, de 9 anos, e Tania, de 5. O nascimento ocorre durante viagem de emigração da família em direção à América – os pais, judeus fugiam do antissemitismo daquela região européia.
  • A família passou um breve período em Maceió, mas consolidou-se mesmo em Recife onde Clarice cresceu e onde, aos oito anos, perdeu a mãe (ela mesma sempre se declarou pernambucana). Aos quatorze anos de idade transferiu-se com o pai e as irmãs para o Rio de Janeiro, local em que a família se estabilizou e onde o seu pai viria a falecer, em 1940. 
  • Desde pequena, Clarice estudou várias línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era boa aluna na escola e gostava de escrever poemas. Sempre foi muito ligada à literatura tendo lido obras de gigantes como Herman Hesse, Julien Green e Dostoiévski além de Eça de Queirós, Machado de Assis José de Alencar, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.
  • Em 1939, com 19 anos, ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil e começa a dedicar-se totalmente à sua grande paixão: a literatura, logo se consagrando como escritora, jornalista, contista e ensaísta, tornando-se uma das figuras mais influentes da Literatura brasileira e do Modernismo, sendo considerada uma das principais influências da nova geração de escritores brasileiros. É incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século XX.
  • Após a morte de seu pai, em 1940, Clarice começa sua carreira de jornalista. Nos anos seguintes, trabalha como redatora e repórter na Agência Nacional, no Correio da Manhã e no Diário da Noite.
  • Em 1943, casa-se com o Diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. Seu primogênito, Pedro, foi diagnosticado com esquizofrenia. Seu segundo filho, Paulo, foi afilhado do escritor Érico Veríssimo.
  • Devido à profissão de seu marido, Clarice viveu em muitos países do mundo, desde Itália, Inglaterra, Suíça e Estados Unidos. O relacionamento durou até 1959, e quando resolveram se separar, Clarice retornou ao Rio com seus filhos.
  • Suas principais obras marcam cada período de sua carreira. Perto do Coração Selvagem foi seu livro de estreia, publicado quando Clarice tinha 24 anos de idade; Laços de Família, A Paixão segundo G.H., A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida são seus últimos livros publicados. 
  • Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, reputando-se como uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano. Eu recomendo todos os livros de Clarice, pois todos são acessíveis e trazem um pouco da escritora, com destaque, claro, para Perto do Coração Selvagem(1943),  A Hora da Estrela (1977), Laços de Família (1960), A paixão segundo G. H. (1964) e A descoberta do mundo (1984).

Walt Disney, o fundador da maior empresa de entretenimento do mundo.

Walt Disney
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  • Esta semana nossa coluna homenageia o homem que foi responsável pela invenção de gêneros cinematográficos, criou personagens ícones da cultura mundial além de ser o cofundador da maior empresa de entretenimento do mundo. Esta semana a coluna faz uma homenagem ao norte-americano, Walt Disney.
  • Walter Elias Disney, conhecido e popularizado como Walt Disney, nasceu dia 5 de dezembro de 1901, há 118 anos, na cidade de Chicago e foi um animador, cineasta, diretor, roteirista, dublador, empreendedor e produtor cinematográfico.
  • Tornou-se mundialmente conhecido por ser o pioneiro do ramo da animação tendo produzido o primeiro longa-metragem de animação Branca de Neve e os Sete Anões (1937) além de ser o criador de personagens icônicos como Mickey e Pato Donald.
  • Walt Disney é filho do empreiteiro Elias Disney e da professora Flora Call Disney. Com 7 anos já revelava talento para o desenho. Com 14 anos ingressou no Kansas City Art Institute. Com 16 anos, entrou para a Cruz Vermelha, onde foi motorista de ambulância. Com 18 anos retornou para Kansas City e iniciou sua carreira de cartunista de propaganda e depois passou a produzir filmes publicitários.
  • Por volta de 1923, deixou Kansas City e partiu para Hollywood, levando um filme feito com a técnica de desenho animado e atores reais. Junto com o irmão montou uma produtora e ofereceu seus filmes à distribuidora M. J. Winkler. Produziu "Alice" e em seguida "O Coelho Oswald”. Esta empresa é a gênese da atual maior empresa de entretenimento do mundo, a Walt Disney Company.
  • Em 1925, casou-se com Lillian Bounds, uma de suas primeiras funcionárias. Em 1927 criou o camundongo, que foi batizado por sua esposa, com o nome de "Mickey Mouse", que se tornaria um dos maiores sucessos de sua produtora. Em 1928, lançou Steamboat Willie, o primeiro desenho com som da história. Nos anos seguintes, para contracenar com o Mickey Mouse, Walt Disney criou as personagens "Pato Donald", o "Pateta" e o "Pluto”. Em 1932, recebeu seu primeiro Oscar, com o filme "Flowers and Trees”. 
  • Walt Disney já havia criado curtas-metragens e animações, mas em 1935 divulgou sua ideia revolucionária de criar uma nova forma de arte. No início foi considerado louco, pois Hollywood não acreditava que adultos pagariam para assistir à uma animação. Ignorando as críticas e com o apoio de seu irmão Roy, hipotecou vários bens e pegou empréstimo bancário para realizar seu sonho. Foram investidos mais de um milhão de dólares para a criação do longa-metragem, em plena Grande Depressão americana. A ousadia do visionário, Walt Disney mudou a história do cinema mundial, elevando a animação à categoria de arte. Com o lucro do filme, Disney construiu um estúdio, dando sequência a outras produções e iniciando um império de entretenimento, que além de produzir dezenas de filmes e animações expandiu-se num conglomerado que inclui parques temáticos, brinquedos, jogos e livros com centenas de personagens. Outros longas vieram na sequência, entre eles, "Pinóquio", "Fantasia”, “Bambi" e Cinderela. 
  • Após deixar de atuar exclusivamente com animações, a Disney expandiu seus negócios para o teatro, parques temáticos, música, rádio e mídia online. Hoje, a The Walt Disney Company opera redes de televisão pagas e tem como subsidiárias empresas como Lucasfilm, Marvel Entertainment, Pixar, ABC e Fox. De acordo com a Walt Disney, seu principal objetivo é "tornar as pessoas felizes". 
  • Disney e sua equipe sempre diziam, à época do lançamento revolucionário de Branca de Neve que sabia que todas as pessoas foram crianças um dia. Hoje, sua empresa, além de povoar o imaginário do mundo inteiro, tem um valor de mercado de cerca de 155 bilhões de dólares, com ativos de 96 bilhões e faturando cerca de 55 bilhões de dólares por ano. 
  • Há dezenas de biografias e filmes sobre Disney e seu legado cultural impressionante. Eu recomendo os filmes Walt antes do Disney, de 2015 que conta a saga e os obstáculos enfrentados na criação de suas obras e o livro Walt Disney. O Triunfo da Imaginação Americana de Neal Gabler, um petardo de quase 800 páginas sobre a vida de Walt Disney.
  • Walt Disney é a pessoa que venceu o maior número de Óscars na história, sendo 22 prêmios e 59 indicações. Disney faleceu dia 15 de dezembro de 1966 de câncer de pulmão em Burbank, Califórnia. Seu corpo foi cremado e suas cinzas estão no Forest Lawn Memorial Park, Glendale. Morreu antes da inauguração de um de seus últimos sonhos, o parque Walt Disney World, na Flórida, que foi inaugurado em 1971.

Eça de Queirós e Mark Twain, dois expoentes da literatura de seus países

Eça de Queirós e Mark Twain, dois expoentes da literatura de seus países
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  • Nossa coluna homenageia dois grandes escritores que nasceram neste semana e que são não só grandes expoentes mas definidores da literatura de seus respectivos países e idiomas: o português Eça de Queirós e o norte-americano, Mark Twain.
  • José Maria de Eça de Queiroz, nasceu em Póvoa de Varzim, região noroeste de Portugal, dia 25 de novembro de 1845, há, portanto, 174 anos. Foi um escritor e diplomata português, considerado um dos maiores (senão o maior) escritor em Língua Portuguesa de todos os tempos. Filho do brasileiro José Maria Teixeira de Queirós e a da portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça. Passou sua infância e adolescência longe da família, sendo criado pelos avós paternos. Foi interno no Colégio da cidade do Porto. Em 1861 ingressou no curso de Direito da Universidade de Coimbra, onde se formou em 1866. Em 1869, como jornalista, assistiu a inauguração do Canal de Suez, no Egito, que resultou na obra O Egito, publicada postumamente. Depois, instalou-se em Leiria, como administrador do Conselho.
  • Em 1875 publica O Crime do Padre Amaro, romance que representou o marco inicial do Realismo em Portugal, nele, Eça faz uma crítica violenta da vida social portuguesa, denuncia a corrução do clero e a hipocrisia dos valores burgueses. Em 1878 publica O Primo Basílio, em que coloca como tema o adultério, focalizando a decadência da família burguesa de seu tempo. A crítica social unida à análise psicológica aparece também no romance Mandarim.
  • Em 1888 foi nomeado cônsul em Paris, ano que publica Os Maias, iniciando uma nova fase em sua carreira literária, quando o autor abstrai-se da sátira contundente e da ironia caricatural da família ou da sociedade burguesa, para conduzir-se a uma trilha construtiva.  Eça faleceu em Neuilly-sur-Seine, 16 de agosto de 1900. Sou suspeito para falar de Eça, pois para mim, é um dos melhores escritores realistas não só da Língua Portuguesa, mas do mundo inteiro. A crítica mordaz e a escrita de estilo inconfundível, quase uma poesia em forma de prosa em muitos trechos, é sua marca característica. Eu recomendo os livros Os Maias, O crime do Padre Amaro e o Primo Basílio, três dos melhores romances em Língua Portuguesa.
  • Mark Twain  é o pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, nasceu na vila chamada Florida no estado norte-americano do Missouri, dia 30 de novembro de 1835, há, portanto, 184 anos (dez anos antes de Eça). É considerado um dos pilares da literatura essencialmente americana, ou seja, aquela em oposição à literatura inglesa, dos colonizadores. Mark Twain tem um estilo baseado numa fala americana colorida, vigorosa e coloquial criando, assim, uma ampla galeria de tipos e uma iconografia essencialmente americana. 
  • Com uma infância difícil, após perder o pai aos 12 anos, Clemens começou a trabalhar como entregador, escriturário e ajudante para ajudar financeiramente à família. Aos 13 tornou-se aprendiz de tipografia, viajou pelo país, aprendeu navegação no rio Mississipi, vindo a tornar-se posteriormente piloto fluvial. Participou da guerra civil e, após o conflito, foi morar em Nevada com seu irmão. Lá passou a escrever para um jornal da cidade de Virginia. Em seus primeiros contos registrou uma forte tradição do humor típico do Oeste, um veio espirituoso que seria uma de suas marcas registradas.
  • Mark Twain obteve grande êxito como escritor e palestrante. Seu raciocínio perspicaz e suas sátiras incisivas renderam-lhe a admiração de seus pares e o enaltecimento dos críticos, e Twain manteve boas relações com presidentes, artistas, industriais e a realeza europeia. Ele foi laureado como o "maior humorista americano de sua época", sendo definido por William Faulkner como o "pai da literatura americana”.
  • Suas obras primas (e os livros que recomendo) são os As aventuras de Tom Sawyer de 1876 em que o autor cria uma das mais famosas duplas da literatura mundial, Tom Sawyer e Huck Finn e o livro As aventuras de Hucleberry Finn de 1884. Considerado o grande romance sobre o ideal da democracia americana.
  • Mark Twain morreu em Redding, Connecticut dia 21 de abril de 1910. Ao ler estes livros, procure por edições e traduções mais modernas, de preferência com notas que ajudam muito a leitura. Há inúmeros filmes, novelas, e minisséries baseados nas obras destes autores. Procure-os e delicie-se com dois dos maiores escritores da literatura universal.
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