Universo Literário

Um minipodcast sobre literatura e cultura em pílulas de 5 minutos sobre a cultura, suas curiosidades e seu impacto em nosso cotidiano.
Baseado na minha coluna semanal da CBN Amazônia 98.5 MHz que vai ao ar todas às segundas e terças-feiras.

Sociedade e Cultura, Literatura e TV e Filmes

Assine:

Episódios Mostrando página 1 de 3 (23 episódios)

Tolstoi, anarquista, militar, regrado, cristão e um dos maiores escritores de todos os tempos

Tolstoi, o grande escritor e cristão russo
====================
  • Nesta semana que lembramos o nascimento do herói da Revolução Acreana, Plácido de Castro (9), do nascimento do poeta Ferreira Gullar (10), e dos nascimentos de Adorno e Brian de Palma (11), Álvares de Azevedo, Vicente Celestino, Geraldo Vandré e Caio Fernando de Abreu (12).
  • Mas o tema de nossa coluna é aquele que é considerado por muitos, sendo quase que uma unanimidade, o maior escritor de todos os tempos, o russo, Tolstói.
  • Liev Nikoláievich Tolstói, mais conhecido em português como Leão, Leon, Leo ou Liev Tolstói, nasceu no dia 9 de setembro de 1828, há 191 anos, em Tula e morreu dia 20 de novembro de 1910 em Astapovo. Foi um escritor russo filho de uma importante e aristocrática família ligada aos czares, ficou órfão ainda criança tendo sido educado por preceptores.
  • Em 1851, em sua juventude, o grande sentimento de vazio existencial o levou a se alistar no exército da Rússia servindo nas guerras do Cáucaso e durante a Guerra da Crimeia como Tenente. Esta experiência, inclusive, iria colaborar para que ele, mais tarde, se tornasse um pacifista. Tolstói começou, também, a escrever quando estava no exército, escrevendo, nesta época, “Infância” e a primeira parte de suas memórias.
  • Antes da ida ao exército, havia cursado línguas orientais e direito na universidade, mas não concluíra seus estudos. Sua vida oscilava entre ataques de tédio, farras, jogatinas, fugas com bandos de ciganos, paixões tempestuosas por mulheres de classes sociais diferentes da sua, tudo sempre pontuado por graves crises de consciência.
  • Tendo influência de Rousseau, Tolstói levava a sério o princípio da sinceridade. Suas dúvidas, suas fraquezas, seus sentimentos contraditórios, as vergonhas, os pensamentos mais sombrios são registrados em seu diário com análise e rigor.
  • Ao livro Infância, seguiu-se “Adolescência” (1854) e “Juventude”(1857) que, com Infância compõe uma trilogia. Escreve contos sobre a vida militar e as campanhas do Cáucaso e da Criméia apresentando retratos psicológicos crus e convincentes dos militares e de seus adversários.
  • Aos 34 anos, Tolstói casou-se com Sofia Behrs. Juntos, tiveram 13 filhos e uma relação bastante complicada, mas Tolstói é conhecido mesmo pelos romances Guerra e Paz (1869) e Anna Karenina (1877), muitas vezes citados como verdadeiros pináculos da ficção realista. Ele alcançou aclamação literária ainda jovem, primeiramente com sua trilogia semi-autobiográfica, Infância, Adolescência e Juventude (1852-1856) e por suas Crônicas de Sebastopol (1855), obra que teve como base suas experiências na Guerra da Crimeia. A ficção de Tolstói inclui dezenas de histórias curtas e várias novelas como A Morte de Ivan Ilitch (1886), Felicidade Conjugal (1859) e Hadji Murad (1912). Ele também escreveu algumas peças e diversos ensaios filosóficos.
  • Durante a década de 1870, Tolstói experimentou uma profunda crise moral, seguida do que ele considerou um despertar espiritual igualmente profundo, conforme descrito em seu trabalho não-ficcional A Confissão (1882). Sua interpretação literal dos ensinamentos éticos de Jesus, centrada no Sermão da Montanha, fez com que ele se tornasse um fervoroso anarquista cristão e pacifista.
  • Tolstoi é um autor prolífico tendo dezenas de obras importantes, das quais eu recomendo fortemente, Guerra e Paz (1869), sua principal obra, além de Ana Karenina (1877). Além de “A morte de Ivan Ilítch” (1886), que li recentemente e também, A confissão (1879) que li ano passado. Há, claro, inúmeros filmes, séries e minisséries sobre a Obra de Tolstói. Eu recomendo Anna Karenina de 2012, com Keira Knghtley, como Anna, Aaron Johnson, como conde Vronsky e Jude Law como Alexei Karenin e o clássico Guerra e Paz de 1956 com Audrey Hepburn e Henry Fonda.
  • A dica, portanto, é conhecer, a magnífica, psicológica, real, pujante e meticulosa obra de Tolstói, seja em livro, filme ou minissérie. Afinal, ele é um dos maiores autores de todos os tempos!

Ficção científica e seus multiversos de criatividade

 Ficção científica e seus multiversos de criatividade
====================
  • Esta semana, aproveitando que dia 1 de setembro, neste domingo último, foi o aniversário do dia do lançamento na maravilhosa França do filme Le Voyage dans la lune (Viagem à Lua) de George Meliès em 1902 (há 117 anos), considerado o primeiro filme de ficção científica vamos falar sobre esse gênero que, embora não seja levado tão a sério pelos críticos é adorado pelas pessoas.
  • Ficção científica se refere a uma forma de ficção que se desenvolveu no final do século XIX e início do século XX e denomina qualquer ficção que inclua um fato científico como um componente essencial da narrativa. Lida, basicamente, com o impacto e a influência da ciência ou da tecnologia, seja ela real ou imaginária, sobre a sociedade ou sobre as pessoas.
  • Suas raízes na história da literatura remontam ao século XIX, com a novela gótica, Frankenstein, da escritora inglesa Mary Shelley e também tem eco no terror psicológico de Robert Louis Stevenson (O Médico e o Monstro), os romances de Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra), baseados nas invenções científicas, e as novelas de crítica social de H. G. Wells (A Guerra dos Mundos).
  • A FC é Conhecida também como a "literatura das ideias" e evita, na maioria das vezes, utilizar-se do sobrenatural, tema mais recorrente na Fantasia,baseando-se em fatos científicos e reais (ou extrapolados) para compor enredos ficcionais
  • Há, evidentemente, muitos tipos de ficção científica. Os dois principais tipos são a ficção científica soft como por exemplo as séries televisivas Star Trek (Jornada nas Estrelas), Battlestar Galactica e Doctor Who, e também a ficção científica hard como por exemplo os filmes 2001: Uma Odisseia no Espaço, Blade Runner e Solaris
  • Há também alguns filmes que se utilizam de temas recorrentes na ficção científica embora tenham mais características do gênero fantasia, como por exemplo a série de filmes Star Wars, classificada como fantasia científica e space opera
  • Como o ouvinte pode ter percebido pelas citações anteriores, as séries, filmes e livros de ficção científica são extremamente populares e conhecidas tendo uma influência na cultura popular muito grande.
  • A Ficção Científica teve um grande impulso de desenvolvimento a partir de 1926, quando Hugo Gernsback fundou a Amazing Stories Magazine, que era devotada exclusivamente a estórias deste gênero de literatura. O rádio, a televisão e o cinema têm reforçado grandemente a popularidade da Ficção Científica, como o ouvinte pode perceber.
  • Entre os maiores expoentes do gênero, destacam-se autores como os russos Ayn Rand (A Nascente) e Isaac Asimov (Eu, Robô), os britânicos Arthur C. Clarke (Poeira das Estrelas) e J. G. Ballard (Crash), e os norte-americanos Ray Bradbury (Fahrenheit 451) e Philip K. Dick (Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas). 
  • O enfoque destes autores inclui predições, muitas vezes em tom de distopia, de sociedades futuras na Terra, além de análises das consequências da tecnologia, como viagem interestelar e a exploração de formas de vida inteligentes fora da Terra e suas sociedades em outros planetas e galáxias.
  • Apesar de ser considerada por poucos como gênero literário favorito, a Ficção Científica ganhou bastante popularidade devido ao rádio, televisão, histórias em quadrinhos e cinema. Muitas vezes, as obras são adaptações de romances famosos, como no caso dos filmes 2001, uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e Blade Runner, de Ridley Scott. São muitas as obras de ficção científica de modo que é até difícil indicar, mas eu vou cair nesse terreno pantanoso fazer algumas indicações.
  • Eu recomento ao ouvinte os livros: Da terra à Lua e Vinte mil léguas submarinas de Júlio Verne, A guerra dos mundos e a máquina do tempo de H.G. Wells; Eu, robô e viagem fantástica de Asimov, O vento solar e Encontro com Rama de Arthur C. Clarke.
  • E recomendo as séries: Electric Dreams, Perdidos no espaço, Battlestar Gallactica, Star Trek, Westworld e Black Mirror entre outras
  • E também os filmes: Blade Runner, Interestelar, Perdido em Marte, Oblivion, No limite do amanhã, Matrix e 2001: uma odisseia no espaço. Seja lendo, ouvindo ou assistindo séries e filmes a pedida e se divertir com a ficção cientifica e explorar os limites da ciência e da tecnologia.

Confúcio, o "Senhor Propagador da Cultura, Sábio Supremo e Grande Realizador" (大成至聖文宣王)

Confúcio, o "Senhor Propagador da Cultura, Sábio Supremo e Grande Realizador" (大成至聖文宣王)
==============================
  • Esta é a semana em que se relembra a morte de Nietzsche (dia 25) e se comemora os nascimentos de Hegel (dia 27), John Locke (29), Aleijadinho, Michael Jackson e Ingrid Bergman (dia 29) e da escritora Mary Shelley (dia 30).
  • Mas o tema de nossa semana é um pensador que influenciou profundamente a história da humanidade e cuja obra reestruturou a China com suas ideias sendo o norte do país durante mais de 25 séculos. Suas ideias e frases até hoje encontram sentido e carregam ensinamentos práticos e morais interessantes. Estamos falando daquele que é conhecido no ocidente como Confúcio.
  • Confúcio é a forma latina de se dizer Kǒng Fūzǐ ou K'ung-fu-tzŭ (entre outras formas) e é o nome do pensador e filósofo chinês nascido no século VI, dia 27 de agosto de 551 a.C) em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung na região nordeste da China. Provavelmente filho de um militar já senil com uma adolescente de 15 anos. Ele nasceu em uma época em que a China não possuía leis gerais ou autoridades reconhecidas, ou seja, um período conturbado da história do país com muitas guerras e insegurança política.
  • Confúcio embora considerado bastardo e com condições de vida ambíguas e mesmo sem ser rico, teve uma educação sofisticada. Era um jovem curioso e interessado que estudava muito. 
  • Seu pensamento sempre foi voltado para três coisas: a política, entendida também como prática, a ética e as tradições. Embora vivesse em uma sociedade estratificada, sem ascensão social aparente, ele ensinava a todos acreditando que poderia nivelar a todos através da educação, uma ideia revolucionaria para a época. Era contra a tirania dos governantes, acreditando que um líder deveria ser ponderado e liderar por virtude e por exemplos sendo mais rigoroso consigo próprio que com os governados.
  • Não sem razão é que o confucionismo é usado até hoje como modelo de gestão empresarial no oriente. Era um pensador e filósofo prático, pouco preocupado com questões metafísicas, ao contrário de seu contemporâneo também muito importante, Lao Tsé, criador do Taoísmo
  • Confúcio conseguiu ascender socialmente na sociedade estratificada chinesa da época passando de pastor, vaqueiro e funcionário público até a contador na administração local, negócio para poucos na época. Casou-se com Chi-Kuan e teve um filho chamado K’ung Li.
  • Em 530 a.C., preocupado com os problemas sociais de sua comunidade, abre uma escola onde se estudavam textos antigos e teorias do governo onde se usava um método muito parecido com o socrático, mesmo tendo milhares de quilômetros e algumas décadas entre os dois.
  • Em sua escola, Confúcio instruía os alunos em Literatura, História e Filosofia além de treiná-los para a carreira política. A escola além de rigorosa tinha uma ritualística bem rígida. Sua filosofia se baseava nos princípios Ren, humanidade (altruísmo); Li, ou cortesia ritual; Zhi, conhecimento ou sabedoria moral; Xin, integridade; Zhing, fidelidade e Yi, justiça, retidão, honradez. Cada princípio, segundo ele, pretendia resolver aspectos ausentes ou decadentes na sociedade.
  • Confúcio buscou um pensamento que buscava a redenção do estado, mediante a correção do comportamento individual e suas doutrinas foram a base da China por quase dois milênios! Foi portanto, um dos homens mais influentes da história. vale muito a pena conhecer o pensamento, a vida e a obra de confúcio. Seu sistema filosófico é seguido hoje por mais de 6 milhões de pessoas ao redor do mundo(inclusive como religião). Há 4 frases de Confúcio que, além de famosas, trazem verdades pujantes e servem de apoio em nosso dia-a-dia. São elas:  Não corrigir as próprias falhas é cometer a pior delas”. “Nada é bastante para quem considera pouco o suficiente”. “A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros” e, a mais famosa, “Não faça aos outros aquilo que você não quer que seja feito a você”.
  • Livros sobre as doutrinas de Confúcio: os analectos, Confúcio: as lições do mestre e “a doutrina do meio” facilmente encontráveis em livrarias, sebos ou em formato digital.

Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico

Nelson Rodrigues, o gênio literário
=======================
  • Esta semana vamos homenagear um dos maiores dramaturgos brasileiros de todos os tempos, Nelson Rodrigues, uma pessoa cuja vida inteira foi escrever, uma pessoa que tinha uma imaginação aguçada e que sabia extrair do cotidiano aquilo que ele tinha de chocante, interessante e curioso. Um homem que era um exímio frasista e se auto-classificava como um “anjo pornográfico”. Criado na zona norte do Rio de Janeiro de onde se inspirou para criar personagens inesquecíveis com histórias líricas e trágicas ao mesmo tempo. 
  • Nelson Falcão Rodrigues nasceu há 107 anos, no dia 23 de agosto de 1912 em Recife. Foi um grande escritor, jornalista, romancista, dramaturgo, contista e cronista brasileiro. É o mais influente dramaturgo nacional. Nelson é filho do ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues que migrou para o Rio de Janeiro quando Nelson ainda era criança.
  • Ainda cedo ingressa na carreira de jornalista que lhe traria a experiência e o conhecimento que ele levaria para todos os seus posteriores escritos. Em seus textos jornalísticos destacam-se aqueles dedicados ao futebol em que usou toda a sua expertise dramática na transformação de partidas em batalhas épicas e de jogadores em heróis. Como cronista destacam-se seus milhares de textos na extremamente popular e eternamente discutida coluna “A vida como ela é…
  • Sua primeira peça de teatro foi “A mulher sem pecado” onde já ensaiava sua verve e dava os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. Em 1943, a consagração no Teatro Municipal do Rio de Janeiro: sua segunda peça, Vestido de Noiva, montada por um grupo amador, Os Comediantes, dirigida pelo polonês recém-imigrado Ziembinski e com cenários de Tomás Santa Rosa, revolucionava a maneira de se fazer teatro no Brasil.
  • Nelson Rodrigues tirava da experiência dele, da família, dos amigos e do cotidiano da zona norte do Rio, como um exímio observador do ser humano, a inspiração para os assuntos inesgotáveis que ele transformou em teatro, literatura, romance, conto, crônica e toda a sorte de textos que publicou em vida.
  • Polêmico e provocador, desde muito cedo, seus textos causavam as mais diversas reações nos leitores e espectadores de suas peças. Variando do ódio à admiração passando pelo choque e êxtase, a personalidade e o temperamento do escritor, sempre polêmico e com uma escrita rápida e mordaz, fizeram-no, mesmo durante a ditadura, um autor extremamente popular.
  • A partir da peça “A Falecida”, diante de diversas tragédias, experiências desagradáveis, censura, perseguição e diversos desapontamentos em sua vida, Nelson Rodrigues mudou seu teatro, focando suas peças na realidade da zona norte carioca, com personagens facilmente identificáveis pelo público, bastante populares, com gírias e nuances reconhecidas por seu público. Neste cenário, usando esses personagens, o autor tratou de todo o universo humano indo, segundo Ruy Castro (seu biógrafo), literalmente, às entranhas da alma do ser humano.
  • A obra completa de Nelson Rodrigues é muito vasta, sendo, ainda segundo Ruy Castro (autor da Biografia de Nelson, chamada “O anjo pornográfico”), impossível de catalogar completamente, citando como exemplo, a coluna “A Vida como ela é” em que Nelson Rodrigues deva ter escrito cerca de DUAS MIL colunas. Nelson Rodrigues foi um caso raro de sucesso reconhecido pelo público e pela crítica ainda em vida, embora tivesse grande número de inimigos e sofresse perseguição pesada pela censura. Foi muito admirado e reconhecido. 
  • Influente até hoje, sua obra choca as plateias provocando admiração e deslumbramento e nunca, indiferença. A dica desta semana é resgatar Nelson Rodrigues (nesta época tão conectada - que ele, decerto, criticaria) seja através de suas peças, seja por suas crônicas e deliciosos textos jornalísticos. Eu recomendo os livros “A vida como ela é”, as montagens teatrais, cinematográficas ou televisivas de “Vestido de noiva”, “Bonitinha mas ordinária ” e os filmes “a dama do lotação”, “Toda nudez será castigada”, “os sete gatinhos” e “O beijo no asfalto”.

Edgar Allan Poe, a trágica vida do mestre do horror e do mistério

 Edgar Allan Poe, a trágica vida do pai das histórias de detetive
=======================

O início da era atômica

O início da era atômica
=======================
  • Nosso tema desta semana é um acontecimento histórico que influenciaria bastante o século XX e a humanidade desde então. Algo com consequências marcantes que até hoje incita debates.
  • Era 6 de agosto de 1945 quando a super-fortaleza voadora, B-29, do 509o. (quingentésimo nono) grupo misto da 20a. Força aérea, o Enola Gay, batizado em homenagem à mãe do piloto Paul Tibetts Jr, decolou do pequeno atol de Tinian, no Pacífico e seguiu para seu objetivo, a ponte Aioi, no centro da oitava maior cidade do Japão. Em seu interior ele levava aquilo que mudaria a humanidade para sempre.
  • Eram precisamente 8:15 da manhã de 6 de agosto de 1945 quando o Enola Gay solta sobre Hiroshima a primeira bomba atômica usada para um ataque na história. Mais de cem mil civis morreram (muitas sendo desintegradas) e outros milhares levaram feridas e sequelas horríveis pelo resto da vida. Antes que pudessem assimilar o que os havia atingido, uma outra bomba atômica é lançada, três dias depois sobre Nagasaki, matando mais 80.000 civis e ferindo vários milhares de outros ao redor dos anos pelos efeito da radiação.
  • Em Hiroshima, todos os relógios pararam exatamente na mesma hora, 8:15. Eles marcavam o início da era atômica.
  • Apesar de extremamente cruel e injusto, o ataque americano funciona e em 14 de agosto de 1945 os japoneses ouvem, pelo rádio, a voz de seu imperador Hiroito pela primeira vez, anunciando a rendição do país.
  • Acaba a segunda guerra mundial. Mais de 53 milhões de pessoas perderam a vida na maior guerra já vista na história da humanidade.
  • As bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, são chamadas atômicas porque usam o poder e a energia do átomo para causar reações em cadeia altamente energéticas. A bomba que caiu sobre Hiroshima, batizada de “Little Boy”, era uma bomba de fissão do elemento Urânio. Uma bomba de fissão quebra os átomos de urânio em dois, liberando no processo muita energia. A bomba de Nagasaki, chamada de “fat man”, era uma bomba de plutônio.
  • O lançamento das bombas sobre o Japão são resultado de uma grande corrida armamentista e de engenharia que envolveu muitos pesquisadores, cientistas e um custo aproximado de 2 bilhões de dólares. Todos as potências em guerra buscavam a bomba.
    Após o final da segunda guerra, com o mundo dividido pela guerra fria, os países iniciaram uma corrida para quem tinha a maior, a melhor e as mais destrutivas bombas. Isso levou às bombas de fusão nuclear, quando os átomos se fundem, liberando muita energia no processo (ainda mais energia do que o processo de fissão). O processo de fissão é o que ocorre a todo instante no sol, liberando luz e calor para a o sistema solar.
    A primeira bomba de fusão , a Ivy Mike, explodiu em 1952 liberando 10 megatons de TNT ou 450x a energia liberada em Nagasaki, tão potente que transformou a ilha em que ela foi testada em uma cratera de 2km de diâmetro e 55 metros de profundidade.
    Em 1953 os soviéticos fizeram o primeiro teste da bomba de fusão deles, a RDS-6 e em 1961 eles testaram a Tzar Bomb, tao potente que realizaram o teste com somente metade de sua capacidade real, naquela que foi a maior detonação da história da humanidade, com 50 megatons, ou 10x a potência de TODAS as bombas lançadas na segunda guerra mundial, gerou um terremoto que rodou o mundo e quebrou janelas a centenas de quilômetros de distância. 
  • Pela primeira vez a humanidade tinha a possibilidade de destruir a si mesma se quisesse, em caso de uma guerra termonuclear global. Em 1968 foi assinado o Tratado de Não-proliferação nuclear na ONU que tentava impedir a corrida nuclear e estabelecer cooperação em temas de energia nuclear pacífica.
  • Bombas atômicas são as armas de destruição em massa mais poderosas existentes.A existência delas (e seu uso em guerras) nos leva a reflexões importantes sobre a fragilidade de nossa existência e do poder beligerante do ser humano. Claro há as possibilidades médicas, energéticas e outras boas aplicações da energia atômica. Mas a parte beligerante, de fato, nos assusta.
  • Livros, filmes, séries, documentários, museus, poemas (como “A Rosa de Hiroshima” De Vinícius de Moraes) e pinturas foram feitas tendo a era atômica como inspiração. 
  • Há 75 anos a humanidade ficou parada, como os relógios de Hiroshima, atônita, com a possibilidade de autodestruição. Como a invisível radiação que nos destrói, a era atômica nos lançou na terrível possibilidade de destruir o único lar que conhecemos.

A BÍBLIA, o livro dos livros

A BÍBLIA, o livro dos livros
====================
  • Nesta semana, como sempre, temos muitas e muitas datas comemorativas relativas à cultura. Entre elas posso citar: O nascimento de Alexis de Tocqueville [alɛkˈsi dətɔkˈvil], famoso pensador político, historiador e escritor francês, no dia 29 de julho, dia também da morte de Van Gogh. Atém dos nascimentos de Máirio Quintana, no dia 30, J. K. Rowling, dia 31, os nascimentos de Yves Saint-Laurent e Ney Matogrosso no dia 01 de agosto e a morte de Luís Gonzaga no dia 2 de agosto.
  • Mas o tema de nossa semana é um livro que está traduzido em 2.167 idiomas e dialetos e que, no último século, teve edições totalizando mais de 2 bilhões de exemplares. Ele está ao alcance de 85% da humanidade e é lido há cerca de 3 mil anos! Esse livro é a Bíblia, que merece, com justiça, o título de maior best-seller de todos os tempos. E é, também, o meu livro preferido (tanto como guia espiritual como por ser a base de toda a grande literatura ocidental).
  • É claro que a grande maioria das pessoas lê a Bíblia por motivos religiosos (incluindo eu), afinal , essa é a sua razão de ser, um guia ético-espiritual, uma fonte de disposições e ensinamentos de caráter fundamental religioso. Mas, nada impede que o conjunto de textos que a integra possa (e, reforço, DEVA) ser lido e apreciado também como documento histórico e, claro, como literatura. E não, isto não é heresia.
  • Eu leio bastante. Sou um leitor ávido. E também sou um cristão devoto. Mas, quanto mais eu leio literatura ocidental, mais eu percebo que praticamente tudo já está lá, na Bíblia. (ao que eu acrescentaria também a Ilíada e a Odisséia de Homero).
  • Aqui eu quero fazer um aviso ao ouvinte: a Bíblia é um livro considerado sagrado por quase 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Inclusive por mim. Mas, nada, repito, nada impede deste livro seminal ser apreciado também como fonte de praticamente toda a literatura do ocidente. Isso não a diminui, pelo contrário, deixa a Bíblia ainda maior e ainda culturalmente mais importante, por atingir os religiosos e os não religiosos (ou que professam uma fé diferente da nossa).
  • Voltando: Bíblia em grego, significa “dos livros”. Na religião cristã é dividida em Antigo e Novo Testamento. Como a primeira expressão não é reconhecida pelo judaísmo tradicional (que também a usa), os estudiosos preferem, a denominação Bíblia Hebraica. É o Tanach, uma sigla formada pelas letras T, de Torá (ou Pentateuco, em grego: os cinco livros de Moisés), N de Neviim (profetas) e o Ch de Chetubim (escritos).
  • Portanto, há muitas versões do livro que chamamos Bíblia. Os Cristãos tem, ao menos 3 versões principais, a católica, com alguns livros a mais que a protestante, e a Bíblia grega ou russa ortodoxa que possuem alguns livros a mais que a católica além da Bíblia Hebraica ou Tanach.
  • Para os religiosos o autor da Bíblia é o próprio Deus que inspirava a transcrição humana. Foi escrita (ou transcrita) em diversos lugares como a Babilônia, no Egito, na Palestina, na Síria, na Ásia Menor, na Grécia entre muitos outros lugares.
  • O texto está, em sua maior parte, originalmente escrito em hebraico, o idioma mais usado antes do cativeiro dos judeus na Babilônia e também o idioma litúrgico. Depois do cativeiro, o povo judeu passou a falar aramaico, mas apenas uma pequena parte da Bíblia foi escrita (ou transcrita) neste idioma. Também foi escrita (ou transcrita) em Grego (ou koiné), linguagem popular helenística. Há versões em latim, grego e em aramaico e hebraico (de onde partiriam todas as demais traduções ao redor do globo).
  • A Bíblia não é uma leitura monótona, como acontece com muitos livros religiosos. Ao contrário. Variedade é o que não falta. São numerosas e grandes narrativas, diversos gêneros, histórias, poemas, ditos, profecias, parábolas, provérbios, metáforas, enfim. De estilo narrativo sintético e econômico o texto não perde tempo com descrições enfadonhas. O que interessa é o que aconteceu e a lição que daí se pode extrair.
  • A Bíblia, meu livro favorito sempre, tem tudo que um grande livro tem que ser: imensa, inexaurível, inesgotável. Daria para passar a vida inteira lendo e se fosse o único livro que uma pessoa lesse, daria para extrair dela beleza, filosofia, sentimento, poesia, inspiração e, claro, fé. Daria para extrair dela, o universo. A recomendação é: leia a Bíblia, o livro dos livros, seja por fervor religioso ou pelo prazer da leitura. Não é à toa que ela tem sido a inspiração de quase tudo o que se faz em termos de artes no ocidente desde sempre.

Ernest Hemingway e Alexandre Dumas

Ernest Hemingway e Alexandre Dumas
=====================
  • Esta é uma semana com muitas datas relevantes para a área cultural. Temos o aniversário de nascimento de Simón Bolívar, dia 21; Bernard Shaw, Jung, Aldous Huxley, Stanley Kubrick e Mick Jagger no dia 26.
  • Mas o tema de nossa semana são dois grandes escritores que também nasceram nesta semana. Um é o americano, Ernest Hemingway, nascido no dia 21 e o outro é o grande escritor francês Alexandre Dumas (o pai), nascido no dia 24.
  • Ernest Miller Hemingway, nasceu dia 21 de 1899 (há, exatos, 120 anos) em Oak Park, no estado de Illinois. Foi correspondente de guerra em Madrid durante a guerra civil espanhola (1936-1939). Ganhou o prêmio Pullitzer em 1953 e, no ano seguinte, ganhou o prêmio Nobel de Literatura. Cometeu suicídio em Ketchum, no estado Idaho em 1961.
  • Hemingway foi um dos mais populares escritores americanos do século XX, com reconhecimento ainda em vida. Logo em seu primeiro livro, “O sol também se levanta” de 1926 ele fez um grande levantamento da vida das pessoas no pós-primeira guerra mundial, com as dificuldades dos soldados que, basicamente, não tinham mais o que fazer em tempos de paz. 
  • Hemingway tem um estilo seco, direto, despido de enfeites e ornamentos, organizado e bem estruturado, com uma linguagem que procura evitar as armadilhas do sentimentalismo, com sentenças curtas que criam um ritmo composto por pequenos golpes certeiros.
  • Também escreveu muitos contos (onde se estilo se revela ainda mais poderoso) . Escreveu outros livros icônicos como “Adeus às armas” de 1929, o excelente “Por quem os sinos dobram” de 1940, onde o personagem Robert Jordan luta contra o fascismo na guerra civil espanhola. No título, o escritor lembra uma citação do poeta inglês John Donne, “nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. Ou seja, a morte de qualquer homem nos diminui porque todos estamos envolvidos na humanidade. Uma ameaça à liberdade em qualquer lugar diz respeito a todos, em todos os lugares; a violência cometida em alguma parte significa violência por toda parte.
  • Em 1952 seria publicado, na minha opinião, o melhor livro de Hemingway, “O velho e o mar” uma parábola lindíssima sobre força, coragem e determinação, trazendo como protagonista um velho pescador cubano e sula luta para capturar e trazer à terra firma um grande marlin. Ele consegue, mas no caminho, o peixe é devorado por tubarões. Algumas pessoas riem, mas o pescador demonstra resignação, altivez e firmeza diante da derrota. Ele ganhou o Pulitzer por este livro dois anos depois o Nobel de Literatura. Seus últimos anos foram repletos de problemas familiares, doença, tristeza e depressão. Suicidou-se em 2 de julho de 1961 com um tiro na cabeça em sua casa. Mais de 20 filmes e centenas de peças de teatro foram feitas com base em suas obras.
  • O outro grande escritor homenageado esta semana é Alexandre Dumas, o pai é um conhecido e popular escritor francês cujas histórias tem hoje muitas versões cinematográficas e que, à época, renderam-lhe uma fortuna.
  • Quase todos os ouvintes já ouviram falar de “Os três mosqueteiros” de 1844, “O conde de Montecristo” de 1845, “A rainha Margot” de de 1845 e de outras de Alexandre Dumas. O escritor nasceu dia 24 de julho de 1802 em Villers-Cotterêts, 217 anos atrás, portanto. 
  • Seus personagens eram figuras interessantes, vivendo romances e aventuras, com uma pena contumaz e otimista do bon-vivant, cheio de amantes cuja vida parodia as aventuras de suas obras.
  • Na época em que viveu, Dumas foi rejeitado pela academia acusado de “fabricar romances”. Os jornais disputavam os capítulos de seus folhetins, os quais mesclavam histórias e anedotas. 
  • Escreveu também teatro e tornou-se mestre no “romance teatral histórico”. Pretendia, como dizia, “divertir os que sabiam e instruir os que não sabiam”. Sua carreira foi, portanto, de rejeição da crítica e idolatria popular. Dilapidou sua fortuna e divertiu-se. Acumulou dívidas tendo que fugir à Bélgica dos credores. 
  • Sua vida foi marcada pelo racismo embora tenha origens aristocráticas. Faleceu dia 5 de dezembro de 1870.
    Em 2002 as cinzas de Dumas foram transferidas por quatro “mosqueteiros”, ao som de orquestra da guarda republicana, para o Panteão, monumento reservado aos grandes da França.
  • A honraria reconheceu que, apesar de a França ter produzido vários grandes escritores, nenhum deles foi tão lido quanto Alexandre Dumas. Suas histórias foram traduzidas em quase 100 idiomas, e inspiraram mais de 200 filmes.

Nelson Mandela e o Apartheid

Nelson Mandela e o Apartheid
====================
  • Esta semana temos diversas datas importantes relacionadas à cultura, entre elas, o nascimento de Ingmar Bergman, na segunda-feira, dia 14 de julho, os filósofos Walter BENjamin,  Jacques DerriDA e o pintor Rembrandt no dia 15, temos também o pintor francês Degas, o sociólogo e filósofo Marcuse, o guitarrista Brian May do Queen no dia 19 além do aniversário do primeiro pouso na lua, o nascimento de Alexandre, o Grande e do inventor brasileiro Santos Dumont no dia 20.
  • Mas o tema de nossa semana é uma importante figura histórica do século XX. Alguém que lutou a luta política, a luta armada, foi preso como terrorista, quando na verdade lutava pela libertação e igualdade de todo um povo, passou 27 anos na cadeia, foi libertado e ainda levou seu país a uma reconstrução democrática com uma tentativa de inclusão. Vencedor do prêmio NoBEL da paz de 1993. Sim, ouvintes, esta semana, vamos falar de Nelson Mandela, cujo aniversário de nascimento será comemorado nesta semana, no dia 18 de julho.
  • Nelson Rolihlahla Mandela, nasceu no dia 18 de julho de 1918 (há, portanto, 101 anos) na pequena vila de Mvezo, Cabo Oriental, na África do Sul e morreu dia 5 de dezembro de 2013 em Joanesburgo). A trajetória dele nos faz compreender o Apartheid, o terrível regime racista que excluía a imensa maioria da população negra do país.
  • A África do Sul é uma nação multiétnica, com muitas tribos antigas que habitam a região do país, entre elas, os povos San, ou um dos povos que falam uma das 11 línguas oficiais do país, como o Bantu, o Swahili, o Zulu, o Swazi ,o Xhosa, entre outras.
  • No final do século XVIII os britânicos iniciam a conquista da região por sua localização estratégica e pela descoberta de metais preciosos levando os africâneres, descendentes de europeus protestantes de origem alemã, escandinava e, principalmente, holandesa,  cada vez mais para o interior.
  • Em 1910, após vitórias britânicas contra bôeres e zulus é criada a União Sul-Africana, unificando os territórios existentes. O racismo latente fazia com que as relações entre os povos fosse extremamente complexa e cheia de ressentimentos. É desta época o “Natives Land Act” ou “ato de terras nativas” que vigorou por 80 anos que regulava as terras propícias à agricultura. Esta lei dizia que só 8% das terras cultiváveis do país eram disponíveis aos negros, embora 80% da população fosse negra ou miscigenada.
  • É desta época que se forma também o African National Congress, ou o Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela. Em 5 de outubro de 1960 é realizado um referendo em que os eleitores decidem pela separação da África do Sul com a coroa Britânica e a declaração da República da África do Sul. Nos próximos 30 anos o debate sobre o Apartheid seria intenso (no país e ao redor do mundo)
  • O Apartheid era caracterizado por uma combinação de autoritarismo do estado com uma ideologia racial de supremacia branca (o baasskap). As pessoas, seres humanos, foram serradas entre brancas e não-brancas, incluindo os indianos (Gandhi, por exemplo, morou na África do Sul por duas décadas e foi lá que ele iniciou seu ativismo).
  • As leis racistas proibiam casamentos interraciais, estabeleciam onde cada pessoa poderia viver ou trabalhar, criando 10 reservas para as populações não-brancas. Estima-se quem entre 1960 e 1983, 3,5 milhões de pessoas foram deslocadas de forma forçada.
  • A violência física foi outro elemento do Apartheid, com o uso da polícia e do exército contra a população negra que organizou grupos armados para resistência. A violência era tanto interracial quanto ideológica. Um dos grupos armados era a Lança da Nação, fundado por Mandela.  Ele foi preso e condenado à prisão perpétua pelo regime do Apartheid e passou 27 anos preso. Nos anos 1980 o país vivia sanções econômicas e esportivas, além de tensão interna, com um estado de emergência entre 1985 e 1989. 
  • Esse cenário faz com que o presidente de Klerk liberte Mandela que negociou o fim do regime do Apartheid e que juntamente com seu partido organizaram as eleições de 1994, as primeiras democráticas da história da África do Sul em que Mandela foi vitorioso.
  • Ele buscou uma nova constituição e criou uma Comissão de reconciliação em que ele defendia a não-violência e que o momento era a de a criação de uma nova nação multiétnica, baseada no perdão.
  • Mandela, foi portanto, um exemplo de reconstrução de uma sociedade, um político que marcou profundamente seu país e a história do século XX. Seu legado se estende por todo o mundo e por todos aqueles que lutam por uma sociedade mais igualitária, com oportunidades para todos, livre do racismo e mais humana.
  • Há inúmeros livros, filmes e documentários sobre Mandela, dos quais eu indico os livros, O Sorriso de Mandela, de John Carlin (que eu li este ano em espanhol) e Longa Caminhada até a liberdade, sua autobiografia e os filmes Invictus (2009) com Morgan Freeman e Matt Damon e Mandela: Luta pela liberdade (2007).
  • Que a história de Mandela nos inspire a criar uma cultura de paz, de respeito, de liberdade, sem racismo e mais humana.

Dia Mundial do Rock

Dia Mundial do Rock
============================
  • Nesta semana, temos várias datas importantes para a cultura, entre eles os aniversário de nascimento de Marcel Proust, Carlos Chagas, João Calvino, Carlos Gomes, Pablo Neruda, Júlio César e Thoreau.
  • Mas vamos falar aqui em nossa coluna de uma data que marca algo que foi extremamente importante para a cultura do século XX, o dia mundial do rock, comemorado no dia 13 de julho.
  • Esta data, embora tenha mundial em seu nome, é comemorada somente no Brasil, e remete ao espetáculo Live Aid, organizado dia 13 de julho de 1985(há 34 anos). Este foi um concerto de rock realizado simultaneamente em Londres e na Filadélfia. O objetivo era arrecadar fundos para auxiliar no combate à fome na Etiópia.
  • Entre os participantes, estavam The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.
  • A partir dos anos 1990 esta data passou a ser considerada no Brasil como o dia mundial do Rock.
  • E não há nenhum estilo musical que tenha marcado tão profundamente o século XX e tenha influência tão marcante ainda hoje na cultura quanto o rock and roll.
  • E tudo começou em 1955, há, portanto, 64 anos, quando Bill Halley and His comets lançaram a música “Rock Around the Clock” que chegou ao primeiro lugar nas paradas americanas na segunda semana de julho daquele ano.
  • Inicialmente visando os quadris o rock nascia e inaugurava uma época de mudanças, uma época em que os jovens queriam dançar sem parar. Naquele começo que hoje consideraríamos ingênuo, o rock visava a dança corporal, como o balanço sensual de Elvis Presley e a ginga de Mick Jagger. 
  • Depois veio a dança das cabeças, o rock psicodélico da segunda metade dos anos 1960, uma viagem cerebral sempre amarrada ao ritmo, muito mais do que à melodia ou à harmonia da música.
  • E aquele ritmo era irresistível. Logo após o final da segunda grande guerra, a herança afro-americana, batucada no violão do delta do Mississipi, martelada no piano do boogie woogie, ritmadas com o swing das big bands e com pitadas de rhythm & blues com combos de guitarra, baixo e bateria levariam os baby boomers à uma mudança total de atitudes e pensamentos que levariam as grandes revoluções culturais do século XX (os direitos civis, a revolução sexual, o movimento pacifista, a afirmação das mulheres entre muitos outros) . O rock foi a trilha sonora de todas as posteriores gerações de jovens ao redor do mundo.
  • Dos hippies e psicodélicos dos anos 1960, à cultura disco e glam dos anos 1970, passando pelo hard rock, pelo punk e pelo heavy metal, todas as gerações de jovens tiveram seu som. O Brasil conheceu sua década de ouro roqueira nos anos 1980 com uma explosão de bandas e gravações de rocks que faziam a cabeça dos jovens que lutavam pela abertura política após 20 anos de ditadura militar.
  • Até mesmo os 1990, com a renovação do punk através do grunge e os anos 2000 com as combinações eletrônicas e experimentações do indie rock, o estilo rock and roll seguiu se inventando e reinventando.
  • Sua influência ao redor do mundo é gigantesca e não poderia jamais se esgotar no pequeno espaço que dispomos. Ao ouvinte vale recordar que, de uma maneira ou de outra, o rock and roll, seu ritmo, sua batida, seu compasso de 4 tempos influenciou quase toda a música e cultura popular que vieram depois. E continua influenciando até hoje.
  • São muitos os artistas populares e grandes atores deste estilo, desde os já citados, Elvis Presley e Bill Halley passando por Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, os Beatles, os Rolling Stones, o Led Zeppelin, o Pink Floyd, Jimi Hendrix,  Sex Pistols, The Clash, Iron Maiden, Metallica, Hellowen, Guns and Roses, Nirvana, Pearl Jam, Queen, The Strokes, White Stripes, System of a Dawn, Coldplay enfim, a lista é imensa, interminável e depende do gosto do ouvinte. No Brasil temos desde Raul Seixas aos Secos e Molhados, passando por todo o rock dos anos 1980, Cazuza, Barão Vermelho, RPM, Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso até os mais recentes Skank, Charlie Brown, Raimundos, CPM 22, Detonautas, Pitty, O Rappa entre outros.
  • A dica desta semana é ouvir os sons e as influencias do rock, assistir alguns dos centenas de filmes baseados em rock ou que tenham rock como trilha sonora. O rock and roll will never die, nunca morrerá, como diz, Neil Young. Ele apenas, como o mundo, se transformou!
Próxima página

Megafono