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A BÍBLIA, o livro dos livros

A BÍBLIA, o livro dos livros
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  • Nesta semana, como sempre, temos muitas e muitas datas comemorativas relativas à cultura. Entre elas posso citar: O nascimento de Alexis de Tocqueville [alɛkˈsi dətɔkˈvil], famoso pensador político, historiador e escritor francês, no dia 29 de julho, dia também da morte de Van Gogh. Atém dos nascimentos de Máirio Quintana, no dia 30, J. K. Rowling, dia 31, os nascimentos de Yves Saint-Laurent e Ney Matogrosso no dia 01 de agosto e a morte de Luís Gonzaga no dia 2 de agosto.
  • Mas o tema de nossa semana é um livro que está traduzido em 2.167 idiomas e dialetos e que, no último século, teve edições totalizando mais de 2 bilhões de exemplares. Ele está ao alcance de 85% da humanidade e é lido há cerca de 3 mil anos! Esse livro é a Bíblia, que merece, com justiça, o título de maior best-seller de todos os tempos. E é, também, o meu livro preferido (tanto como guia espiritual como por ser a base de toda a grande literatura ocidental).
  • É claro que a grande maioria das pessoas lê a Bíblia por motivos religiosos (incluindo eu), afinal , essa é a sua razão de ser, um guia ético-espiritual, uma fonte de disposições e ensinamentos de caráter fundamental religioso. Mas, nada impede que o conjunto de textos que a integra possa (e, reforço, DEVA) ser lido e apreciado também como documento histórico e, claro, como literatura. E não, isto não é heresia.
  • Eu leio bastante. Sou um leitor ávido. E também sou um cristão devoto. Mas, quanto mais eu leio literatura ocidental, mais eu percebo que praticamente tudo já está lá, na Bíblia. (ao que eu acrescentaria também a Ilíada e a Odisséia de Homero).
  • Aqui eu quero fazer um aviso ao ouvinte: a Bíblia é um livro considerado sagrado por quase 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Inclusive por mim. Mas, nada, repito, nada impede deste livro seminal ser apreciado também como fonte de praticamente toda a literatura do ocidente. Isso não a diminui, pelo contrário, deixa a Bíblia ainda maior e ainda culturalmente mais importante, por atingir os religiosos e os não religiosos (ou que professam uma fé diferente da nossa).
  • Voltando: Bíblia em grego, significa “dos livros”. Na religião cristã é dividida em Antigo e Novo Testamento. Como a primeira expressão não é reconhecida pelo judaísmo tradicional (que também a usa), os estudiosos preferem, a denominação Bíblia Hebraica. É o Tanach, uma sigla formada pelas letras T, de Torá (ou Pentateuco, em grego: os cinco livros de Moisés), N de Neviim (profetas) e o Ch de Chetubim (escritos).
  • Portanto, há muitas versões do livro que chamamos Bíblia. Os Cristãos tem, ao menos 3 versões principais, a católica, com alguns livros a mais que a protestante, e a Bíblia grega ou russa ortodoxa que possuem alguns livros a mais que a católica além da Bíblia Hebraica ou Tanach.
  • Para os religiosos o autor da Bíblia é o próprio Deus que inspirava a transcrição humana. Foi escrita (ou transcrita) em diversos lugares como a Babilônia, no Egito, na Palestina, na Síria, na Ásia Menor, na Grécia entre muitos outros lugares.
  • O texto está, em sua maior parte, originalmente escrito em hebraico, o idioma mais usado antes do cativeiro dos judeus na Babilônia e também o idioma litúrgico. Depois do cativeiro, o povo judeu passou a falar aramaico, mas apenas uma pequena parte da Bíblia foi escrita (ou transcrita) neste idioma. Também foi escrita (ou transcrita) em Grego (ou koiné), linguagem popular helenística. Há versões em latim, grego e em aramaico e hebraico (de onde partiriam todas as demais traduções ao redor do globo).
  • A Bíblia não é uma leitura monótona, como acontece com muitos livros religiosos. Ao contrário. Variedade é o que não falta. São numerosas e grandes narrativas, diversos gêneros, histórias, poemas, ditos, profecias, parábolas, provérbios, metáforas, enfim. De estilo narrativo sintético e econômico o texto não perde tempo com descrições enfadonhas. O que interessa é o que aconteceu e a lição que daí se pode extrair.
  • A Bíblia, meu livro favorito sempre, tem tudo que um grande livro tem que ser: imensa, inexaurível, inesgotável. Daria para passar a vida inteira lendo e se fosse o único livro que uma pessoa lesse, daria para extrair dela beleza, filosofia, sentimento, poesia, inspiração e, claro, fé. Daria para extrair dela, o universo. A recomendação é: leia a Bíblia, o livro dos livros, seja por fervor religioso ou pelo prazer da leitura. Não é à toa que ela tem sido a inspiração de quase tudo o que se faz em termos de artes no ocidente desde sempre.

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