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Chico Buarque é do Brasil!

Chico Buarque é do Brasil
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  • Nas duas últimas semanas, caros e caras ouvintes, falamos sobre dois grandes escritores estrangeiros, um de língua inglesa, Conan Doyle e outro de língua alemã, Franz Kafka. Hoje, eu gostaria de falar de um escritor, compositor, músico, poeta e dramaturgo que fala nossa língua, mas especificamente, que fala o Português falado no Brasil.
  • Aproveitando que dia 21 de maio, semana passada, saiu o ganhador da 31a. edição do Prêmio Camões, o maior e mais importante prêmio da Língua Portuguesa vencido de forma unânime pelo brasileiro, Chico Buarque, pelo conjunto da sua imensa obra.
  • Falar sobre a importância e o tamanho cultural de um gênio como Chico Buarque é até complicado nos poucos minutos que dispomos, dada a sua relevância, a sua influência e sua força na cultura popular brasileira.
  • Francisco Buarque de Holanda, nasceu dia 19 de junho de 1944, tem, portanto, 74 anos no Rio de Janeiro, à época ainda a capital federal do Brasil. É filho de Sérgio Buarque de Hollanda (1902–1982), um importante historiador e jornalista brasileiro, e de Maria Amélia Cesário Alvim (1910–2010), pintora e pianista.
  • Casou-se com Marieta Severo no ano de 1966, com quem teve três filhas: Sílvia Buarque, Luísa Buarque e Helena Buarque. O cantor tem, também, cinco netos. Foi casado com a atriz até o ano de 1999. De uma família de intelectuais, como Cristóvão Buarque de Holanda, Cesário Alvim, sempre esteve imerso nesta atmosfera de intelectualidade e cultura em sua casa.
  • Falar da importância e da magnitude de Chico Buarque é exercitar o óbvio, portanto vou fazer apenas alguns apontamentos para a extensa, inacabada e prolífica carreira do músico, dramaturgo, compositor, poeta e escritor.
  • Chico escreveu seu primeiro conto aos 18 anos, ganhando destaque como cantor a partir de 1966, quando lançou seu primeiro álbum, Chico Buarque de Hollanda, e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a música A Banda.
  • Autoexilou-se na Itália em 1969, devido à crescente repressão do regime militar do Brasil nos "anos de chumbo", tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país.
  • Sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos, entre eles discos-solo, em parceria com outros músicos e compactos. No universo da música fez parceria com compositores e interpretes de grande destaque entre eles, Vinícios de Morais, Tom Jobim, Toquinho, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Edu Lobo, Francis Hime, Elis Regina, Paulo Vanzolini, Nara Leão, Gal Costa, Elba Ramalho  entre muitos outros nacionais e internacionais.
  • Como músico e compositor, Chico tem grandes e imortais obras como Cálice, Apesar de Você, Geni e o Zeppelin, O que será, Construção, Cotidiano, Mulheres de Atenas, Yolanda, Carolina, Sei Lá, Paratodos entre muitas outras. O destaque vai para o eu-lírico feminino, retratando temas a partir do ponto de vista das mulheres com incrível poesia e beleza. Além de letras com alto teor social e político, sem deixar de lado o lirismo e a poesia de influencia de Noel Rosa, Vinícius de Morais e outros modernistas e clássicos.
  • A Obra Teatral de Chico é também fortemente inspirada por temas sociais e cotidianos. O destaque vai para Roda Viva, Calabar, Gota d’água e Opera do Malandro. Como Dramaturgo Chico leva seu lirismo aos palcos com inteligência e força criativa.
  • E como escritor além de um conto escrito com 18 anos o autor tem os livros, Estorvo (1991), Benjamim (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009) e O Irmão Alemão (2014). Das quais destaco: Budapeste e Leite Derramado. Os livros de Chico são Narrados com uma poesia muito refinada e com detalhes impressionantes (Chico se tornou um mestre na descrição detalhada das coisas, a própria descrição tem cheiro, textura, cor etc.). São livros densos e muito interessantes. Uma obra sólida e, de fato, uma das melhores do brasil e de Língua Portuguesa dos últimos anos.
  • Chico é, portanto, um gênio e o prêmio Camões se junta a outros 10 prêmios nacionais e internacionais, como o Festival da Música Popular Brasileira, Festival Internacional da Canção, Troféu Imprensa, Prêmio Jabuti, Grammy Latino, Prêmio Casa de las Américas, Troféu APCA, Ordem do Mérito Cultural, Prêmio Bravo! Prime de Cultura e o Prêmio da Música Brasileira.
  • Chico Buarque deve ser estudado, ouvido, lido, assistido por todos. São raros os países do mundo que tem o privilégio de ter alguém da envergadura cultural, intelectual, musical e literária de um Chico Buarque. Somos, nós, brasileiros, os privilegiados. Parabéns ao Chico. Parabéns ao Brasil.

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