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Dom Quixote e a invenção do romance moderno

Dom Quixote e a invenção do romance moderno
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  • Esta semana, lembramos os aniversários de nascimento de Molière  e Martin Luther King Jr. (15), Benjamin Franklim (17) e Montesquieu (18). Mas a coluna tem o prazer de homenagear os 415 anos da invenção do romance moderno como o conhecemos. Neste dia, em 1605, foi publicado, pela primeira vez, na Espanha, a obra seminal, El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha, ou, como ficou conhecido, o livro, Dom Quixote de La Mancha.
  • É um livro que tem uma influência tão grande na cultura universal, popular ou erudita, que falar de sua importância é o mesmo que exercitar o óbvio. É um dos livros mais importantes e populares de todos os tempos. Foi traduzido para mais de 50 línguas e dialetos e  pode ser lido gratuitamente em todos eles.
  • Considerada a maior obra da literatura espanhola e o segundo livro mais lido da História, seu contributo para a cultura ocidental é incalculável. Dom Quixote é apontado como o primeiro romance moderno, tendo influenciado várias gerações de autores que se seguiram
  • A obra narra as aventuras e desventuras de Dom Quixote, um homem de meia idade que resolveu se tornar cavaleiro andante depois de ler muitos romances de cavalaria. Providenciando cavalo e armadura, resolve lutar para provar seu amor por Dulcineia de Toboso, uma mulher imaginária. Consegue também um escudeiro, Sancho Pança, que resolve acompanhá-lo, acreditando que será recompensado.
  • Quixote mistura fantasia e realidade, se comportando como se estivesse em um romance de cavalaria e transformando obstáculos banais (como moinhos de vento ou ovelhas) em gigantes e exércitos de inimigos. É derrotado e espancado inúmeras vezes, sendo batizado de "Cavaleiro da Triste Figura", mas sempre se recupera e insiste nos seus objetivos. 
  • Inspirado, portanto, nos romances de cavalaria que já estavam caindo em desuso e no idealismo que atravessava as artes e as letras, Dom Quixote é, ao mesmo tempo, uma sátira e uma homenagem. Mistura tragédia e comédia e combinando registros populares e eruditos de linguagem, esta é uma obra riquíssima. A sua estrutura contribui em larga medida para a sua complexidade, criando várias camadas narrativas que dialogam entre si.
  • A obra teve diversos desdobramentos no rádio, televisão, cinema e teatro em todo o mundo. Um dos mais populares é o musical da Broadway O Homem de la Mancha, que no Brasil ganhou adaptação livre com roteiro de Miguel Falabella.
  • O livro foi lançado em duas partes. A primeira em 1605, e a segunda, dez anos depois. Quando a primeira parte da sua obra-prima foi publicada, Cervantes tinha 58 anos e muita coisa mesmo pra contar. Como já falamos em outro episódio de nossa coluna, ele serviu o exército espanhol, teve a mão esquerda inutilizada em combate e, aos 28 anos, foi feito refém por piratas. Escravizado, tentou fugir sem sucesso, e só foi liberto cinco anos depois, quando o resgate foi pago. Ele ainda foi preso por dívidas. O autor é, portanto, tão interessante quanto sua riquíssima obra.
  • Dom Quixote é fácil de ler e de se achar. Basta um rápida pesquisa nos mecanismos de busca da Internet para se deliciar com vídeos, músicas, pinturas, peças de teatro, desenhos, quadrinhos, gravuras, enfim, tudo que a arte já produziu tem ou teve o cavaleiro da triste figura como tema. É possível, claro, encontrar também os livros, tanto os originais (a versão em português tem mais de 1400 páginas) quanto versões resumidas por grandes autores da literatura. A dica, portanto, é conhecer, ler, ouvir, contar e recontar essa obra única que, essa semana, completa 415 anos e segue firme como uma das maiores e melhores histórias da literatura de todos os tempos!

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