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Ernest Hemingway e Alexandre Dumas

Ernest Hemingway e Alexandre Dumas
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  • Esta é uma semana com muitas datas relevantes para a área cultural. Temos o aniversário de nascimento de Simón Bolívar, dia 21; Bernard Shaw, Jung, Aldous Huxley, Stanley Kubrick e Mick Jagger no dia 26.
  • Mas o tema de nossa semana são dois grandes escritores que também nasceram nesta semana. Um é o americano, Ernest Hemingway, nascido no dia 21 e o outro é o grande escritor francês Alexandre Dumas (o pai), nascido no dia 24.
  • Ernest Miller Hemingway, nasceu dia 21 de 1899 (há, exatos, 120 anos) em Oak Park, no estado de Illinois. Foi correspondente de guerra em Madrid durante a guerra civil espanhola (1936-1939). Ganhou o prêmio Pullitzer em 1953 e, no ano seguinte, ganhou o prêmio Nobel de Literatura. Cometeu suicídio em Ketchum, no estado Idaho em 1961.
  • Hemingway foi um dos mais populares escritores americanos do século XX, com reconhecimento ainda em vida. Logo em seu primeiro livro, “O sol também se levanta” de 1926 ele fez um grande levantamento da vida das pessoas no pós-primeira guerra mundial, com as dificuldades dos soldados que, basicamente, não tinham mais o que fazer em tempos de paz. 
  • Hemingway tem um estilo seco, direto, despido de enfeites e ornamentos, organizado e bem estruturado, com uma linguagem que procura evitar as armadilhas do sentimentalismo, com sentenças curtas que criam um ritmo composto por pequenos golpes certeiros.
  • Também escreveu muitos contos (onde se estilo se revela ainda mais poderoso) . Escreveu outros livros icônicos como “Adeus às armas” de 1929, o excelente “Por quem os sinos dobram” de 1940, onde o personagem Robert Jordan luta contra o fascismo na guerra civil espanhola. No título, o escritor lembra uma citação do poeta inglês John Donne, “nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. Ou seja, a morte de qualquer homem nos diminui porque todos estamos envolvidos na humanidade. Uma ameaça à liberdade em qualquer lugar diz respeito a todos, em todos os lugares; a violência cometida em alguma parte significa violência por toda parte.
  • Em 1952 seria publicado, na minha opinião, o melhor livro de Hemingway, “O velho e o mar” uma parábola lindíssima sobre força, coragem e determinação, trazendo como protagonista um velho pescador cubano e sula luta para capturar e trazer à terra firma um grande marlin. Ele consegue, mas no caminho, o peixe é devorado por tubarões. Algumas pessoas riem, mas o pescador demonstra resignação, altivez e firmeza diante da derrota. Ele ganhou o Pulitzer por este livro dois anos depois o Nobel de Literatura. Seus últimos anos foram repletos de problemas familiares, doença, tristeza e depressão. Suicidou-se em 2 de julho de 1961 com um tiro na cabeça em sua casa. Mais de 20 filmes e centenas de peças de teatro foram feitas com base em suas obras.
  • O outro grande escritor homenageado esta semana é Alexandre Dumas, o pai é um conhecido e popular escritor francês cujas histórias tem hoje muitas versões cinematográficas e que, à época, renderam-lhe uma fortuna.
  • Quase todos os ouvintes já ouviram falar de “Os três mosqueteiros” de 1844, “O conde de Montecristo” de 1845, “A rainha Margot” de de 1845 e de outras de Alexandre Dumas. O escritor nasceu dia 24 de julho de 1802 em Villers-Cotterêts, 217 anos atrás, portanto. 
  • Seus personagens eram figuras interessantes, vivendo romances e aventuras, com uma pena contumaz e otimista do bon-vivant, cheio de amantes cuja vida parodia as aventuras de suas obras.
  • Na época em que viveu, Dumas foi rejeitado pela academia acusado de “fabricar romances”. Os jornais disputavam os capítulos de seus folhetins, os quais mesclavam histórias e anedotas. 
  • Escreveu também teatro e tornou-se mestre no “romance teatral histórico”. Pretendia, como dizia, “divertir os que sabiam e instruir os que não sabiam”. Sua carreira foi, portanto, de rejeição da crítica e idolatria popular. Dilapidou sua fortuna e divertiu-se. Acumulou dívidas tendo que fugir à Bélgica dos credores. 
  • Sua vida foi marcada pelo racismo embora tenha origens aristocráticas. Faleceu dia 5 de dezembro de 1870.
    Em 2002 as cinzas de Dumas foram transferidas por quatro “mosqueteiros”, ao som de orquestra da guarda republicana, para o Panteão, monumento reservado aos grandes da França.
  • A honraria reconheceu que, apesar de a França ter produzido vários grandes escritores, nenhum deles foi tão lido quanto Alexandre Dumas. Suas histórias foram traduzidas em quase 100 idiomas, e inspiraram mais de 200 filmes.

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