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Kafta e Kafka são maravilhosos

KAFTA e KAFKA são maravilhosos
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  • Aproveitando a declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que cometeu uma gafe gramatical durante audiência na Comissão de Educação do Senado na terça-feira passada (7) e confundiu kafta, o tradicional (e delicioso) espeto árabe de carne com o escritor tcheco Franz Kafka e gerou polêmica, vamos falar um pouco sobre este que foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pela crítica (e por seus milhões de leitores), como um dos escritores mais influentes do século XX.
  • František Kafka (franTICHEk Kafka), ou Franz Kafka, nasceu em 3 de julho de 1883 (há 136 anos, portanto), na belíssima cidade de Praga, na Boêmia, à época, parte do Império Austro-Húngaro e hoje capital da República Tcheca e faleceu na cidade de Klosterneuburg (klosternóibug), República Austríaca, atual Áustria em 3 de junho de 1924 com apenas 40 anos!
  • Ele é tão influente que mesmo quem nunca leu (ou conhecia) Kafka já ouviu o adjetivo “kafkiano”, palavra que resume cenas surreais que surgem na nossa vida, ou a perplexidade diante do bizarro, geralmente causado por algo medíocre travestido de poder. 
  • A expressão kafkiano, remete também a algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações que estão em suas magníficas obras. Infelizmente, ele não publicou muitos livros, mas alguns dos principais são “O Processo”, “O Castelo” e “A metamorfose”.
  • De família judaica de classe média, o autor tinha fluência em alemão e tcheco, mas ele considerava o alemão como a sua língua materna. Durante a infância viveu de modo solitário, por conta da dedicação de seus pais ao negócio da família, um comércio de artigos e roupas de fantasia.
  • Formou-se em direito e, depois de completar sua educação, conseguiu um emprego em uma companhia de seguros. Começou a escrever contos no seu tempo livre. Kafka preferia comunicar-se através de cartas; escreveu centenas de cartas para sua família e amigas próximas, incluindo seu pai, sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka. Tinha uma relação complicada e turbulenta com seu pai, o que teve uma grande influência sobre sua escrita.
  • E seu estilo de escrever é o que mais fascinou a todos os que vieram depois dele. Ele conseguia, de forma brilhante, descrever situações absurdas como se narrasse algo trivial. Assim acontece na abertura do seu livro mais conhecido, die verwandlung (dÍ FARVANlung), “A metamorfose” que começa assim: “Numa manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto.” Dois parágrafos depois, a metamorfose grotesca já não era a angústia principal, o protagonista se preocupava mais com o atraso no trabalho do que com a nova aparência.
  • O estilo de Kafka é dessa frieza chocante. A narração burocrática do insólito acaba tornado o impossível, provável. Na tradução para o português usou-se a palavra “inseto” para descrever a transformação, mas, no original, em Alemão, não se sabe exatamente em que Gregor Samsa se transforma. Mas o bicho em que ele se transforma é, na verdade, uma visão interior de si mesmo. A metamorfose seria uma metáfora de uma humilhação de um personagem submisso, um homem que aceitou passivamente virar do avesso e se transformar em alguém que ele não queria ser. 
  • O personagem principal é um caixeiro viajante que vendeu a si mesmo, trabalhou à exaustão para sustentar uma família que tinha meios de sobreviver. O personagem não tem ninguém a culpar, a não ser ele próprio, pela vida vazia, sem sentido.
  • A metamorfose foi publicado em 1915 e foi escrito em novembro de 1912. A angústia do personagem principal é sentida por todo o texto fazendo desta obra uma das obras-primas da literatura universal. 
  • O livro é curto, cerca de 100 páginas e pode ser rapidamente lido. Já foi recriada, referenciada ou parodiada em diversos meios na cultura popular. Há cerca de 10 filmes baseados no livro, centenas de peças de teatro (inclusive no Brasil), músicas já foram compostas e programas de rádio já foram feitos baseados na influente obra. A lição que fica ao final do livro é “aceite as mudanças”, “as aparências não importam”e “faça aquilo que você ama”. Uma metáfora maravilhosa sobre a vida dele mesmo e que funciona universalmente, como toda grande Obra.
  • Enfim, essa semana a recomendação da coluna é conhecer Kafka e começar lendo a obra “A metamorfose”, obra incrível e acessível, pois está em domínio público e você pode encontrar facilmente na Internet. Conhecendo Kafka nós nunca mais NOS CONFUNDIREMOS com kafta. Ambos são saborosos e valem muito a pena!

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