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Nelson Mandela e o Apartheid

Nelson Mandela e o Apartheid
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  • Esta semana temos diversas datas importantes relacionadas à cultura, entre elas, o nascimento de Ingmar Bergman, na segunda-feira, dia 14 de julho, os filósofos Walter BENjamin,  Jacques DerriDA e o pintor Rembrandt no dia 15, temos também o pintor francês Degas, o sociólogo e filósofo Marcuse, o guitarrista Brian May do Queen no dia 19 além do aniversário do primeiro pouso na lua, o nascimento de Alexandre, o Grande e do inventor brasileiro Santos Dumont no dia 20.
  • Mas o tema de nossa semana é uma importante figura histórica do século XX. Alguém que lutou a luta política, a luta armada, foi preso como terrorista, quando na verdade lutava pela libertação e igualdade de todo um povo, passou 27 anos na cadeia, foi libertado e ainda levou seu país a uma reconstrução democrática com uma tentativa de inclusão. Vencedor do prêmio NoBEL da paz de 1993. Sim, ouvintes, esta semana, vamos falar de Nelson Mandela, cujo aniversário de nascimento será comemorado nesta semana, no dia 18 de julho.
  • Nelson Rolihlahla Mandela, nasceu no dia 18 de julho de 1918 (há, portanto, 101 anos) na pequena vila de Mvezo, Cabo Oriental, na África do Sul e morreu dia 5 de dezembro de 2013 em Joanesburgo). A trajetória dele nos faz compreender o Apartheid, o terrível regime racista que excluía a imensa maioria da população negra do país.
  • A África do Sul é uma nação multiétnica, com muitas tribos antigas que habitam a região do país, entre elas, os povos San, ou um dos povos que falam uma das 11 línguas oficiais do país, como o Bantu, o Swahili, o Zulu, o Swazi ,o Xhosa, entre outras.
  • No final do século XVIII os britânicos iniciam a conquista da região por sua localização estratégica e pela descoberta de metais preciosos levando os africâneres, descendentes de europeus protestantes de origem alemã, escandinava e, principalmente, holandesa,  cada vez mais para o interior.
  • Em 1910, após vitórias britânicas contra bôeres e zulus é criada a União Sul-Africana, unificando os territórios existentes. O racismo latente fazia com que as relações entre os povos fosse extremamente complexa e cheia de ressentimentos. É desta época o “Natives Land Act” ou “ato de terras nativas” que vigorou por 80 anos que regulava as terras propícias à agricultura. Esta lei dizia que só 8% das terras cultiváveis do país eram disponíveis aos negros, embora 80% da população fosse negra ou miscigenada.
  • É desta época que se forma também o African National Congress, ou o Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela. Em 5 de outubro de 1960 é realizado um referendo em que os eleitores decidem pela separação da África do Sul com a coroa Britânica e a declaração da República da África do Sul. Nos próximos 30 anos o debate sobre o Apartheid seria intenso (no país e ao redor do mundo)
  • O Apartheid era caracterizado por uma combinação de autoritarismo do estado com uma ideologia racial de supremacia branca (o baasskap). As pessoas, seres humanos, foram serradas entre brancas e não-brancas, incluindo os indianos (Gandhi, por exemplo, morou na África do Sul por duas décadas e foi lá que ele iniciou seu ativismo).
  • As leis racistas proibiam casamentos interraciais, estabeleciam onde cada pessoa poderia viver ou trabalhar, criando 10 reservas para as populações não-brancas. Estima-se quem entre 1960 e 1983, 3,5 milhões de pessoas foram deslocadas de forma forçada.
  • A violência física foi outro elemento do Apartheid, com o uso da polícia e do exército contra a população negra que organizou grupos armados para resistência. A violência era tanto interracial quanto ideológica. Um dos grupos armados era a Lança da Nação, fundado por Mandela.  Ele foi preso e condenado à prisão perpétua pelo regime do Apartheid e passou 27 anos preso. Nos anos 1980 o país vivia sanções econômicas e esportivas, além de tensão interna, com um estado de emergência entre 1985 e 1989. 
  • Esse cenário faz com que o presidente de Klerk liberte Mandela que negociou o fim do regime do Apartheid e que juntamente com seu partido organizaram as eleições de 1994, as primeiras democráticas da história da África do Sul em que Mandela foi vitorioso.
  • Ele buscou uma nova constituição e criou uma Comissão de reconciliação em que ele defendia a não-violência e que o momento era a de a criação de uma nova nação multiétnica, baseada no perdão.
  • Mandela, foi portanto, um exemplo de reconstrução de uma sociedade, um político que marcou profundamente seu país e a história do século XX. Seu legado se estende por todo o mundo e por todos aqueles que lutam por uma sociedade mais igualitária, com oportunidades para todos, livre do racismo e mais humana.
  • Há inúmeros livros, filmes e documentários sobre Mandela, dos quais eu indico os livros, O Sorriso de Mandela, de John Carlin (que eu li este ano em espanhol) e Longa Caminhada até a liberdade, sua autobiografia e os filmes Invictus (2009) com Morgan Freeman e Matt Damon e Mandela: Luta pela liberdade (2007).
  • Que a história de Mandela nos inspire a criar uma cultura de paz, de respeito, de liberdade, sem racismo e mais humana.

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