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Um homem que calculava (e encantava) - Malba Tahan

  • A maioria das pessoas, incluindo alguns dos ouvintes já deve ter tido alguns problemas com a matemática. Esse é um problema bem comum e recorrente. Tanto é assim que quando temos bons professores desta matéria, lembramos deles para sempre. Todos se lembram de algum (bom) professor de matemática. Ou porque ele foi muito bom ou porque foi muito severo. Os bons, inclusive, nos marcam. Eu, felizmente, tive grandes professores dessa matéria o que me fez ser um dos amantes dessa ciência.
  • Sem dúvida esses bons professores fariam feliz aquele que nasceu no dia 6 de maio de 1885, portanto, 124 anos atrás, o escritor Júlio César de Mello e Souza.
  • Falando assim, talvez nem consigamos associar o nome à pessoa, mas estamos falando de Malba Tahan, escritor do famoso livro “O Homem que calculava”.
  • Malba Tahan pode ser considerado o maior divulgador de matemática da história do Brasil. Tanto é assim que, em sua homenagem, no dia 6 de maio, esta semana, é comemorado o “dia nacional da matemática”, um dia para refletir a educação matemática, incentivando todos nós, professores e estudantes a cultivar a cultura e o saber dessa importante disciplina. Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de recreação matemática e fábulas e lendas passadas, principalmente no Oriente.
  • Júlio César de Mello e Souza, nasceu no Rio de Janeiro, à época, capital do Brasil,  começou a lecionar aos 18 anos. Formou-se, posteriormente, em Engenharia Civil, mas nunca exerceu essa profissão. Muito apaixonado pela matemática e pela escrita, Júlio, que gostava de contar histórias, começou a envolver a matemática em seus enredos. 
  • Ele resolveu criar o pseudônimo Malba Tahan, ou Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan, um árabe já que ele era admirador da cultura árabe porque imaginava que os brasileiros e editoras nacionais valorizavam mais os autores estrangeiros!
  • Para dar credibilidade ao seu pseudônimo, ele escreveu uma falsa biografia em que atestava que Malba Tahan era um admirável escritor e tinha uma grande história de vida. Após ter diversos contos publicados com esse pseudônimo, ele conseguiu lançar, em 1925, seu primeiro livro matemático: Contos de Malba Tahan.
  • A fama alcançada por suas revolucionárias produções permitiu que Júlio César se tornasse conhecido como o verdadeiro autor do livro no ano de 1933. Todavia, como o pseudônimo tornou-se maior, ele nunca deixou de assinar o nome árabe e recebeu até mesmo uma autorização de Getúlio Vargas para que constasse ao lado de seu nome, em sua carteira de identidade, o pseudônimo “Malba Tahan”
  • Ao longo de seus 79 anos, faleceu em 18 de junho de 1974, Malba Tahan publicou 120 livros, sendo 51 voltados à Matemática. Nessas obras, conseguiu repassar o conteúdo matemático em uma esfera envolvente que apresentava enigmas e fantasias, o que se tornava uma aventura divertida e empolgante. Por essa diferenciada forma de escrever, até a data de seu falecimento, ele já havia vendido mais de um milhão de livros. Seu livro mais famoso, “O homem que calculava”, tornou-se um best-seller que até hoje atrai as novas gerações.
  • Seu livro mais conhecido,  O Homem que calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de “Mil e Uma Noites”. Monteiro Lobato classificou-a como: “... obra que ficará a salvo das vassouradas do tempo como a melhor expressão do binômio ciência-imaginação.” 
  • E, Monteiro Lobato, do qual já falamos neste espaço, tinha razão. Malba Tahan ficou tão famoso que seu trabalho atravessa gerações e chegou até nós de uma forma pujante e que torna a Matemática algo divertido, em forma de jogo, algo lúdico e que você pode, inclusive se alegrar e sentir imenso prazer.
  • Nesta semana nacional da matemática, a recomendação de nossa coluna, Universo Literário é para que resgatemos a obra magnífica deste autor, principalmente sua obra-prima, “O Homem que calculava”.
  • Há uma adaptação da obra em um vídeo no Youtube, da IFSP que pode servir de introdução a esta obra incrível.

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