Universo Literário

Um minipodcast sobre literatura e cultura em pílulas de 5 minutos sobre a cultura, suas curiosidades e seu impacto em nosso cotidiano.
Baseado na minha coluna semanal da CBN Amazônia 98.5 MHz que vai ao ar todas às segundas e terças-feiras.

Sociedade e Cultura, Literatura e TV e Filmes

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Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé: a filosofia para as multidões

Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé: a filosofia e a história como remédios para o amargo da vida 
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  • Na semana em que homenageamos os nascimentos de Martin Scorsese e Rachel de Queiroz (17) e Voltaire (21) nossa coluna abraça o feNômeno que vem ocorrendo nas editoras de livros brasileiras que é uma crescente e constante procura por livros de filosofia, e de auto-ajuda relacionada à filosofia, ou, na verdade, a filosofia como resposta a questões complexas e até mesmo as banais do mundo moderno.
  • Nesta seara se destacam os 3 pensadores da, assim chamemos, filosofia para as multidões, Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Luiz Felipe Pondé, ao que poderíamos acrescentar um quarto, o professor Clóvis de Barros Filho. Se procurarmos nas listas de livros mais vendidos, no Brasil, dos últimos 3 ou 4 anos, ao menos um deles (ou todos eles) estarão presentes. Vamos conhecer quem são eles e do que eles tratam e o porquê desse feNômeno de procura pelo conhecimento em forma de filosofia para o cotidiano ou para enfrentar as dificuldades e vicissitudes da vida.
  • Os quatro citados, Clóvis, Cortella, Karnal e Pondé fizeram sucesso traduzindo raciocínios complexos de filósofos, escritores e pensadores como Epicuro, Schopen­hauer, Shakespeare e Hegel para o cotidiano brasileiro. Ganharam inúmeros fãs e seus livros vendem milhões de exemplares.
  • Leandro Karnal é gaúcho, nasceu em São Leopoldo, dia 1 de fevereiro de 1963 tendo, portanto, 56 anos. É historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É doutor em história pela USP e tem publicações acadêmicas sobre história da América. Tem 17 livros publicados sozinho ou com diversas parcerias (entre elas: Pe. Fábio de Melo, Monja Cohen, Clóvis de Barros Filho, Cortella e Pondé, entre outros). Eu recomendo: “O que aprendi com Hamlet”por que o mundo é um teatro”, “Crer ou não crer” e “felicidade ou morte”. 
  • Luis Felipe Pondé é pernambucano de Recife, nasceu dia 29 de abril de 1959 tendo, portanto, 60 anos. É doutor em filosofia pela USP. Tem mais de 14 livros publicados sozinho ou em parceria. Tem um pensamento claramente liberal e conservador e se inspira em autores como Hume, Adam Smith, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville e Roger Scruton (que rejeita a aproximação entre o conservadorismo e liberalismo). Pondé, entretanto, traça paralelos e uma linha comum entre esses autores e seus pensamentos. Eu recomendo os livros: Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003) e Filosofia para Corajosos (2016).
  • Clóvis de Barros Filho, nasceu em Ribeirão Preto-SP, em 21 de outubro de 1966 tendo, portanto, 53 anos. É formado em Direito, Jornalismo e Filosofia pela USP. É professor de ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É mestre em Ciência Política pela Université Sorbonne Nouvelle de Paris (1990) e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Tem cerca de 24 livros publicados sozinho ou em parcerias diversas, como os outros autores citados nesta coluna, entre os quais eu destaco, “A filosofia explica as grandes questões da humanidade”em parceria com Júlio Pompeu e “Ética e vergonha na cara” em parceria com Cortella.
  • Mário Sérgio Cortella, nasceu em Londrina, dia 5 de março de 1954, tendo, portanto, 65 anos, é filósofo e professor de Filosofia da PUC-SP. É mestre e doutor pela mesma PUC-SP tendo como orientador do doutorado, o patrono da Educação brasileira, Paulo Freire. Foi Secretário Municipal de Educação de São Paulo (1991/1992) no governo de Luiza Erundina. Tem mais de 40 livros publicados, entre os quais eu destaco: “Não nascemos prontos”, “Não espere pelo epitáfio”, “A era da Curadoria” com Gilberto Dimenstein, “Qual é a tua?” e “Política para não ser idiota” em parceria com Renato Janine Ribeiro. Seu pensamento é voltado para a educação, religião e espiritualidade e filosofia como remédio para a alma, além de ética e moral.
  • O sucesso desses pensadores e seus livros, palestras e vídeos é muito importante e mostra o quanto os brasileiros gostam de ler quando há algo interessante a ser contado ou ensinado. Mostra também o quanto o mundo atual e sua velocidade angustiante gera cidadãos necessitados da vontade de parar, pensar, raciocinar e buscar soluções para os dilemas da vida e do mundo moderno.

Dostoiévski e o romance psicológico

Dostoiévski  e o romance psicológico 
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  • Nesta semana, do dia 10 ao dia 16 de novembro nós lembramos o nascimento de Martinho Lutero, no dia 10, Santo Agostinho e Robert Louis Stevenson, no dia 13 e José Saramago no dia 16. Mas, o tema de nossa coluna semanal é aquele que é considerado, por justa razão, um dos maiores escritores e pensadores de todos os tempos, um homem que privilegiava, através da escrita, os grandes temas da humanidade (e a própria humanidade). Um escritor que influenciou a Literatura, a Filosofia, a Psicologia, a Teologia e preparou as bases do mundo tal qual o conhecemos, o russo, Dostoiévski.
  • Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, nasceu dia 30 de outubro de 1821, pelo calendário Juliano Russo da época, o que representa o dia 11 de novembro de 1821 pelo nosso calendário Gregoriano. Nasceu em Moscou, há, portanto, 198 anos, quase dois séculos. Faleceu em São Petersburgo, dia 28 de janeiro de 1881, pelo calendário juliano o que representa o dia 09 de fevereiro de 1881, pelo nosso calendário atual.
  • O pai de Dostoiévski, Mikhail Andriéievitch apesar de imprimir uma disciplina severa à família, incentivava os sete filhos ao amor pela cultura. Em 1837, a mãe de Dostoiévski morreu precocemente de tuberculose. A perda foi um choque para o pai, que acabou mergulhando na depressão e no alcoolismo. Fiódor e seu irmão foram então enviados à Escola de Engenharia, em São Petersburgo. O pai, morreu pouco depois, assassinado, provavelmente, pelos próprios empregados. A família tinha uma educação religiosa no cristianismo ortodoxo.
  • Em 1843, concluiu os estudos de Engenharia e obteve o grau militar de subtenente. Durante esses anos, dedicou-se à tradução, incluindo a obra de Balzac, um autor que ele admirava. Em 1844 abandonou o exército e começou a escrever a novela Pobre gente, que recebeu uma crítica positiva no seu lançamento. Foi nesta época que contraiu dívidas e sofreu o primeiro ataque epilético. À primeira obra, seguiram-se Noites brancas (1848), entre outras novelas e contos, que não tiveram a mesma acolhida da crítica.
  • Após lançar suas primeiras obras, engajou-se na luta da juventude democrática russa pelo combate ao regime autoritário do Czar Nicolau I. Em São Petersburgo, dedicou-se integralmente à escrita, produzindo seis grandes romances, entre os quais suas obras-primas Crime e Castigo (1866), O Idiota (1869) e Os Irmãos Karamazóv (1880). Tinha problemas financeiros por seus vícios, entre eles, o jogo (de onde viria a maravilhosa obra, O Jogador).
  • Tais livros serviram como o reflexo de uma era turbulenta na história russa, quando a política radical que viria a dominar o século XX lutou com um intenso cristianismo ortodoxo pelos corações e mentes de um país polarizado.
  • Durante sua vida, como escritor, Dostoiévski produziu, romances, novelas, contos, memórias, escritos jornalísticos e escritos críticos. 
  • Além disso, atuou como editor em revistas próprias, como preceptor e participou de atividades políticas. Suas obras mais importantes, claro, foram as literárias, onde abordou, entre outros temas, o significado do sofrimento e da culpa, o livre-arbítrio, o cristianismo, o racionalismo, o niilismo, a pobreza, a violência, o assassinato, o altruísmo, além de analisar transtornos mentais, muitas vezes ligados à humilhação, ao isolamento, ao sadismo, ao masoquismo e ao suicídio. Pela retratação filosófica e psicológica profunda e atemporal dessas questões, seus escritos são comumente chamados de romances filosóficos e romances psicológicos sendo ele um dos precursores de ambos.
  • Eu destaco, entre suas obras, os magníficos livros, Memórias do Subsolo (1864), Noites Brancas e outras histórias, e as já citadas, Crime e Castigo (considerado um dos melhores romances da história), O Idiota, e Os Irmãos Karamazóv (1880), livro onde há a clássica frase de Ivan Karamazov, que dizia: "Se Deus não existe, tudo é permitido”.
  • Finalizo, lembrando que Dostoiévski é considerado um autor de complexa leitura, principalmente por suas monumentais obras, algumas ultrapassando as mil páginas, mas, insisto aqui, há um prazer incrível na leitura de seus textos, extremamente complexos e profundos. Aos que consideram o autor difícil, eu recomendo iniciar por suas novelas e contos e só depois se aventurar nas páginas excepcionais de seus grandes romances.

Cecília Meireles, a voz lírica feminina do Brasil

Cecília Meireles, a voz lírica feminina do Brasil
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  • Nesta semana, dia 06 de novembro, gostaríamos de lembrar o nascimento do escritor Robert Musil, Marie Curie, Ary Barroso e Albert Camus (dia 7), Carl Sagan (dia 9) e Martinho Lutero e  Schiller (dia 10), mas o tema de nossa coluna é aquela que é uma das mais importantes vozes líricas da literatura em língua portuguesa e primeira voz feminina de grande expressão da literatura brasileira, a grande Cecília Meireles.
  • Cecília Benevides de Carvalho Meireles, nasceu no Rio de Janeiro, dia 07 de novembro de 1901, há 118 anos e faleceu, de câncer dia 09 de novembro de 1965, dois dias depois de fazer 63 anos, também no Rio de Janeiro. Ela foi uma jornalista, pintora, poeta e professora brasileira.
  • Foi criada pela sua avó católica e portuguesa da ilha dos Açores. Isso porque seu pai havia morrido três meses antes de seu nascimento e sua mãe quando tinha apenas 3 anos.
  • Desde pequena recebeu uma educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura, escrevendo poesias a partir dos 9 anos de idade.
  • Sua estreia literária aconteceu em 1919 com o livro “Espectros”, reunião de sonetos escritos a partir de 1915. Sua obra mais conhecida é o épico “Romanceiro da Inconfidência”, de 1953. 
  • Embora cronologicamente vinculada a segunda fase do modernismo brasileiro, sua obra poética traz influências simbolistas, românticas barrocas e parnasianas, destacam-se: “Nunca Mais” (1923), “Poema dos Poemas” (1923), “Baladas para El-Rei” (1925), “Viagem” (1939), “Vaga Música” (1942), “Mar Absoluto e Outros Poemas” (1945), “Retrato Natural” (1949), “Doze Noturnos da Holanda” (1952), “Poemas Escritos na Índia” (1950), “Metal Rosicler” (1960), “Solombra”(1963). 
  • Sobre ela escreveu o crítico Paulo Rónai: “Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo. A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea”.
  • Eu não canso de repetir o quanto eu aprecio poesia e o quanto o mundo precisa dela, a cada dia mais. Com uma realidade a cada dia mais dura, mais complicada, mais rápida, mais acelerada, com muitos precisando de auxílios químicos para manter a saúde e a sanidade mental. Vivemos tempos sombrios, de medo, de ódio, de intolerância…
  • Quem precisa da poesia? Uma frase do filme “O carteiro e o poeta” de 1994 nos diz que “A poesia não é de quem a escreve, mas de quem precisa dela” e nunca o mundo, desiludido e pós-moderno, precisou tanto dela. Termino com os versos de “Motivo”, poema de Cecília contido no livro “Cecília Meireles — Poesia Completa”, editora Nova Fronteira.

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Nietzsche e o eterno retorno

Nietzsche e o eterno retorno
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  • Dia 27 de outubro lembramos o nascimento do escritor Graciliano Ramos e  o quadrinista Maurício de Souza (dia 27); de Bill Gates, Eros Ramazzotti, Zélia Duncan e Julia Roberts no dia 28; Diego Maradona dia 30; Carlos Drummond de Andrade no dia 31; 
  • Mas o personagem que nossa coluna homenageará nesta semana é um filósofo que fez uma crítica profunda à filosofia e à civilização ocidental, além de ser um dos mais influentes pensadores tanto do século XX quanto do mundo moderno, o filósofo da suspeita, cujo pensamento extrapolou o debate acadêmico e, além de tudo, escrevia em um estilo brilhante, inteligível, que filosofava por meio de aforismos e poemas, o alemão Nietzsche.
  • Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu dia 15 de outubro de 1844, há 175 anos, portanto, na cidade de Röcken, no Reino da Prússia e faleceu dia 25 de agosto de 1900, 56 anos depois de seu nascimento, em Weimar no império Alemão.
  • Ele foi um filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor cuja obra filosófica permanece extremamente atual, na medida em que prenuncia boa parte do que foi desenvolvido ao longo século XX (e mesmo nos primeiros anos do século XXI).
  • Temas como crítica à verdade e à pretensão de atingir uma interpretação unitária do real, além de temas como a fragmentação do sujeito, a impossibilidade de estabelecer valores universais, a crise da metafísica e o estudo da moral e da ética serão retomamos e desenvolvidos por autores durante todo o século passado (entre eles Derrida, Lyotard, Foucault e Deleuze entre outros).
  • Nietsche era filho de um pastor protestante e de uma mãe piedosa e puritana. Estava sendo, pois, preparado para ser pastor, dada que sua família vinha de uma tradição de clérigos luteranos. Mas, aos 18 anos afastou-se do cristianismo e perdeu a fé do Deus de seus pais. Forma-se em Filologia (a contragosto da mãe) e Depois de concluir sua formação, devido aos seu grande conhecimento e respeito de seus superiores, é convidado a lecionar filologia na Universidade de Basileia, com apenas 24 anos.
  • Nesta época conhece a filosofia de Schopenhauer lendo “O mundo como vontade e ideia”, encontrando nele a influência para o desabrochar da sua própria filosofia. Em 1871 lança sua primeira obra, O Nascimento da Tragédia, sob influência da música de Wagner e da filosofia de Schopenhauer, com os quais depois virá a romper. Em 1878, o filósofo publicou Humano, demasiado humano, a sua primeira obra escrita em aforismos, estilo que marcou a escrita nietzschiana.
  • Entre 1883 e 1885 o filósofo escreve Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém que influenciou significativamente o mundo moderno. O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se autonomeou Zaratustra. O livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o estilo do Velho e Novo Testamento.
  • O filósofo, em 1886, escreve e publica o seu primeiro grande estudo acerca da moralidade, o livro Além do bem e do mal. No ano seguinte, aprofundando no tema sobre a moralidade, o filósofo escreve Genealogia da moral. Ainda em 1887, ele começa a redação de O anticristo, texto publicado em 1888, mesmo ano de publicação de Crepúsculo dos ídolos e Ecce homo. Nessas últimas publicações, Nietzsche já se encontrava afetado pela doença mental, tendo surtos, fortes dores e problemas diversos.
  • Obviamente que um filósofo tão influente na modernidade quanto Nietzsche não poderia ser completamente explorado neste espaço. O que buscamos nesta semana é uma apresentação do filósofo para o ouvinte, para que ele possa descobrir o pensamento de figura tão central no pensamento atual. Eu recomendo os livros Compreender Nietzsche de Jean Lefranc e o livro da série “Folha Explica”Nietzsche da Publifolha escrito por Oswaldo Giacoia.
  • O legado de Nietzsche é vasto, mas eu gostaria de destacar principalmente seu estilo inconfundível de sentenças diretas e frases cuidadosamente pensadas e encaixadas. Estilo exagerado, hiperbólico, rápido e brilhante que muitos tentaram, sem sucesso, copiar. Conheça a vida e a obra de Nietzsche. Por ser um filósofo extremamente popular não faltarão obras para iniciar o leitor no “caro deleite” da filosofia.

Vinicius de Moraes, o grande "poetinha"

Vinicius de Moraes
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  • Na semana passada, ouvintes, falamos aqui neste espaço do grande poeta Carlos Drummond de Andrade, gostaríamos, portanto, de homenagear, mais um poeta que deixou para sempre seu nome marcada na música popular brasileira., também nascido em outubro, conhecido como Poetinha, o grande Vinicius de Moraes.
  • Marcus Vinicius de Moraes, nasceu em 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro, há, portanto, 106 anos e faleceu dia 9 de julho de 1980 no mesmo Rio De Janeiro.
  • Ele foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro de muita fama tanto nacional quanto internacional. 
  • Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes e Lidia Cruz de Moraes, seu pai era funcionário público e músico amador e a mãe, pianista, ele tinha, portanto, a arte presente em sua vida desde o berço.
  • Começa a escrever seus primeiros versos e poemas ainda muito cedo, com apenas 9 anos. As primeiras canções foram compostas com 14 anos e com os amigos do colégio,. Com 17 anos, entra na faculdade de Direito da Rua do Catete e em 1932, com 19 anos, Publica pela primeira vez um poema de sua autoria na revista A Ordem. No mesmo ano, duas canções de sua autoria são gravadas. Em 1933 publica seu primeiro livro de poemas, “O caminho para a distância.
  • Esses foram os primeiros passos de uma carreira na poesia, na literatura, no teatro e na música que marcaria profundamente a cultura brasileira. Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística deriva do fato de ser poeta. 
  • Ainda na década de 1930, Vinicius de Moraes estabeleceu amizade com os poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Em sua fase considerada mística, ele recebeu o Prêmio Felipe D'Oliveira pelo livro Forma e Exegese, de 1935. No ano seguinte, lançou o livro Ariana, a Mulher.
  • Em 1954, Vinícius publica sua coletânea de poemas, Antologia Poética, mesmo ano que publica sua peça teatral Orfeu da Conceição, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo. Dois anos depois, quando Vinicius buscava alguém para musicar a peça conheceu um jovem pianista, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, O Tom Jobim, que na época tinha 29 anos.
  • Deste encontro entre Vinícius e Tom nasceria uma das maiores parcerias da música brasileira, que a marcaria definitivamente. Os dois compuseram a trilha sonora, que incluía "Lamento no Morro", "Se Todos Fossem Iguais A Você", "Um Nome de Mulher", "Mulher Sempre Mulher" e "Eu e Você”. 
  • A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Além destas canções, a dupla Vinicius e Tom compuseram, entre outros clássicos, "A Felicidade", "Chega de Saudade", "Eu sei que vou te amar", "Garota de Ipanema", "Insensatez", entre outras belas canções 
  • O filme baseado na peça de Vinicius, foi dirigido pelo francês Marcel Camus, Orfeu Negro. O poeta compôs duas músicas para o filme. Um ano depois, o filme seria contemplado com a Palma de Ouro em Cannes e ganharia o Oscar de melhor filme estrangeiro.
  • A influência de Vinicius de Moraes na cultura brasileira é tamanha que o espaço disponível nesta coluna é pequeno demais para sequer iniciar a contemplá-la, mas vale a lembrança que o poeta é um dos maiores compositores da MPB e da bossa nova tendo sido gravado por todos os grandes expoentes do gênero. Entres seus grandes parceiros de composição musical, destacam-se Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra. Além de composições com Pixinguinha e parcerias com Dorival Caymmi e o grupo Os cariocas.
  • A obra de Vinicius, o “poetinha”, como era carinhosamente chamado, é essencialmente lírica e se destaca pelos seus poemas de amor e sonetos, conhecidos e recitados até hoje. Poemas como Para viver um grande amor,  Poética, Soneto de Fidelidade, Soneto do amor Total, Eu sei que vou te amar, Soneto de separação e canções como chega de saudade, tarde em Itapuã, Aquarela, Garota de Ipanema e insensatez serão eternamente lembradas. A dica da semana é mergulhar na imensa obra de Vinicius, tanto os poemas, crônicas, versos e sonetos quanto às composições musicais. Afinal, o lirismo, a paixão, a música, a vida, a obra e a poesia de Vinicius estão conosco “dentro da eternidade e a cada instante”. 

Carlos Drummond de Andrade, o maior dos poetas do Brasil

Carlos Drummond de Andrade
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  • Aproveitando que estou visitando a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, gostaria de homenagear nesta semana um grande escritor mineiro nascido neste mês de outubro, considerado o mais influente poeta brasileiro do século XX, o grande poeta Drummond.
  • Carlos Drummond de Andrade nasceu dia 31 de outubro de 1902, há 117 anos em Itabira, no interior de Minas Gerais. 
  • Sua memória dessa cidade viria a permear parte de sua obra, influenciando-a constantemente.
  • Filho de proprietários rurais, durante sua adolescência foi encaminhado para estudar em colégios internos em Belo Horizonte e também em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.
  • Desde pequeno Drummond demonstrou grande interesse pelas palavras e pela literatura. 
  • Após concluir os estudos, regressou à Belo Horizonte e iniciou sua carreira de escritor publicando artigos no Diário de Minas em 1921.
  • Já no ano seguinte foi vencedor do “Concurso Novela Mineira” com o conto “Joaquim do Telhado”.
  • Formou-se em Farmácia em 1925, mas não exerceu a profissão. 
  • No mesmo ano de 1925 casou-se com Dolores Dutra de Morais e fundou com outros escritores “A Revista”, veículo com publicações que consolidaram o Modernismo mineiro.
  • Foi também redator-chefe do Diário de Minas.
  • Escreveu poesia, prosa e literatura infantil, em uma obra marcada por referências à vida mineira. 
  • Itabira está presente em grande parte de sua obra. A cidade hoje abriga um memorial em homenagem ao autor.
  • Em 1928, fez a publicação que impactou sua carreira: a poesia “No Meio do Caminho”, na Revista de Antropofagia de São Paulo.
  • A obra foi criticada pela imprensa, por conta da construção repetitiva e inusitada de suas estrofes. 
  • O trecho "No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho" ganhou repercussão e a poesia foi apontada até como forma de provocação na época.
  • Drummond consagrou-se como um dos maiores escritores da literatura brasileira, fazendo parte da segunda geração modernista. Muitos de seus poemas são conhecidos mundialmente. 
  • Ainda em 1928, Drummond ingressa no serviço público como auxiliar de gabinete da Secretaria do Interior. Em 1930 publica o volume "Alguma Poesia", contendo 49 poemas. Em 1934 transferiu-se para o Rio de Janeiro e foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945.
  • Em 1942 publicou seu primeiro livro de prosa, "Confissões de Minas". Entre os anos de 1945 e 1962 foi funcionário do Serviço Histórico e Artístico Nacional.
  • Em 1946 foi premiado pela Sociedade Felipe de Oliveira, pelo conjunto de sua obra. Durante os anos 60 e 70 escreveu para jornais do Rio de Janeiro e dedicou-se à produção de crônicas e poesias.
  • Algumas de suas obras são “Sentimento do mundo”, “A rosa do povo”, “Claro enigma” e “As impurezas do branco”.
  • Carlos Drummond de Andrade morreu aos 85 anos, no Rio de Janeiro.
  • O estilo poético de Carlos Drummond de Andrade ficou caracterizado por observações do cotidiano misturadas a traços de ironia, pessimismo e humor. 
  • Várias de suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, sendo também tradutor de autores como Balzac, Federico Garcia Lorca e Molière.
  • Sua poesia, ao retratar as aspirações e angústias cotidianas, parece falar ao coração de cada leitor. Não é à toa que inúmeros versos do poeta se tornaram praticamente ditados populares, como o famoso “E agora, José?”.

Cartola, o "divino"

Cartola 
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  • Nesta semana, de 06 a 12 de outubro, nós lembramos do nascimento de Romero Brito (06), Mário de Andrade e John Lennon (9), Verdi e Thelonious Monk (10), Tom Zé, Lobão e Jorge Vercillo (11) e Luciano Pavarotti e D. Pedro I (12).
  • Nossa coluna vai homenagear, com muita honra, aquele que é considerado um dos maiores sambistas da história do Brasil, na opinião do grande Carlos Drummond de Andrade, um “mestre da delicadeza”, conhecido como “o Divino”, o poeta das rosas, o saudoso, Cartola.
  • Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, nasceu no dia 11 de outubro de 1908, há 111 anos, noRio De Janeiro, então capital do Brasil, no bairro do Catete, e morreu em 1980 no mesmo Rio de Janeiro. Filho de operário, morou em diversos bairros do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Aos 11 anos, dificuldades financeiras levam a família a se transferir para o Morro da Mangueira, onde, ainda jovem, Cartola é iniciado no samba e na boêmia pelo seu amigo Carlos Cachaça, seis anos mais velho, que se torna um dos seus mais constantes parceiros
  • Muito cedo abandona a escola para trabalhar, e exerce várias profissões, de aprendiz de tipógrafo a servente de pedreiro. O apelido Cartola surge nessa época, trabalhando em construção e para evitar que o pó do cimento lhe caísse sobre a cabeça, passa a usar um chapéu-coco, que orgulhosamente chama de cartola. Aos 15 anos perde a mãe. 
  • O pai desaprova sua vida boêmia, expulsa-o de casa e muda-se do Morro da Mangueira, o compositor ali permanece. Vive pela noite do subúrbio carioca, até ser acolhido por Deolinda, uma senhora que mora na Mangueira e passa a cuidar dele. Sem trabalho, começa a compor e a cantar nos bares do morro.
  • Torna-se figura cativa nas rodas de samba e da boêmia, e ensaia suas primeiras composições e acordes no violão. Participa da fundação de um bloco para brincar o Carnaval, o Bloco dos Arengueiros. Além de Cartola, outros "arengueiros" como Arturzinho, Carlos Cachaça, Zé Espinguela, Saturnino, Homem Bom, Gradim e o irmão Antonico integram o núcleo inicial do qual surge a Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, fundada em 28 abril de 1928. Tanto as cores, verde e rosa, quanto o nome são sugestões de Cartola. No desfile inaugural, a escola apresenta um samba de sua autoria, Chega de Demanda.
  • Mesmo sendo reconhecido como um mito vivo da música brasileira, tido suas composições gravadas por intérpretes famosos, apenas em 1974, com mais de sessenta anos, Cartola gravou seu primeiro LP individual, com o qual recebeu vários prêmios e passou a fazer shows em todo o país. O segundo disco veio em 1976 e com ele o grande sucesso da música “As rosas não falam”.
  • A obra de Cartola tem significado especial na narrativa da evolução do samba. Estilo inconfundível de suas harmonias, melodias e letras traduz a poética do trovador da Mangueira, que, sozinho ou em parceria, com Carlos Cachaça, Elton Medeiros, Nuno Veloso, Hermínio Bello de Carvalho, influencia novas gerações de sambistas, em especial, Paulinho da Viola. Suas composições atravessam décadas e se atualizam a cada regravação. Cartola viveu em uma época em que a música brasileira estava muito atrelada à poesia e o lirismo da composição literária. 
  • Vejamos o exemplo de As Roas não falam:

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim
Queixo-me às rosas
Que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim

  • Neste mundo veloz, cada vez mais rápido, onde o tempo é escasso, neste mundo violento, ultraburocrático e ultratecnocrata, que possamos cada vez mais buscar tempo para apreciar a poesia e a música. Afinal, como dizia Nietzsche, a vida sem música, seria um erro.

Miguel de Cervantes, autor do primeiro romance moderno

Miguel de Cervantes, autor do primeiro romance moderno
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  • Nesta semana, nós lembramos do aniversário de nascimento de Caravaggio (19), Truman Capote, Xororó e Chacrinha(30), Mahatma Gandhi, Groucho Marx, Augusto Cury e Sting (2), Allan Kardec, Orlando Silva e Zé Ramalho (3), Buster Keaton, Assis Chateaubriand e Susan Sarandon (4), Diderot, Václav Havel e Tarcísio Meira (5).
  • Mas o tema de nossa semana é aquele que é considerado do homem que inventou a ficção através de um dos livros mais importantes e mais influentes já escritos. O tema de nossa semana é o escritor espanhol, Cervantes
  • Miguel de Cervantes Saavedra, nasceu na Espanha, no dia 29 de setembro de 1547, provavelmente em Alcalá de Henares, filho de Rodrigo e Leonor de Cortinas, que além de Miguel, tiveram mais seis filhos. Em 1563 a família mudou-se para Sevilha, onde Miguel iniciou seus estudos em gramática e latim, aprendendo com os padres jesuítas.
  • Em 1566, aos 19 anos, mudou-se com a família para Madri, onde viveu apenas três anos. Segundo alguns estudiosos, ele teve que deixar a cidade porque havia ferido um homem por acidente.
  • Passou a viver em Roma, na Itália, onde fez carreira como soldado e lutou na Batalha de Lepanto, contra os turcos, em 1571. Nesse combate, foi ferido e perdeu os movimentos da mão esquerda. Segundo alguns pesquisadores, na verdade ele perdeu o braço inteiro.
  • Na volta à Espanha, em 1575, a embarcação em que Cervantes viajava foi tomada por piratas turcos. Os bandidos o mantiveram prisioneiro durante cinco anos; só foi libertado quando sua família pagou um resgate.
  • De volta à Espanha, trabalhou como coletor de impostos do reino. Casou-se em 1583 com Catalina de Palacios Salazar, com quem viveu apenas um ano. Antes do casamento, teve uma filha.
  • Edita na cidade de Madri, em 1585, “La Galatea”, que foi sua primeira novela. Teve contato com grandes literatos da época, e escreveu os poemas dramáticos “Los Tratos de Argel” e “La Mumancia”.
  • A obra mais famosa de Cervantes é Dom Quixote — o nome completo é O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha —, publicado em duas partes: a primeira em 1605 e a segunda em 1616.
  • O livro conta a divertida história de Dom Quixote, cavaleiro ingênuo e bem-intencionado, que sai pelo mundo para combater as injustiças. Dom Quixote apronta muitas confusões e acaba sempre se dando mal.
  • O livro é uma paródia das histórias de cavalaria, que narram os feitos heroicos dos cavaleiros. Eles enfrentam monstros, combatem exércitos inimigos e defendem os mais fracos.
  • O livro fez tanto sucesso, que uma pessoa, fazendo uso de um nome falso, publicou uma segunda parte do romance. Por conta da revolta com tal falsificação, em 1615, Cervantes publicou sua própria segunda parte, escrevendo também diversas obras ao longo deste período. “Dom Quixote” foi traduzido em mais de 60 idiomas, e de geração em geração vem conquistando de crianças a adultos.
  • Miguel de Cervantes, considerado um dos quatro gênios da literatura ocidental, morreu no dia 23 de abril de 1616, na cidade de Madri, Espanha. 
  • Deixando grande inspiração em diversos níveis, ultrapassando séculos. De forma que romancistas, contistas; poetas; escritores; pintores; escultores; ensaístas; cartunistas; quadrinistas; dentre outros, ainda hoje encontram em suas obras um referencial artístico.
  • O seu trabalho é considerado entre os mais importantes em toda a literatura, e sua influência sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes (A língua de Cervantes).
  • A dica é, portanto, conhecer Cervantes (e a língua de Cervantes) seja por suas obras literárias, ou pelas muitas obras que ele inspirou.

Como ler mais? Dicas importantes para ler mais ou apenas para começar a ler!

Como ler mais?
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  • Os benefícios da leitura são conhecidos e já foram motivo de debate neste espaço. Entre eles podemos citar:
    • Estimular o funcionamento do cérebro e a criatividade; Melhorar o senso crítico; Redução do estresse; (prazer); Expansão do conhecimento; Ajuda na memorização; Desenvolve a concentração; melhora as habilidades de escrita; promove a saúde mental como um todo.
  • Ler, ouvinte, é dialogar com os autores dos livros, lendo nós descobrimos ideias, mentalidades, pesquisas, conselhos, reflexões e experiências. O ato e o hábito de ler realmente nos proporciona momentos e situações maravilhosas além de promover a saúde mental e, por consequência, do corpo.
  • Portanto, eu que sou um leitor ávido, tenho quase sempre que responder a pergunta de como fazer para ler mais, ou para simplesmente ler… No mundo ultra-conectado e veloz atual é cada vez mais difícil de separar um momento do dia para exercitar o prazer da leitura.
  • No Brasil, se lê menos ainda. Temos uma cultura de leitores muito pequena. A média de leitura do brasileiro são dois livros por ANO! Uma das mais baixas do mundo. E desses dois, só se termina um e meio. É algo que precisamos urgentemente mudar. 
  • Não é à toa que o Brasil é um dos países de população mais estressada do mundo…
  • Mas como ler mais?
  • Minha dica para isso (e que funciona perfeitamente comigo) é deixar de imaginar que precisamos de muito tempo para ler. Primeiro: tempo é uma questão de prioridade. Todos teremos (se tudo der certo) as mesmas 24 horas. O que fazemos com elas é o que nos define e nos diferencia dos demais. Tudo aquilo que é prioridade nós conseguimos arrumar tempo. Afinal, tempo é, de fato, uma questão de prioridade.
  • Portanto, se você quer desfrutar dos prazeres da leitura, uma dica é: Não o faça por obrigação, mas sim, por prazer. Segundo: comece pequeno e pense grande. Comece lendo somente dez minutos pela manhã e dez pela noite. Procure livros que permitam esse tipo de leitura. 
  • Parece pouco, mas dez minutos de manhã, dez depois do almoço e dez à noite, são 30 minutos por dia. Se você se esforçar um pouquinho, você consegue. Tente ficar meia hora a menos nas redes sociais ou em frente à TV, por exemplo. Se você conseguir ler durante essa meia hora, dividida por 3, você terá lido ao final do ano, pelo menos, de dez a vinte livros! Faça desses minutos um hábito. Sua mente e seu corpo vão agradecer!
  • Eu sugiro bastante a leitura de e-books que são os livros eletrônicos, afinal, eles favorecem essa leitura entrecortada durante o dia. Caso não goste ou não se acostume, ande com um livro sempre com você. Se você ler, por exemplo, 20 páginas por dia, ao final do ano, você terá lido cerca de 30 livros! Essas 20 páginas é perfeitamente possível em 3 períodos de 10 minutos por dia. Como curiosidade, 20 páginas por dia, dá cerca de 7300 páginas por dia, ou cerca de mais 4 bíblias.
  • Para quem sente sono ao começar a ler, tente mudar o horário da leitura, o ambiente e, principalmente, evite momentos e lugares propensos ao sono.
  • Não gosto de nenhum livro. Isso não existe. Comece a ler um livro. Você não é obrigado a gostar de um livro só porque outra pessoa gostou. Não gostou, largue. Vá para outro. Não gostou do outro, troque de novo. Uma hora você vai achar seu estilo, seu nicho, algo que prenda sua atenção. Então, ao descobrir do que você gosta, procure ler muito mais sobre isso.
  • É isso. Uma boa semana a todos. E boas leituras.

Paulo Freire, patrono da educação brasileira e intelectual brasileiro mais citado no mundo!

Paulo Freire, patrono da educação brasileira e intelectual brasileiro mais citado no mundo!
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  • Nesta semana lembramos os nascimentos do poeta Bocage e a escritora Agatha Cristie (15), e do poeta e escritor Willian Goulding, dia 19; além do nascimento de Upton Sinclair, George R.R. Martin e Sophia Loren no dia 20 e, finalmente, Stephen King dia 21.
  • Mas a nossa coluna tem o prazer e a honra de lembrar aquele que é considerado um dos pensadores mais notáveis e influentes na história da pedagogia mundial, tendo inspirado o movimento chamado pedagogia crítica, nascido nesta semana, dia 19, além de ser o patrono da educação brasileira. Vamos falar de Paulo Freire.
  • Paulo Reglus Neves Freire nasceu dia 19 de setembro de 1921, há 98 anos, na cidade de Recife, em Pernambuco, e faleceu em São Paulo, dia 2 de maio de 1997. Ele foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Aliás ele é o terceiro pensador mais citado em trabalhos científicos pelo mundo, sua principal obra, "A pedagogia do oprimido", é uma referência constante na área de humanas (ele é mais citado que Vigiar e Punir de Foucault e O capital de Marx, por exemplo). Este livro, inclusive, é o único livro brasileiro a aparecer na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.
  • Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. 
  • Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. Um de seus estudos se baseia em como aproximar o conteúdo acadêmico do universo dos estudantes, fazendo com que eles se apropriem da educação.
  • Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.
  • Na década de 1960, desenvolveu uma metodologia de alfabetização popular que ficou conhecida como Método Paulo Freire. Com ela, seu grupo de trabalho alfabetizou em 45 dias 300 cortadores de cana de Angicos, pequeno município no Rio Grande do Norte.
  • Após essa experiência o governo de João Goulart lançou o Plano Nacional de Alfabetização que pretendia a formação em massa de educadores. O Golpe Militar, porém, pôs um fim ao plano e levou o educador ao exílio.
  • Enquanto era proscrito no Brasil - sua teoria sobre educação e valores  é ponto de controvérsia até hoje - o educador tornou-se referência internacional, influenciando metodologias educacionais em países tão distintos como os Estados Unidos e Kosovo.
  • O pensamento central do educador se destaca, entre outros pontos, por: considerar o caráter emancipatório da educação e buscar conscientizar os alunos para fazer deles pessoas críticas, transformadores de suas realidades.
  • Infelizmente Freire tem sido muito atacado nos últimos anos, sobretudo no Brasil, em sua maioria, por pessoas que não conhecem sua obra nem teórica nem prática. Claro, Paulo Freire nunca se quis unânime (isso iria contra a sua percepção de educação), mas o tipo de crítica que ele vem sofrendo é totalmente alienígena à sua obra, desconhecendo seus princípios fundamentais. Sou professor há mais de 20 anos e a influência que Freire tem não só na minha, mas na formação de milhares (talvez, milhões) de professores ao redor do mundo é impactante. Afinal, criar seres pensantes e com senso crítico é muito mais civilizatório do que formar pessoas acríticos.
  • Eu recomendo nesta semana que nos aprofundemos nas questões da obra de Freire através de dois livros seus, o clássico "A Pedagogia do oprimido" e "A pedagogia da autonomia" e, claro, "A importância do ato de ler". Encerro com uma de suas mais célebres frases, "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor". Que formemos uma geração sem oprimidos nem opressores.
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